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terça-feira, 27 de junho de 2017

[RESENHA] It ends with us - Colleen Hoover


Editora: Hoover Ink
Ano: 2016
ISBN: 9780804177894
Páginas: 395
Nota: 5/5

O amor dói.

Mais uma vez, resolvi me aventurar no universo da Colleen Hoover. Li em uma resenha que o melhor a se fazer era mergulhar na narrativa sem ter ideia do que se tratava. Foi isso que fiz. E fui surpreendida.

“There is no such thing as bad people. We’re all just people who sometimes do bad things.”

A única coisa que posso adiantar é a existência de um quase triângulo amoroso. Sabe aquela velha história de que as pessoas estão ligadas por um fiozinho vermelho e destinadas a se conhecer? Algumas vão dar a volta ao mundo e se encontrar de novo. Ok. Sei que não estou fazendo muito sentido, mas vocês precisam ler para descobrir sobre o que estou falando.



“Just because someone hurts you doesn't mean you can simply stop loving them. It's not a person's actions that hurt the most. It's the love. If there was no love attached to the action, the pain would be a little easier to bear.”


A protagonista, Lily, é incrível. Sempre que vou escrever meus livros e tenho um personagem forte, procuro nomes fortes para ele, e a autora fez justamente o contrário. Isso me chamou muito a atenção. Quando você pensa em Lily Bloom a imagem que vem a cabeça é de uma garota frágil, fofinha, besta e melosa. Engraçadinha até. Parece gênero de chic-lit, aquela personagem que vai fazer altas trapalhadas e ser muito divertida. Pois você está extremamente equivocado.



Lily Bloom é uma protagonista extremamente forte e determinada. Acabou de abrir o seu próprio negócio de um jeito nada convencional e está sempre buscando as melhores coisas, determinada a seguir seus sonhos. Mas nem mesmo as mais fortes e independentes conseguem escapar do lado ruim da vida. Seu passado é extremamente doloroso e seu coração acaba sendo aberto para o amor. De novo.

“Life is a funny thing. We only get so many years to live it, so we have to do everything we can to make sure those years are as full as they can be. We shouldn't waste time on things that might happen someday, or maybe even never.”

Falando em amor. O amor do livro é diferente. É algo bom, mas que machuca. E machuca muito. A autora trouxe um tema muito sério a tona do jeito dela, Colleen Hoover de ser. E acho que o amor, para muitos, é justamente isso, uma prisão. Mas precisamos nos libertar. O único lado negativo disso é que eu já sabia o final da história desde uma determinada parte do livro.


Resumindo, vocês vão entender melhor tudo isso sobre o que estou falando quando lerem o livro. Não é um dos melhores da autora, não chega muito perto dos meus favoritos. Mas é incrível, é necessário, é atual. E é Colleen Hoover.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Resenha: Too late - C. Hoover

Editora: Hoover Ink
Ano: 2016
ISBN:  9780804177894
Páginas: 395
Nota: 5/5

Você não precisa bater de frente para ser uma pessoa forte.

No momento, meu coração abriga um misto de sentimentos. Estou feliz por finalmente estar escrevendo uma nova resenha, mas completamente abalada com o término dessa leitura. Colleen Hoover prometeu usar esse pseudônimo por um motivo, e cumpriu. Too late é completamente diferente daquilo que estamos acostumados. Sim, há um romance, sim, a essência da autora está ali. Mas é uma relação muito mais profunda. Posso dizer que o tema é similar ao tratado em Amor amargo, da Jennifer Brown, mas muito mais pesado.

"You hold a fucking door open for a girl, she automatically thinks you're a gentleman. She thinks you're the type of the guy who would treat his mother like a queen.Girls see guys with manners and think there's no way they could be dangerous."

Durante toda a leitura permaneci extremamente angustiada e querendo vomitar nos capítulos narrados por Asa Jackson. A história envolve um relacionamento abusivo entre ele e Sloan, uma garota cheia de problemas que perdeu um dos irmãos e tem que cuidar de Stephen, que está em tratamento psicológico. Asa trabalha com um esquema pesado de drogas e usa o dinheiro sujo para pagar as despesas do garotinho. Esse é o único motivo pelo qual Sloan permanece presa com ele, mas ao longo da história percebemos que não é só isso. Ela o ama, infelizmente ela o ama.

"Love finds you in the tragedies. That's certainly where Carter found me, In the midst of a series of tragedies."

No meio de todo esse rolo, aparece Carter, ele conhece Sloan em uma aula de espanhol na faculdade e os dois flertam. A Garota consegue flertar e se sentir leve depois de muito tempo. Pode ser clichê o que acontece depois, o garoto começa a trabalhar para Jackson. Mas todos nós sabemos que a autora sempre transforma clichês em histórias maravilhosas, não é?! Essa não é tão maravilhosa assim, mas é genial, é pesada, é angustiante, conseguiu me deixar completamente sem palavras e sem forma alguma de descrever meus sentimentos.

"We are going to fight Asa with the only weapon stronger than he is. We're going to fight him with love."

A maneira com que os personagens são trabalhados é impressionante. Cada capítulo é narrado por um deles e eu conseguia saber com facilidade quem estava falando, tamanha a personalidade dos três. Ela explorou o passado de cada um deles e ainda criou um final atrás do outro e um epílogo depois do epílogo, jogando na nossa cara que a angústia ainda ia demorar um pouco para terminar. Eu odiei Asa Jackson e depois o entendi, compreendi todos os traumas que estavam presentes em sua mente. E odiei de novo, apesar de amar a sua genialidade e querer estudá-la. E odiei, porque ele é sujo. Mas, sinceramente? Talvez ele tenha sido o personagem mais bem construído da autora.Também achei Sloan burra, mas entendi. Percebi que você ser forte não significa necessariamente enfrentar alguma coisa sozinho, as vezes significa aguentar tudo sozinho. E Carter... ainda não sei dizer o que achei exatamente dele, talvez o caracterize como um camaleão.

"She has some yellow ones, but she says those are her special pills, She says she saves those for the days when she wants to go somewhere else in her mind."

De qualquer forma, preciso salientar que esse não é um triângulo amoroso. É muito mais do que isso. Too late me tirou o ar e me fez perceber que, definitivamente, com toda a certeza do mundo, C. Hoover (ou Colleen) é minha autora preferida. Espero que ela escreva mais coisas nesse estilo, também.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Resenha: Traços - Eduardo Cilto

 Editora: Outro Planeta
Ano: 2016
ISBN: 9788542207477
Páginas: 272
Nota: 5/5

Um livro amorzinho..... nem tão amorzinho assim.

Matheus é um garoto um tanto quanto inseguro que está pronto para ir a sua primeira festa. Influenciado principalmente por sua melhor amiga, Beatriz, comparece ao colégio durante a noite e tenta se comportar. Mas as coisas saem fora do controle e ele acaba até participando de um ritual de bruxaria.


"Ás vezes, as pessoas se deixam cegar pelo número infinito de expectativas que as cerca e acabam não percebendo que o que elas mais querem está na frente do próprio nariz, não exatamente como imaginam, mas muitas vezes de um jeito até melhor do que o esperado.”

Mas não terminou por aí, Beatriz começa a inventar de ir para São Paulo e acaba arrastando Matheus junto com ela. Durante essa viagem, os sentimentos dois dois ficam cada vez mais confusos. Toda essa relação me lembrou bastante o filme 500 days with summer. No meio dessa viagem, um grande misterioso sequestro acontece. Um garoto que faz vídeos para a internet acaba sendo sequestrado e a Beatriz teima em ir atrás dele. A partir daí, é uma aventura atrás da outra.

"(...)A internet virou um grande espaço onde qualquer um consegue postar o que quer e se autopromover para aqueles que conhece, sempre com o mesmo conteúdo repetitivo, as mesmas reclamações, as mesmas coisas de sempre: "Vejam as fotos das minhas férias", "Curtam as fotos dos meus presentes de aniversário", "Comentem sobre o quanto estou bonita nessa foto". É uma luta de egos que parece não ter fim."

A leitura de Traços é bem gostosa e parece, de início, apenas um mero romance — só no começo mesmo. Comecei a ler sem muitas pretensões e terminei querendo pedir o Eduardo em casamento. Os personagens são tão opostos que acabam se entrelaçando de alguma forma. E toda a narrativa, todos os personagens se juntam. Pensar que o autor estava sentado pensando nessa história o tempo todo e nesse desfecho maravilhoso me fez sentir um pouquinho enganada — você vai entender o porquê.


O mais legal é que a narrativa simplesmente te surpreende do nada e é regada por quilos e mais quilos de amizade e de um talvez relacionamento. Mostra que as vezes a pessoa certa é errada e as vezes simplesmente o timing não bateu. Sim, eu estou falando de um clima de romance. É muito legal, sério, por mais clichê que possa ser, o autor conseguiu renovar.

"A vida pode ser muito parecida com os quadrinhos, pois ambos tem alguém controlando o que acontece; no caso você é o desenhista da sua própria história, e os traços feitos são as ações que toma para designar o rumo que sua vida seguirá. Então tenha consciência de que, a partir de agora, é você quem define o desenho que seus traços vão formar.”

Não vou me alongar muito mais nessa resenha, mas super recomendo esse livro e pretendo reler em breve. Traços é um livro pra você que gosta de uma história cheia de personagens que te envolvem e um grito de "surpresa!"

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Resenha: A Guardiã de Histórias

Ano: 2016
ISBN:
Páginas: 322
Nota: 4/5
Editora: Bertrand Brasil

Escreva sua História. Ela será lembrada.
Um questionamento feito por todos é para onde você vai quando morre. Se você morasse no universo de A Guardiã de Histórias, eu saberia te dizer a resposta. Ninguém morre de verdade. Não acaba. Existe um lugar chamado Arquivo em que Histórias ficam armazenadas em gavetas. Como se livros fossem mortos flutuantes preenchendo as estantes. Mas quem disse que isso não pode acontecer na vida? Afinal, nossas histórias sempre permanecem. Porém, como em filmes de terror com espíritos que vagam pela terra, algumas Histórias acordam — principalmente quando têm alguma coisa mal resolvida — e vão para os Estreitos. Elas não podem, de jeito nenhum, chegar ao Exterior. Quando chegam, a Equipe as manda de volta. Mas o Estreio é local para os Guardiões.

"Existe algo inegavelmente triste sobre Owen, algo perdido, mas não tomaria essa forma. A tristeza pode drenar a luta dos traços de uma pessoa, mas os dele são claros. Ousados. Quase desafiadores."

Mackenzie Bishop, guardiã de histórias. A garota torna-se parte desse mundo paralelo quando seu avô, Da, morre e passa a responsabilidade para ela. Entretanto, seu irmão, Ben, morre e a garota fica muito mal, assim como sua família. Eles se mudam para um antigo hotel mais ou menos abandonado. O Coronado. Lá, a mãe Bishop vai reinaugurar o café do local. A lista de Histórias a serem resgatadas fica ainda maior e Kenzie também conhece Wesley, o garoto do delineador. Muitas confusões acontecem e os dois — principalmente ela — acabando se metendo em confusões e mentiras.

"Mas as pessoas são feitas de ruído, Mac. O mundo é cheio deles. E encontrar o silêncio não é uma questão de empurrar tudo para fora. Apenas de se colocar para dentro. Só isso."

O início da obra é bem parada, mas necessário. É nesse começo que somos apresentados a todo esse novo universo muito bem construído, aliás. Depois, a história começa a andar e as vezes fica complexa demais — mas nada que não dê pra entender. São vários nomes e histórias e memórias que se revelam e anéis que fazem um bloqueio para o barulho que Mackenzie não suporta escutar. E segredos do Arquivo que serão revelados e confianças que vão ser quebradas e traições e romance que não é bem romance — do jeitinho que eu gosto. Enfim, são muitas reviravoltas que vão te fazer devorar as últimas páginas.

" — E se eu estragar tudo?
— Ah, você vai. Vai estragar tudo, vai cometer erros, vai quebrar coisas. Algumas, vai conseguir concertar, e outras serão perdidas. Isso tudo é um fato. Ma só há uma coisa que você pode fazer por mim.
— O que é?
— Continuar viva por tempo bastante para estragar tudo de novo."

Porém, como disse, o início é meio parado e eu demorei para me envolver de verdade. Digo, estava envolvida com o universo desde o começo, mas não com a narrativa. As reviravoltas, na minha opinião, foram previsíveis. Apenas uma foi bem surpreendente e me fez repensar sobre quem estava certo e se existia lado certo. Mas em nenhum momento falei: que livro, genial!! O que me deixou um pouco chateada, porque é o primeiro livro que leio da autora e tinha muita expectativa.
A Guardiã de Histórias é um livro ótimo com um mundo muito bem consolidado e perfeito para quem gosta de uma boa quantidade de plot-twists.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Resenha: Sophia Abrahão Numa outra - Camila Fremder

Ano: 2016
ISBN: 9788584390526
Páginas: 160
Nota: 4/5
Editora: Paralela

"Faz o meu mapa?"

Não vou negar que quando soube do livro da Sophia, torci o nariz. Nesse mundo repleto de youtubers lançando livros - que são mais produtos de marketing - com biografias e a maioria nem escrevendo ou lendo o próprio livro, criei um certo preconceito, confesso. Sim, o nome disso é marketing, mas a sociedade funciona assim, não é?! E claro que eu sei que alguns youtubers escrevem, de fato, o livro. Mas enfim, não vamos entrar nisso. O fato é que sempre vi a Sophia falando que quem escreveu o livro foi a Camila, dando os devidos créditos e importância para a autora e pensei "poxa, é por isso que eu me orgulho tanto dela". E sabendo que ela estava aqui para me apoiar com meu livro, não seria nada justo não dar ao menos uma chance para o livro dela. E foi na fila da sessão de autógrafos que, com muito medo - confesso, abri Numa outra e comecei a ler.

"O mundo precisa de mais amor e menos julgamento."

O livro contém diversos contos com histórias vividas pela atriz. Desde sua viagem a China, passando pela época em que participou da novela Rebelde, até um texto inteiro falando sobre sua paixão por astrologia. A letra é maior do que a que estou acostumada e o livro é cheio de imagens de ensaios e fotos do instagram, dando uma maior dinamicidade para a leitura.



A única coisa que atrapalhou na hora de ler é o fato de algumas palavras ou frases estarem cortadas e intercaladas por várias páginas de imagens.

"Cada pessoa tem um tipo de corpo e um tipo de beleza."

Foi muito legal descobrir um outro lado dela, também. Parece que com esse livro pude conhecer mais da Sophia sem o Abrahão. E amei! Descobri como funcionava o seu trabalho na China, o que ela sentia em relação aos colegas de elenco em Rebelde e ainda percebi alguns babados fortíssimos! Hahaha


Porém, esse é um livro para todos aqueles que já conhecem Sophia Abrahão. Foi uma obra feita para os fãs, como se fosse um presente. Então não tenho certeza se todos iriam gostar de ler. Mas acho que vale a pena dar uma chance.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Resenha: Novembro, 9 - Colleen Hoover

Editora: Galera Record
Ano: 2016
ISBN: 9788501076250
Páginas: 352
Nota: 5/5

Você não deveria ser tão importante assim pra mim. 
Talvez o destino tenha alguma coisa a ver com isso.
Fazia muito tempo que não escrevia uma resenha porque, na verdade, fazia muito tempo que eu não lia um livro. Minha estante está repleta de não-lidos, mas sabe quando nenhum te interessa? Principalmente depois de escrever o meu livro e estar preocupada com o lançamento e outros detalhes da publicação. Mas parece que nesse fim de mês, o bloqueio literário resolveu ir embora. Foi escorrendo pelo ralo aos poucos, mas foi nesse exato momento em que tive o bendito estalo. Comecei a ler Novembro, 9 hoje mesmo, assim que minha encomenda chegou. E foram cinco horas de risadas, paixão, sofrência e um coração destruído em migalhas. Vocês sabem que eu odeio romance, mas a Colleen Hoover consegue me fazer amar cada um deles. Ela e sua habilidade de criar os melhores personagens e os melhores plot-twists. Deixando a divagação de lado, vamos ao que interessa.

"Meus defeitos são o que me faz acordar de manhã e o que me deixa acordada a noite."

Fallon costumava ser a protagonista de uma série americana famosa, mas tudo foi interrompido quando a casa de seu pai foi incendiada. Ela não costumava ficar muito lá, já que morava com sua mãe, mas estava ali naquela noite. Destino cruel? Talvez. Seu pai simplesmente esqueceu que ela estava ali e quando todos ouviram os gritos, a menina já estava ferida.

"Quem quer que tenha dito que a verdade machuca estava sendo otimista. A verdade é uma filha da puta que provoca uma dor excruciante."

Por isso, com dezoito anos, ela tem a parte esquerda do corpo repleta de cicatrizes. Desde o rosto descendo até a cintura. E é extremamente insegura com isso. Dia 9 de novembro é o aniversário do acidente. O livro começa dois anos depois, quando ela está em um restaurante com seu pai contando a notícia de que está prestes a ir para Nova York com o intuito de continuar sua carreira de atriz. Os dois começam uma briga quando ele diz que não existe mais chance para ela. Assim, de repente, surge Ben, um cara totalmente X que se mete no meio da conversa e finge ser namorado da garota enquanto a defende.

"Você nunca vai conseguir se encontrar se estiver perdida em outra pessoa."

A questão é que esse encontro culmina quando os dois acabam passando o dia todo juntos e acabam rindo, se divertindo, gostando um do outro e esquecendo o que aquela data significa. E então, criam um novo significado. Eles não poderão manter contato nenhum, mas deverão se encontrar todo dia 9 de novembro, na mesma hora e no mesmo local. E Ben tem a missão de escrever um livro sobre isso. Em troca, Fallon também tem que cumprir algumas tarefas.

"Talvez os gestos grandiosos não importem tanto quanto todas as coisas irrelevantes entre os dois personagens principais."

Novembro, 9 foi um livro que não me deixou largá-lo nem por um instante - talvez só um pouco, porque eu precisava respirar. A narrativa é totalmente ágil e, as vezes, angustiante. A premissa é sim, clichê, e lembra Um Dia - a autora até brinca com isso - mas Colleen Hoover, como sempre, consegue transformar o clichê em algo completamente diferente e incrível. A construção dos personagens também é extremamente bem feita. Fiquei com medo de não perceber o crescimento ao longo dos anos ou que a autora deixasse alguma coisa passar, mas isso não aconteceu.

"Porque quando você ama uma pessoa, tem o dever de ajudá-la a ser a melhor versão de si mesma."

Fallon e Ben são dois personagens incríveis e fortes que com certeza ganharam meu coração. No início, achei Ben um tanto quanto machista e pensei até em desistir da leitura. Mas depois, percebi que não era nada daquilo. Ainda bem que eu resolvi não parar no primeiro capítulo. Não vou falar muito sobre eles pois acho que todos deveriam conhecê-los, mas posso dizer que me ensinaram muitas coisas.


Aliás, essa é uma obra repleta de ensinamentos. Alguns estão ali, prontos para que você veja, outros estão contidos em pequenos detalhes. Mas o fato é que, sem dúvida alguma, esse não é só um livro de romance. É também sobre autoconfiança e deixar quem você ama livre. E também, sobre se amar. Foi muito bom ler essa história agora porque estava precisando ler algumas coisas do tipo. Sei que vou ficar bastante tempo refletindo sobre e eu amo quando isso acontece.

"A juventude e a beleza passam. A decência humana, não."

Nem preciso falar nada sobre as reviravoltas do livro que vão te fazer querer jogar Fallon da janela, depois Ben, depois a autora e por último você. Mas aí tudo faz sentido e tudo o que você vai querer fazer é agradecer a Colleen Hoover e pedir para que ela não pare de escrever nunca. Ah, e esses plot-twists são bem surpreendentes - eu pelo menos não imaginei.

"Mas quando se trata de uma batalha entre sua adrenalina e sua consciência, a adrenalina sempre vence."

Resumindo, se você não gosta de romance, leia Novembro, 9. Se você ama essa autora e romance, leia Novembro, 9. Se você está lendo isso aqui, leia Novembro, 9. Só leia. Mas prepare-se para juntar os pedaços do seu coração novamente.

domingo, 11 de setembro de 2016

Resenha: Boa noite - Pam Gonçalves


Editora: Galera Record
Ano: 2016
ISBN: 9788501106698
Páginas: 240
Nota: 5/5

Bem-vinda ao seu novo mundo. E boa noite.

Alina está prestes a deixar toda a sua vidinha de interior para adentrar a faculdade de engenharia da computação. No dia de sua matrícula, vê um aviso dizendo que há uma vaga disponível para a chamada república das loucuras. Pensando que talvez tenha sido o destino, a garota liga para o número disponibilizado e faz uma entrevista meio maluca por telefone com uma tal de Manu. Está tudo confirmado quando ela chega para o seu primeiro dia de aula e vê aquela parede de tijolinhos, o lado exterior do seu lar pelos próximos quatro anos
Lá, ela conhece a Manu, uma garota extremamente divertida, explosiva e aparentemente desapegada. Mas possui algumas coisas reprimidas lá dentro. Além de Talita e Bernardo, os namorados que não param de se pegar um só segundo - mas se tornam ótimos amigos de Alina - e Gustavo, o estudante de medicina que nada parece com os outros garotos. Na sua sala, vira amiga principalmente de Luana, uma das quatro únicas meninas do curso.
No início, tudo é muito divertido e diferente. Alina até conhece um menino com quem começa a sair. Mas, rumores de estupro e drogas em festas começam a correr por aí. A garota e seu time aproveitam um concurso para tentar mudar isso. Para tentar proteger as mulheres. 



Boa noite é um livro com uma ideia nada genial e uma escrita simples, mas que consegue passar o recado direitinho. A escrita da autora é completamente dinâmica e te leva com facilidade até a última página, faz com que o leitor, inclusive, queira mais. O background com o ambiente da faculdade é perfeito, fez com que eu super me identificasse com aquilo que estava lendo, já que estou apenas no segundo semestre. É engraçado como em tão pouco tempo, a gente muda tanto. Acho que a faculdade abre as portas e nós só temos que saber como usar essa abertura.

"Acho que a maioria das pessoas que chega na universidade espera que a vida tome um rumo completamente diferente... Obviamente eu também. Tudo o que eu quero é começar de novo. É nisso que eu penso enquanto encaro a parede de tijolinhos à frente. Só quero deixar tudo pra trás e enfim ser alguém legal."

Mas o livro não é só isso. Não é só faculdade, aprendizado e festas. Ele trata de um tema muito recorrente na sociedade atual: o feminismo. Não, não é um livro feminista. Não, não é algo imposto pra você. Conforme a Pam escreve e o leitor segue o fluxo, algumas coisas são ditas. Não sei se estou conseguindo explicar muito bem, mas é com uma escrita simples e fluída - me lembrou a Jennifer Brown - que a autora consegue passar a mensagem de que homens e mulheres devem ser iguais e não, uma mulher não deve ser educada para não usar saia curta, e sim o homem deve ser educado para respeitá-la. 



Além disso, um ponto que me deixou muito feliz é a bissexualidade da Manu relatada de uma forma extremamente normal. A autora não ficou em nenhum momento citando isso diversas vezes, estudando, ela simplesmente disse, naturalmente. E isso é simplesmente incríveeel!! Há muitos livros por aí que tratam a homossexualidade como algo normal - e outros que a usam como foco - mas nunca tinha encontrado um que relatasse a bissexualidade. E pois é, gente, pessoas gostam de pessoas e isso é normal!

"(...) É o que a cultura do estupro faz com a nossa sociedade, nos cala e nos tolhe os direitos."

Creio que seu principal objetivo era impactar, de alguma forma, as pessoas que leem esse livro. E ela usou sua visibilidade da melhor maneira possível passando esse recado. Então obrigada, Pam Gonçalves por me mostrar que você não precisa de uma ideia genial para escrever um livro bom. E obrigada, por mostrar para as pessoas que as mulheres devem ser respeitadas e tratadas da mesma forma que os homens. 

domingo, 4 de setembro de 2016

Resenha: O Último adeus - Cynthia Hand


Editora: Darkside
Ano: 2016
ISBN: 9788594540027
Páginas: 352
Nota: 5/5

O outro lado do suicídio.

Lex acabou de perder o irmão, Tyler. Mas não é uma perda comum. Existem dois lados do suicídio. O lado de quem se suicida e o lado de quem fica. Lex ficou. A garota agora precisa lidar com o fato de que Tyler parecia estar bem, mas na verdade tinha como única saída o outro lado da vida. O lado temido pela maioria. Seu irmão cometeu suicídio na garagem de sua casa atirando em si. O terapeuta de Lex faz com que ela escreva uma espécie de diário contando, primeiramente, suas duas lembranças mais fatais com Ty. A primeira e a última. 

"As pessoas que amamos nunca se vão realmente."

O Último adeus é uma história sobre superação e aprendizado. Sobre aprender a lidar com a perda e perceber que, as vezes, não há nada a ser feito. As vezes, a morte é mesmo a única solução. Lex não precisa lidar apenas com a morte do irmão, mas com a ausência do pai e o desespero e angústia da mãe, que não consegue, de jeito nenhum, seguir com a sua vida.

"Desculpe, mãe, mas eu estava muito vazio."

Eu poderia dissertar eternamente sobre esse livro, mas simplesmente não consigo. Talvez essa seja a resenha mais curta que escreverei no blog. Já li muitos livros com essa temática, mas esse realmente me surpreendeu.

"Pelo menos, estou determinada a ser direta. Meu irmão se matou. Na nossa garagem. Com um rifle de caça. Isso faz com que pareça o jogo mais cruel do mundo, mas é isso."

Recentemente, perdi a minha avó. Não sou uma pessoa que coloca pra fora o que sente. Chorei poucas vezes. Era algo interno. Continua sendo algo interno. Mas não costumo pensar muito sobre isso. Quando comecei a ler esse livro, parecia que a personagem era eu. Salvo por algumas características, era como se fossemos as mesmas pessoas e estivéssemos vivendo a mesma coisa. Eu senti - e sinto - tudo o que está escrito ali. Toda a impotência de não saber o que fazer no enterro, do que dizer quando ela encontra a mãe chorando. Todas as cartas, todos os sentimentos e aquela coisa chamada pesar. Eu realmente não sei explicar, mas depois que terminei de ler precisei digerir tudo aquilo.
Sabe, não costumo chorar com livros, mas O Último adeus me arrancou duas lágrimas. Duas fucking lágrimas e um muito obrigada, Cynthia Hand.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Resenha: Six of crows - Leigh Bardugo

Editora: Gutenberg
Ano: 2016
ISBN: 9788582353820
Páginas: 376
Nota: 5/5

Arrisque-se e saiba que a morte pode ser silenciada.

Em meio a Ravka, Fjerda e todo esse universo criado por Leigh Bardugo fica o centro comercial de Ketterdam, onde tudo pode ser consegui pelo preço certo. Kaz Brekker sabe muito bem como fazer isso. Ele faz parte de uma gangue chamada Dregs e está acostumado com disputas territoriais, além de suas vinganças. Porém, algo muito maior acontece. Ele deverá unir uma equipe para sequestrar de volta o cientista responsável pela criação da jurda parem - uma droga que deixa os Grishas muito mais fortes e incontroláveis. Uma droga que pode gerar a morte. É nessa jornada que une um ladrão, um presidiário, um atirador de elite, um fugitivo, uma espiã e uma sangradora. Todos em direção a um único objetivo. Mas terminará ele com a morte?!

"Um segredo não é como moeda. Ele não mantém seu valor se você o gasta."

Quando soube que a trilogia Grisha teria um spin-off já fiquei meio pirada. Sabia desde o começo que Leigh Bardugo faria juz a minhas expectativas - e passaria todas elas. Assim que coloquei as mãos em Six of crows, entrei em um estado completamente diferente. Entrei naquele mundo novamente e respirei aliviada por estar tão perto de Ravka.

"A raiva tinha passado, foi como se alguma chama tivesse se apagado com ela. Seus olhos estavam mais frios do que ela jamais tinha visto, vazios de sentimentos ou traços de humanidade. Era isso que Hellgate tinha feito com ele. E a culpa era dela."

Inej é uma personagem que me marcou bastante. A tal Espectro é uma grande espiã, consegue entrar nos lugares sem ser vista, sem ser sentida. E seu passado conta muito na construção da sua personalidade. Acho que esse é o ponto chave. Todos ali possuem um passado. Todos possuem um motivo. Podem ser cobertos por um grande pano preto, mas estão ali. E é isso que fazem com que todos permaneçam juntos nessa jornada - embora estejam, por outra perspectiva, separados.

"Ela teve de rir de si mesma. Ela não desejaria amor para ninguém. Ele é como uma visita a quem você dava as boas-vindas e depois não conseguia se livrar."

Além do clima de suspense quanto ao re-sequestro - o cientista foi raptado por outro povo muito perigoso e está na Corte do gelo, um lugar quase impossível de entrar e pior ainda de sair - existe uma tensão entre todos os personagens. Todo mundo pode trair todo mundo a qualquer momento.

"Eu amava sua risada, Nina. E seu coração feroz de guerreira. Eu poderia ter te amado também."

Temos dois romances principais durante o enredo - apesar de shippar outros que não são propostos pela autora - e fiquei muito feliz com esse desenrolar. Não é aquela coisa melosa ou provocativa. É algo muito diferente. Envolve poder, dinheiro, traição, vingança. E um sentimento que me pareceu ser muito diferente de amor - de um jeito bom. Acho que o fato de não conseguir explicar faz com que mostre o quanto esses romances foram bem trabalhados. Eu odeio quando o livro de fantasia foca em romance. Odeio quando qualquer livro que poderia ser muito, vira pouco por focar em casais mesquinhos. Mas poderia ficar horas lendo as peripécias desses casais que não são casais. Tenho vontade de pedir para que todos os autores tenham aulas de "como criar um romance em uma história de fantasia sem ficar clichê ou enjoativo" com Leigh Bardugo.

"(...) Que, sem querer, ele tinha começado a se apoiar nela, a procurá-la, a precisar dela por perto. Ela precisava agradecê-la por seu novo chapéu."

Poderia falar um pouco de cada personagem, mas ficaria aqui eternamente e prefiro que cada leitor tire suas próprias conclusões. Cada um deles merece um pouco da sua atenção.
Mas uma coisa eu garanto. Leia Six of crows que suas expectativas serão até ultrapassadas. Depois de ler esse livro e terminar a trilogia Grisha tenho certeza: eu sai de Ravka, mas Ravka nunca sairá de mim. Obrigada mais uma vez, Leigh.

"(...) Eu quero que você fique. Eu quero que você... Eu quero você.""Você me quer." Ela parou e refletiu sobre as palavras. Gentilmente, ela apertou a mão dele. "E como você me teria, Kaz?"Ele olhou para ela, olhos ferozes, boca rígida. Era a expressão que fazia quando estava lutando."

PS: Obrigada apesar de eu querer estar te matando por causa desse final louco que me fez ficar mais louca ainda pelo segundo livro.
PS.2: Sim, Six of crows será uma dualogia.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Resenha: O segredo de Ella e Micha - Jessica Sorensen


















Editora: Geração editorial
Ano: 2014
ISBN: 9788581301822
Páginas: 264
Nota: 3/5

O amor vai vencer?

O livro conta a história da protagonista Ella, que após a morte de sua mãe e um acontecimento envolvendo uma ponte, resolve fugir para Las Vegas e cursar a faculdade, deixando para trás a sua "vida antiga", junto com seu pai alcoólatra, seu irmão e Micha, seu melhor amigo - com quem vivia uma espécie de romance mal resolvido. Lá, ela faz uma nova amiga, porém essa amizade é concretizada após uma transformação completa de personalidade. A Ella explosiva, sombria e sarcástica passa a ser uma garota leve e calma. Entretanto, quando a protagonista volta para sua cidade natal e encontra Micha, é obrigada a reviver todo o passado e acaba aprendendo a encontrar um equilíbrio entre as duas personalidades. Ao longo do livro, a garota vai aprendendo a lidar com seus sentimentos. Além disso, o tal romance se desenvolve.

"Detesto espelhos. Não porque eu odeie o meu reflexo nem porque eu sofro de eisoptrofobia. Espelhos enxergam além da imagem. Sabem quem eu fui; uma garota que falava alto, negligente, que mostrava a todo mundo o que sentia. Não havia segredos. Mas, agora, eles me definem."

Não sei dizer muito bem se a história me agradou. É algo bem rápido de se ler, mas senti que foi o equivalente a nada. Apenas um romance de entretenimento completamente vazio. A história trata de temas pesados, como por exemplo, o suicídio, de uma forma extremamente sutil, leve e pior, superficial. A pior parte da história é narrada em praticamente um parágrafo e não há nenhuma mísera reflexão sobre isso. Ok, até existem reflexões e quotes que te fazem pensar. Mas sabe quando poderia ser mais?!

" – Toda vez que estou feliz, você sempre pergunta se estou bêbada ou algo parecido. As pessoas podem ser felizes sem a ajuda de certas substâncias. 
(…)
– A maioria das pessoas pode, mas nem todas."

O romance é extremamente clichê - mas isso eu já esperava - e surreal. Não consegui me identificar em nenhum momento e nem torcer para o casal principal. O casal secundário é muito mais interessante.
Apenas recomendo esse livro para aqueles que buscam algo para passar o tempo, pois não é nada profundo. Pelo contrário, é extremamente raso. Porém, divertido.

terça-feira, 5 de julho de 2016

A Rebelde Do Deserto - Alwyn Hamilton

Editora: Seguinte
Ano: 2016
ISBN: 9788565765992
Páginas: 312
Nota: 3/5

Que tipo de pessoa você é quando deixa alguém para trás?

Amani é uma das habitantes do deserto de Miraji. Seus pais morreram e agora a garota mora com a tia, porém sofre muito nas māos da única família que sobrou. Segundo as normas da sociedade, deverá casar-se com alguém bem mais velho em breve. Porém, Amani nāo aceita tais regras obsoletas e seu maior desejo é fugir para Izman, onde sonha em encontrar uma tia, amiga de sua māe. 
Enquanto isso, uma guerra acontece. Um príncipe rebelde que anuncia um novo deserto, uma nova aurora, novas regras e uma nova conduta. O exército gallan e do general estāo contra ele e os djinnis - humanos que possuem alguns poderes.


"Era muito difícil confiar num garoto com um sorriso daqueles. Um sorriso que me dava vontade de acompanhá-lo até os lugares sobre os quais havia me contado, mas ao mesmo tempo me deixava certa de que eu não devia fazer isso."

Em um concurso de tiroteio que Amani frequenta para ganhar dinheiro - vestida de menino, claro, denominando-se Bandido dos olhos azuis - ela conhece Jin. A partir daí, a trama se desenvolve. Ela acaba tendo que escolher muito bem em quem confiar e também quem abandonar. Além disso, uma reviravolta acontece e muda os rumos da história.

"Diziam que só pessoas mal-intencionadas andavam pela cidade de Tiroteio depois do anoitecer. Eu não tinha más intenções. Nem boas."

A trama é ágil, porém extremamente confusa. Não é um confuso saudável que, ao longo do livro, o leitor entende o universo criado e liga a história. É um confuso que permanece durante toda a narrativa e distancia o leitor do livro. O que é uma pena, pois o universo criado pela autora parece ser muito inteligente e foi apresentado de forma muito drástica, de maneira que não consegui entender praticamente nada.

"- Você é este país, Amani - ele disse, mais baixo agora. - Mais viva do que qualquer coisa deveria ser neste lugar. Toda feita de fogo e pólvora, com um dedo sempre no gatilho."

Além disso, muitos personagens foram inseridos na história e nenhum deles, além dos protagonistas, foram bem aprofundados. Isso deixou a narrativa rasa e meio sem sentido - uma vez que determinado nome aparecia uma vez e, quando aparecia de novo, já não sabia a quem ele pertencia.
Mas, tirando esse problema, tudo é bem dinâmico no livro e não te faz querer parar a leitura. Gostei da maneira como Amani foi desenvolvida, apesar de ter me irritado com ela certas vezes. Ela é uma protagonista forte e independente, sou apaixonada por personagens assim. Gosto de como ela deixa algumas pessoas pra trás, e depois passa a não deixar mais. A autora soube muito bem como inserir o sentimento dentro dela e como tudo a mudou. Esse crescimento com certeza é a melhor parte do livro.

"Eu tinha passado a vida sonhando que minha história começaria quando finalmente chegasse a Izman. Uma história escrita em lugares distantes com os quais eu nem sonhava ainda. No meu caminho até lá, eu me livraria do deserto até não sobrar nenhum grão de areia para marcar as páginas."

Não sei se recomendaria A Rebelde do Deserto, provavelmente não. Tenho uma certa dificuldade em lidar com enredos confusos, cheios de nome e pouca explicação. Também não tenho muita paciência de ficar anotando ou voltando nas páginas para ver quem é quem e coisa e tal. Mas, se você não se importar com essa confusão e complexidade e quiser tentar entender o mundo criado pela autora, te aconselho sim a ler A Rebelde do Deserto, por ser algo completamente diferente do comum no mundo literário.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Na Estrada Jellicoe - Melina Marchetta


Editora: Seguinte
Ano: 2016
ISBN: 8555340012
Páginas: 296
Nota: 4/5
A sua vida inteira pode ser revelada quando você menos espera.

Tudo o que você precisa saber é que existe uma guerra territorial. Na verdade, isso é tudo o que você deve saber. Bom, pelo menos no início. Existem três grandes grupos: os cadetes, alunos de uma escola militar, os citadinos e os alunos da escola Jellicoe - que são divididos em algumas Casas, cada uma com seu líder. Taylor acaba se tornando líder de uma delas e do grupo de alunos da escola Jellicoe. Tudo o que ela sabe é que sua mãe a abandonou em uma loja de conveniência e seu pai morreu. Desde então, vive nesse internato e considera Hannah a pessoa mais próxima que tem.
O fato é que as guerras territoriais são, na verdade, um background para uma história maior ainda. Enquanto Taylor lidera o grupo, Hannah some repentinamente e a garota fica um tanto quanto sem chão e desconfiando de todos. Tudo o que resta é o manuscrito escrito por Hannah, o qual Taylor lê sem parar.

"Raffaela me deixa sentimental, e não existe sentimentalismo na minha vida."

Esse é um livro sobre o qual não se pode citar muitas coisas sem dar spoiler, mas muita gente o considera bem parecido com Mentirosos. Sim, são dois livros parecidos quando se trata de reviravoltas. Porém, não acho que chegue perto de ser tão bom quanto o primeiro. Algumas surpresas eu consegui prever e outras já eram de se esperar. Em nenhum momento consegui ficar realmente em choque.

"No fundo, acho que isso sempre me deu uma certa segurança, porque ninguém abandona casas inacabadas."

Entretanto, amei o formato da narrativa. Não é algo linear e nas primeiras cem páginas é bem confuso. Deixa o leitor no escuro e sem entender muita coisa, porém tudo vai fazendo sentido aos poucos. Uma dica aqui, outra ligação ali. Talvez seja por isso que não fiquei em choque e também previ algumas coisas. A reviravolta não acontece de repente, ela é apresentada aos poucos para o leitor.

"Será que uma pessoa vale mais porque existe alguém sofrendo por ela?"

O que mais me incomodou, na verdade, não foi a falta de choque e surpresa e sim o fato de não ter conseguido me ligar com a protagonista. É muito gostoso ler e se envolver com os personagens, mas não consegui sentir nenhuma ligação muito forte com Taylor e nenhum outro. Isso sempre é uma coisa ruim, porque odeio ler o livro e não conseguir mergulhar de cabeça nele ou me apegar a alguém.

"Por que eu gostaria que uma pessoa fosse tudo para mim se um dia ela pode não estar mais por perto? O que vai ser de mim então?"

Em resumo, Na Estrada Jellicoe não conseguiu cumprir minhas expectativas altas, mas também não é um livro ruim. Amei diversos quotes e me identifiquei com alguns trechos. É um livro que te faz refletir muito mais do que querer desvendar mistérios. Bom, pelo menos pra mim foi assim. Então, sim, recomendo esse livro a todos os leitores! Porém aviso, não vá com tanta sede ao pote.

"(...) Talvez seja por isso que passei a maior parte da vida afastando-a de mim. Porque ser tão dependente das pessoas me assusta."

"Porque pessoas com tanta energia me dão muito medo. Elas me fazem querer ser uma pessoa melhor, e isso não é possível,"

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Resenha: Espada de vidro - Victoria Aveyard

Editora: Seguinte
Ano: 2016
ISBN: 9788565765947
Páginas: 496
Nota: 4/5

Cuidado. Todos podem te trair. Inclusive você.

Quando Julian disse a Mare Barrow para não confiar em ninguém. Ele quis dizer, literalmente, não confie em ninguém. Até mesmo você pode trair a si. O seu coração pode trair a sua mente. E a sua mente pode trair os seus princípios. Se pudesse descrever Espada de vidro em poucas palavras, seriam essas que acabei de descrever.

"Com aquele único gesto, ele mudou meu futuro e destruiu o próprio."

Mare se junta a Cal, Farley, Shade, Kilorn e a Guarda Escarlate para ir em busca de seu objetivo: encontrar os sanguenovos. Adolescentes, crianças, adultos e idosos que possuem o sangue de um vermelho e o poder de um prateado. Além desse objetivo, o desejo de vingança lateja no peito da garota elétrica e do príncipe perdido, matar Maven.

“Apesar da distância, posso sentir o calor do seu olhar penetrante e sua raiva fervente, me queimando de dentro para fora.”

Desse modo, todos acabam se unindo novamente, apesar da tensão presente. Todos podem trair todos, até mesmo aquele em quem você mais confia. Na sequência da série A Rainha Vermelha, muitas reviravoltas acontecerão e seu coração vai ficar do tamanho de uma ervilha.

“Se sou uma espada, sou uma espada de vidro, e já me sinto prestes a estilhaçar."

A narrativa poderia ser um pouco mais enxuta, em alguns momentos fiquei meio entediada, porém isso passou após um tempo. Acho que toda a ação está concentrada em um determinado ponto da história e, apesar da parte lenta ser necessária, ela poderia ter sido melhor distribuída.


Como de costume, fui surpreendida e quis, muitas vezes, jogar o livro pela janela. Digo que o principal diferencial desse livro é o estudo da protagonista. Consegui enxergá-la com muito mais propriedade e ela não é o tipo de personagem que amam ou odeiam. 
Mare Barrow é acima de tudo humana. Isso fica bem perceptível durante todo o livro, ela também é egoísta, também possui defeitos. Não é a heroína que sempre acerta, pelo contrário. Isso faz com que a leitura seja muito mais dinâmica, pois o leitor passa a ter a incerteza do que pode acontecer nas próximas páginas. Ela pode vencer uma guerra, perder, ou tornar-se o motivo para uma.
Talvez a guerra seja dentro de seu próprio interior.

"— Sei como é matar uma pessoa — ele sussurra, com os olhos distantes, dois pontos de luz nas trevas do dormitório. A voz dele está diferente, assim como ele próprio. É reflexão de um soldado, de alguém que sobreviveu tempo demais nas entranhas da guerra. — Sei o que isso causa na gente."

Recomendo Espada de vidro para todos que já leram o primeiro livro, claro. Não irão se decepcionar nem um pouco. E aos que não leram, façam o imenso favor para vocês de começar a ler essa série.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

[RESENHA + SORTEIO] Nocaute - Anderson Fernandes e Débora Kaoru


Editora: Buriti
Ano: 2015
ISBN: 9788566725940
Páginas: 184
Nota: 4.5/5
Nocaute é uma história que promete nocautear o leitor. Tratando de assuntos polêmicos como uso de drogas, redução da maioridade penal, o livro nos apresenta a trajetória de vida de Antônio, mais conhecido como Pitbull. O garoto nasceu sem nenhuma perspectiva, completamente sem rumo, perdeu os pais logo cedo e foi jogado no mundo com um tio. Logo, se envolveu com tráfico de drogas e acabou sendo salvo por seus pais adotivos, Marcos e Claudia, donos de uma organização de recuperação de usuários. E então, Pitbull começa uma nova vida em busca de seu sonho, se tornar lutador de UFC. Em seu caminho, ele tenta superar seu passado para construir um novo futuro - melhor e mais positivo. Porém, os obstáculos sempre estarão lá para o fazer duvidar se realmente vale a pena acordar e viver.

"Todo ser humano tem algo de extraordinário, que faz dele único na vida. E tento aprender com o lado bom das pessoas. Você deveria fazer o mesmo."

Mais um livro nacional que me encantou e conseguiu mexer comigo. Achei o início bem pesado e violento, mas depois tudo passa a fazer sentido. A leitura é bem rápida e dinâmica, te faz entrar de fato na história e ter a necessidade de saber o que vai acontecer em seguida. O que mais chama atenção é a critica social presente o tempo inteiro no plano de fundo da narrativa.

"Sucesso para mim é isso, mudar o que existe, romper com a mesmice."

Há romance. Há amor. Há violência. Há abuso de drogas. Há ideias de suicídio. Há questionamento religioso. É um livro que junta todas as polêmicas em um só pacote e consegue tirar disso tudo uma trajetória sofrida, porém incrível. Um belo tapa na cara da sociedade, exatamente o tipo de livro que gosto. Claro, há alguns posicionamentos com os quais eu não concordo, mas isso é bom até para refletir e discutir - nem que seja comigo.

"Uma criança largada a própria sorte. Perdida. Depois desse surto, Pitbull ficou fora do ar.  Ele, que nunca perdeu uma luta, foi nocauteado pela vida. E a lona não parecia tão ruim naquela altura."

Não recomendo para qualquer um. Se você procura uma história leve e reflexiva para se encantar, fuja de Nocaute. Mas se precisa ser nocauteado, quer um livro pesado cheio de críticas e reflexões ácidas?! Essa obra é perfeita pra você!

Gostou?! Você pode concorrer a um exemplar do livro Nocaute, basta completar o formulário aqui em baixo!

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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Resenha: Festa no covil - Juan Pablo Villalobos

Editora: Companhia das letras
Ano: 2012
ISBN: 9788535920260
Páginas: 96
Nota: 4/5

O que moralmente correto significa?

Na pele de um garoto de 10 anos, somos apresentados a uma narrativa que gira em torno de um hipopótamo anão da Libéria, animal desejado pelo menino. O pai da tudo para ele e acaba indo em busca desse animal. A história começa com o desejo e termina quando essa busca cessa. Porém, por mais que o garoto seja bastante esperto para sua idade, também é muito inocente.

"Uma das coisas que aprendi com o Yolcaut é que às vezes as pessoas não viram cadáveres com uma bala. Às vezes precisam de três balas ou até de catorze. Tudo depende de onde você atira."

A história toda, na verdade, tem como plano de fundo o narcotráfico no México, que nunca é citado - pois o menino não entende isso. É uma narrativa curta que pode ser lida em menos de uma hora, mas entendê-la e pensar sobre ela vai levar muito mais tempo.

"Eu conheço muitos mudos, três. Às vezes, quando falo com eles, eles tentam falar e abrem a boca. Mas continuam calados. Os mudos são misteriosos e enigmáticos. O que acontece é que com o silêncio a pessoa não pode dar explicações. O Mazatzin acha o contrário: diz que com o silêncio a gente aprende muita coisa. Mas essas são ideias do império do Japão, de que ele tanto gosta. Eu acho que a coisa mais enigmática e misteriosa do mundo deve ser um mudo japonês."

Um recorte na vida de um garoto que nos faz refletir sobre a moral, que pode ser - e foi - alterada dependendo do ambiente em que se vive. Não há maneiras de que o garoto venha a ter outro destino senão o mesmo que seu pai, ainda mais por viver isolado e só conhecer por volta de 15 pessoas.

"Hoje o Miztli e o Chichilkuali fizeram coisas misteriosas, como encher uma caminhonete com umas caixas que eles tiraram de um dos quartos vazios que não utilizamos. Quando eles foram embora coloquei um chapéu de detetive e descobri um dos enigmas do Yolcaut."

É algo bem curto, mas muito inteligente, que merece ser lido e relido. Fiz essa leitura para o clube do livro e, no princípio, tinha ficado confusa. Mas conforme discutíamos, as ideias clareavam na minha mente. Acho que essa discussão é necessária quando chegar a última página.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Resenha: My heart and other black holes - Jasmine Warga

Editora: Balzer & Bray/Harperteen
Ano: 2015
ISBN: 9780062324672
Páginas: 320
Nota: 5/5

Quero ir embora. Preciso ir embora. Devo ir embora?

Aysel é uma garota um tanto quanto depressiva. Seu pai está preso, isso é tudo o que ela sabe. Ele matou alguém. Isso é tudo o que importa. E ela é filha de um assassino. Todos a olham de um modo diferente. Ela se sente culpada. Ela tem medo de possuir dentro dela a mesma maldade que ele. A garota vive com seus irmãos, sua mãe e o padastro. Mas nunca os considerou como família. Em seu emprego, mata o tempo entrando em um site chamado Smooth Passage, mais precisamente no tópico e Suicide Partners. Lá, acaba encontrando o parceiro perfeito, Roman, mais conhecido como FrozenRobot. O garoto parece ser uma pessoa totalmente diferente do que Aysel imaginava, mas seu interior está tão desgastado quanto o dela. Ele se culpa pela morte da irmã Maddison e pretende se suicidar, assim como a protagonista. Ambos fazem um pacto. O garoto impõe duas condições. O ato deverá ser peito pulando de um penhasco e no dia 7 de abril, dia do aniversário da morte de Maddie. Porém, até lá, o universo tem várias voltas para dar.

"I want to say that I know for sure that I'm different from my dad. That my heart beats in different rhythm, my blood pulses at a different speed. But I'm not sure. Maybe the sadness comes just before the insanity. Maybe he and I share the same potential energy."

É impressionante a maneira como esse livro conseguiu mexer comigo. Estava numa vibe ruim quanto a leitura, mas esse certamente fez com que isso acabasse. My heart and other black holes me fez pausar a leitura para pensar, refletir muito. Também me fez aprender e, além disso, conseguiu retratar justamente a minha história com a de um anjo que apareceu em minha vida. Acompanhamos o crescimento de Aysel. Percebemos a evolução de sua mente de acordo com o modo que o mundo é visto. Aprendemos que as aparências físicas muitas vezes podem enganar. Aprendemos que as vezes o melhor a se fazer é falar. Ou simplesmente gritar para o universo mesmo. E claro, que a teoria da relatividade é realmente relativa.

"I spend a lot of time wondering what dying feels like. What dying sounds like. If I'll burst like those notes, let out my last cries of pain, and then go silent forever. Or maybe I'll turn into a shadowy static that's barely there, if you just listen hard enough."

Não há muito o que dizer sobre esse livro quanto a resenha escrita sem spoilers, é um livro que todos deveriam ler e se deixar levar pelos sentimentos que esse livro pode aflorar. A leitura é bastante dinâmica. Apesar de ser um livro em inglês, não demorei para ler, pelo contrário. É um nível iniciante/intermediário do idioma. Acredito que seja lançado no Brasil futuramente, visto que os direitos editoriais foram comprados pela Rocco. Mas se você fala inglês, leia o mais rápido possível.
Quanto a história em si, é bastante previsível. Logo pela sinopse, já é possível prever o que vai acontecer. Mas esse é mais um daqueles livros em que a narrativa em si é apenas um plano de fundo para algo muito maior. Claro que isso me incomodou, mas os sentimentos transmitidos conseguiram compensar de alguma forma. Além disso, fez com que gerasse vários pensamentos diferentes. É por isso que decidi fazer esse vídeo especial com uma discussão para vocês.

"I don't know how to describe it, but the more I stare at him, the more I see his grief wrapped around him like shackles he can never take off."

Quanto aos motivos dos dois, achei que poderia ter sido melhor explicado. Senti um pouco de confusão em alguns momentos e uma certa distância dos personagens. Acho que isso poderia ter sido muito melhor trabalhado pois em certos capítulos eu começava a desacreditar dos protagonistas. 
Na soma geral, porém, My heart and other black holes mostrou ser um livro realmente incrível. Daqueles que te fazem devorar cada página. Deve entrar para a lista de livros obrigatórios da vida.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Arquivos serial killers: Louco ou cruel? - Ilana Casoy

Editora: Darkside books
Ano: 2014
ISBN:  9788566636307
Páginas: 353
Nota: 5/5

Louco ou Cruel? Normal? Insano?

Você tem medo de espíritos? É, com razão. Mas já parou pra pensar que pode ter alguém bem humano te esperando em algum lugar? Não, a intenção não é deixar você, leitor infinito, com medo ou desesperado achando que alguém está aí. Apenas quero começar essa resenha com a frase tão conhecida: "Humanos me assombram." É isso, as vezes, seres-humanos podem ser bem assustadores e, por incrível que pareça, mentalmente sãos. Eles também atendem por serial killers.

"A garotinha gritou, chutou e arranhou se agressor sem sucesso, enquanto ele arrancava suas roupas e a asfixiava. Não teve a menor chance; o velhinho não era tão fraco quanto aparentava."

Esse livro conseguiu retratar muito bem a realidade dos assassinos em série. Sempre fui fascinada por entender como a mente humana funciona e uma das minhas maiores surpresas foi descobrir que o cérebro e a mente da maioria deles é igual a de um ser-humano normal.


Então o que os faz diferente? Os atos extremamente violentos, sádicos e canibalísticos? Os abusos sofridos na infância? Ilana nos traz diversas informações sobre eles e sua personalidade logo no início do livro, explicando como eles pensam e a forma de agir e ainda divide em dois grupos: organizados e desorganizados. Depois vem os casos, são 16 deles. Um deles nunca foi resolvido. 

"As coisas começaram por volta dos meus 14, 15 anos. Começaram com pensamentos obsessivos sobre violência, sexo e morte. E a partir daí ficaram cada vez piores." - Jeffrey Lionel Dahmer

Minha parte preferida foi esse início, onde tudo é explicado. É claro que também gostei de ler os casos e ver como toda aquela outra parte se encaixava. Mas confesso que fiquei um tanto quanto aflita de saber cada detalhe, não é um livro para quem procura uma leitura psicológica mais leve, pelo contrário. Há coisas um tanto quanto pesadas ali - e frases que vão te deixar bem acordado. Não é um livro que da medo, mas te faz pensar duas vezes antes de confiar em alguém. Deu pra entender?!

"O perfil do criminoso, feito por um psicólogo, psiquiatra ou médico-legista, pode ajudar bastante a polícia a encontrar e identificar o assassino."

A resenha vai ficar um pouquinho curta mesmo, pois não há muito o que dizer. Vou deixar que você leia e conheça sozinho cada serial killer e a investigação de cada caso. Mas já adianto, vamos desde estupradores até homens que gostam de fazer roupas e móveis com a pele de suas vítimas - serviu de inspiração para Hithcock. Portanto, prepare o estômago. 

"Eu fiz a minha fantasia de vida mais poderosa do que a minha vida real." - Jeffrey Dahmer

Em suma, é um ótimo livro para quem gosta dessa área da psicologia humana, mas também para quem gosta de coisas densas, pesadas. Se você procura uma leitura leve ou acha que isso mexeria com sua cabeça, melhor não ler agora. É um livro bastante interessante.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Resenha: Trono de Vidro - Sarah J. Mass

paticipação especial: crystal <3

Editora: Galera Record
Ano: 2013
ISBN: 9788501401380
Páginas: 392
Nota: 3.5/5

Quais são os poderes e segredos por trás das espadas de uma assassina?

Celaena Sardothien é mais conhecida como a Assasina de Ardalan. Após ser capturada e jogada nas minas para trabalhar como escrava, ela é liberada a mandados do príncipe herdeiro. Haverá uma competição que poderá ter como consequência a tão sonhada liberdade. O rei precisa de um lacaio, um assassino que faça seus serviços. Serão quatro anos de servidão e então, a liberdade. Mas não será tão fácil assim. Haverá uma competição entre vários criminosos, Celaena está entre entres. E está determinada a vencer.

"Sim, ela iria - para o Forte da Fenda ou qualquer lugar, até atravessaria os portais de Wyrd a caminho do próprio inferno, se isso significasse liberdade."

Treinada por Chaol, capitão da guarda, e apoiada por Dorian, o príncipe, ela encontrará muitos obstáculos no caminho e deverá desviar de cada um deles caso queira, de fato, alcançar seu objetivo. Mas dizer quem ela realmente é seria muito arriscado, então, a mandado do rei, ela passa a ser outra pessoa e acolhe seu alter-ego. Agora, a assassina passa a ser uma ladra de joias e atende pelo nome de Lillian. Porém, outras coisas acontecerão. Ela passa a ter uma amiga, Nehemia, mas a desconfiança pode surgir. Será confirmada? Quem está realmente ao lado dela? Ela vai vencer? Existe magia? Algumas respostas são previsíveis, outras, nem tanto.

"Bibliotecas estavam cheias de ideias. Talvez as mais perigosas e poderosas armas."

Esse é um livro que me deixou com um sentimento um tanto quanto bipolar, digamos assim. Devido a ressaca literária maldita, demorei bastante tempo pra ler. Muito mesmo. Então a leitura foi um tanto quanto arrastada, e isso prejudicou um tanto. O fator do romance também foi um tanto quanto broxante. Na sinopse da a entender que a protagonista não ligará para romances, ela está ali por ela, pela sua individualidade. Ela não é uma cinderela. Errado. Há um triangulo amoroso. Mais um? Sim, mais um. Por mais que eu tenha torcido para um dos casais - para o que não da certo, como sempre - achei que teria sido melhor caso esse triângulo não tivesse sido tão focado. Poderia estar ali, mas sem tanto enfoque.

"Celaena se movia rapidamente, como uma dançarina em um ritual, como uma serpente do deserto Vermelho, como a água que desce a encosta de uma montanha."

O ponto forte do livro, porém, conseguiu fazer com que a balança se equilibrasse. Eu amo a protagonista, ela é totalmente ácida, cheia de humor e completamente sarcástica. Forte, mas ao mesmo tempo esconde segredos e lembranças doídas no fundo da alma. Ela é pesada e leve ao mesmo tempo. E sofre. E esconde. E sorri. E xinga. E é humana. E mais, ela é uma assassina!
As reviravoltas também são maravilhosas - embora algumas previsíveis - e tudo faz sentido. A autora conseguiu criar uma história e fechar um dos ciclos. O primeiro livro cumpriu exatamente o que deveria para o início de uma trilogia.

"- Cada um faz o que pode para sobreviver."

Em resumo, Trono de Vidro é um livro equilibrado. Os pontos positivos compensam os negativos e vice e versa. Esperava mais, mas ao mesmo tempo não deixou tanto a desejar. O final te deixa curioso para começar o próximo livro - que dizem ser o melhor. Recomendo sim a leitura, mas não vão com tanta sede ao pote. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Resenha: Todos os nossos ontens - Cristin Terrill

Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
ISBN: 9788581637983
Páginas: 352
Nota: 5/5

Abra a porta. Bem vindo ao passado. Você vai deixar acontecer?!
Destrua o passado para salvar o seu futuro.

O que você faria se tivesse que escolher entre destruir o seu próprio passado e machucar a si mesmo ou ficar machucado do mesmo jeito? E se, por ventura, uma máquina do tempo passasse de fato a ser uma realidade. Isso seria bom, não é? As bombas poderiam ser desativadas, mortes poderiam ser evitadas. Exceto pelo fato que o lado bom sempre pode ser distorcido, porque sempre tem um lado sombrio querendo escapar pelos cantos. Finn e Em devem voltar para o passado e assim, destruir o futuro. Devem matar não somente a versão mais nova do doutor, James - quando ele ainda estava são - mas machucar suas próprias versões mais novas. Porém, viver em uma cela e ser torturado também é estar machucado, não é?!

"Porém, é a última linha que me faz correr desajeitada para o vaso sanitário no canto da cela. Você tem de matá-lo."

James Shaw, melhor amigo e amado por Marina, consegue descobrir a fórmula e cria uma máquina do tempo. Cassandra. Sim, ela existe. Mas, com ela, James deixa de ser quem sempre foi. Agora, Em e Finn tem uma missão: voltar para antes da invenção e matar Shaw.
Todos os nossos ontens tornou-se um dos meus livros preferidos do ano. A maneira como a narrativa é conduzida faz com que o leitor devore a história em algumas horas. É impossível não ficar preso a aquele cenário distópico, impossível não querer saber mais e mais e mais.


Todo capítulo termina com uma frase de impacto, isso pode parecer um clichê ruim, mas é maravilhoso. Não cansa em momento algum. A autora soube como começar e terminar, fez isso com muita maestria. Além disso, a história é complexa. Muito complexa. É preciso atentar-se aos detalhes, nomes e momentos. No início, nada vai fazer sentido, mas depois as peças começam a se encaixar. E, quando elas se encaixam você com certeza vai sentir a mesma vontade que eu senti: gritar "esse livro é muuuuuito boom! Socorro!" a quatro cantos.

"Mas James não conseguia me ouvir. Estava além das palavras. Urrou como um animal ferido enquanto destruía a biblioteca. Eu sabia que devia pará-lo, consolá-lo de alguma forma, mas não conseguia. Meu melhor amigo no mundo de repente era algo estranho e ausente."


Até mesmo o desenvolvimento dos personagens é impecável. A mudança do passado para o futuro é construída não nos mínimos detalhes, mas usando o essencial. O leitor consegue entender realmente porque as personalidades mudaram.

"Sinto falta dessa menina, e desse menino. Sinto falta deles há anos, mesmo que não tenha sido capaz de admitir. E, agora, tenho de acabar com a vida de um e devastar a da outra."

Não posso contar muita coisa, pois grande parte do livro é feita de spoilers. A única coisa que digo é: preparem-se para uma narrativa incrível de tirar o fôlego. Você vai terminar de ler, abraçar o livro e implorar por mais. E vai chorar também, eu acho.

"A verdade é que às vezes o mundo simplesmente é uma merda."

Uma distopia incrível que vai te fazer refletir sobre até que ponto é possível controlar uma nação. E também, a que ponto um ser humano pode chegar devido a uma ambição. Algumas coisas podem cegar, outras te fazer enxergar. Uma viagem no tempo que chacoalha a cabeça de cada leitor.
É impossível terminar de ler Todos os nossos ontens sem ter alguma reação, sem ao menos refletir, pensar sobre algo e tirar algum ensinamento. A crítica está lá, por trás, velada. Esse livro é simplesmente genial!

"Penso em quantas lágrimas Marina vai derramar e todas as maneiras diferentes como ela vai despedaçá-la. Todas as pessoas que vão morrer."

Parabéns,  Cristin Terrill, por esse livro incrível. O seu trabalho foi maravilhoso. Política, ficção científica e aquela pitada de vida adolescente. Tudo isso envolvido por uma grande reflexão e crítica.
Obrigada, Novo Conceito, por terem me enviado a obra. O melhor lançamento desse ano, sem dúvidas. Só assim pude ter a chance de conhecer esse novo universo.
PS: Leia, leitor infinito, por favor! (eu nunca te pedi nada) haha