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segunda-feira, 12 de março de 2018

[RESENHA] A (R)evolução das mulheres - Mindy


Editora: Fábrica 231
Ano: 2017
ISBN: 9788592783297
Páginas: 344
Nota: 4/5

Violência gera violência?

O livro possui como principal plot a história de Alex Craft. Tudo acontece dois anos depois da morte de sua irmã, Anna, que foi estuprada e posteriormente assassinada. O livro se inicia com Alex dizendo que sabe exatamente como matar uma pessoa. Até aí já deu pra ver que é bem pesado, né? Além da história da protagonista, outros dois personagens são construídos: Efepê e Jack. Durante o decorrer do livro são tratados assuntos como cultura do estupro, feminismo, machismo, uso de bebida e drogas, entre outros.

"Vivo em um mundo em que não ser molestado na infância é considerado ter sorte."

A construção dos personagens é um tanto quanto fraca, principalmente da protagonista, uma vez que há várias pontas soltas na história. A única que possuiu uma construção forte foi a própria Efepê. A narrativa é rápida, porém leva um bom tempo para digerir o que se lê. 

"Hoje a noite, usaram as palavras que conhecem, as palavras que não incomodam mais as pessoas. Falaram "vadia". Disseram para outra menina que colocariam o pau na boca dela. Ninguém protestou, porque esse é o linguajar que a gente usa. Mas aí eu usei as minhas palavras, organizadas em frases que calam fundo, e as pessoas prestam atenção; as pessoas ficaram de boca aberta. As pessoas não sabiam o que pensar. Meu linguajar é chocante."

O principal ponto positivo é a facilidade que a escritora teve de narrar uma história pesada colocando conflitos e coisas adolescentes no meio e usando uma linguagem coloquial usada pela maior parte dos jovens. Além disso, não é um livro militante que joga o feminismo na cara, e sim algo que te faz pensar (e muito). Mostrando não apenas o machismo e indo contra a cultura do estupro, mas revelando que as mulheres, muitas vezes, são inimigas entre si e acabam indo umas contra as outras e isso também não deveria acontecer. Tal fato é mostrado em uma das últimas cenas do livro, o que me fez ficar de boca aberta e em choque.

“Ter raiva cansa, mas sentir culpa não deixa a gente dormir.”

Todavia, junto com os buracos deixados na história, achei o livro um tanto quanto exagerado, as coisas que a Alex faz, a maneira como "coisas ruins e machistas" são jogadas no meio da história só para mostrar que estão acontecendo me deixaram um pouco com o pé atrás. Acho que não precisava desse exagero todo. Em contrapartida, ele pode até ser importante para que jovens que não entendam do assunto e leiam o livro passem a entender, então, por um lado, faz sentido.

"Mas "meninos são assim mesmo", é nossa expressão preferida e que serve de desculpa para tanta coisa, ao passo que para falar do gênero oposto, só dizemos "mulheres...", com um tom de desdém e acompanhado de um revirar de olhos."

O final me deixou impactada e cheia de lágrimas nos olhos, fazia tempo que um livro não me deixava assim. A (R)evolução das mulheres é um livro que todos deveriam ler para enxergar um pouco mais como funciona essa sociedade machista e opressora. Devemos nos unir contra isso. 


Sobre a Alex e a justiça
O fato de Alex simplesmente matar aqueles que fizeram algum mal lembrou muito o meu livro, A Garota do casaco vermelho, e achei muito válido falar sobre isso. 
Para Alex, ela estava fazendo justiça e protegendo sua irmã quando matou o seu assassino. Ou quando queimou um cara vivo. E a questão é: isso é certo? Não há resposta que consiga responder essa pergunta de maneira correta. Porque tudo é muito subjetivo.
Alex estaria cometendo um crime, porém é isso que acontece quando estupradores saem impunes porque simplesmente ninguém faz nada. Então, ela resolve fazer a justiça com as próprias mãos. Essas são as consequências.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Resenha: Too late - C. Hoover

Editora: Hoover Ink
Ano: 2016
ISBN:  9780804177894
Páginas: 395
Nota: 5/5

Você não precisa bater de frente para ser uma pessoa forte.

No momento, meu coração abriga um misto de sentimentos. Estou feliz por finalmente estar escrevendo uma nova resenha, mas completamente abalada com o término dessa leitura. Colleen Hoover prometeu usar esse pseudônimo por um motivo, e cumpriu. Too late é completamente diferente daquilo que estamos acostumados. Sim, há um romance, sim, a essência da autora está ali. Mas é uma relação muito mais profunda. Posso dizer que o tema é similar ao tratado em Amor amargo, da Jennifer Brown, mas muito mais pesado.

"You hold a fucking door open for a girl, she automatically thinks you're a gentleman. She thinks you're the type of the guy who would treat his mother like a queen.Girls see guys with manners and think there's no way they could be dangerous."

Durante toda a leitura permaneci extremamente angustiada e querendo vomitar nos capítulos narrados por Asa Jackson. A história envolve um relacionamento abusivo entre ele e Sloan, uma garota cheia de problemas que perdeu um dos irmãos e tem que cuidar de Stephen, que está em tratamento psicológico. Asa trabalha com um esquema pesado de drogas e usa o dinheiro sujo para pagar as despesas do garotinho. Esse é o único motivo pelo qual Sloan permanece presa com ele, mas ao longo da história percebemos que não é só isso. Ela o ama, infelizmente ela o ama.

"Love finds you in the tragedies. That's certainly where Carter found me, In the midst of a series of tragedies."

No meio de todo esse rolo, aparece Carter, ele conhece Sloan em uma aula de espanhol na faculdade e os dois flertam. A Garota consegue flertar e se sentir leve depois de muito tempo. Pode ser clichê o que acontece depois, o garoto começa a trabalhar para Jackson. Mas todos nós sabemos que a autora sempre transforma clichês em histórias maravilhosas, não é?! Essa não é tão maravilhosa assim, mas é genial, é pesada, é angustiante, conseguiu me deixar completamente sem palavras e sem forma alguma de descrever meus sentimentos.

"We are going to fight Asa with the only weapon stronger than he is. We're going to fight him with love."

A maneira com que os personagens são trabalhados é impressionante. Cada capítulo é narrado por um deles e eu conseguia saber com facilidade quem estava falando, tamanha a personalidade dos três. Ela explorou o passado de cada um deles e ainda criou um final atrás do outro e um epílogo depois do epílogo, jogando na nossa cara que a angústia ainda ia demorar um pouco para terminar. Eu odiei Asa Jackson e depois o entendi, compreendi todos os traumas que estavam presentes em sua mente. E odiei de novo, apesar de amar a sua genialidade e querer estudá-la. E odiei, porque ele é sujo. Mas, sinceramente? Talvez ele tenha sido o personagem mais bem construído da autora.Também achei Sloan burra, mas entendi. Percebi que você ser forte não significa necessariamente enfrentar alguma coisa sozinho, as vezes significa aguentar tudo sozinho. E Carter... ainda não sei dizer o que achei exatamente dele, talvez o caracterize como um camaleão.

"She has some yellow ones, but she says those are her special pills, She says she saves those for the days when she wants to go somewhere else in her mind."

De qualquer forma, preciso salientar que esse não é um triângulo amoroso. É muito mais do que isso. Too late me tirou o ar e me fez perceber que, definitivamente, com toda a certeza do mundo, C. Hoover (ou Colleen) é minha autora preferida. Espero que ela escreva mais coisas nesse estilo, também.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Resenha: Traços - Eduardo Cilto

 Editora: Outro Planeta
Ano: 2016
ISBN: 9788542207477
Páginas: 272
Nota: 5/5

Um livro amorzinho..... nem tão amorzinho assim.

Matheus é um garoto um tanto quanto inseguro que está pronto para ir a sua primeira festa. Influenciado principalmente por sua melhor amiga, Beatriz, comparece ao colégio durante a noite e tenta se comportar. Mas as coisas saem fora do controle e ele acaba até participando de um ritual de bruxaria.


"Ás vezes, as pessoas se deixam cegar pelo número infinito de expectativas que as cerca e acabam não percebendo que o que elas mais querem está na frente do próprio nariz, não exatamente como imaginam, mas muitas vezes de um jeito até melhor do que o esperado.”

Mas não terminou por aí, Beatriz começa a inventar de ir para São Paulo e acaba arrastando Matheus junto com ela. Durante essa viagem, os sentimentos dois dois ficam cada vez mais confusos. Toda essa relação me lembrou bastante o filme 500 days with summer. No meio dessa viagem, um grande misterioso sequestro acontece. Um garoto que faz vídeos para a internet acaba sendo sequestrado e a Beatriz teima em ir atrás dele. A partir daí, é uma aventura atrás da outra.

"(...)A internet virou um grande espaço onde qualquer um consegue postar o que quer e se autopromover para aqueles que conhece, sempre com o mesmo conteúdo repetitivo, as mesmas reclamações, as mesmas coisas de sempre: "Vejam as fotos das minhas férias", "Curtam as fotos dos meus presentes de aniversário", "Comentem sobre o quanto estou bonita nessa foto". É uma luta de egos que parece não ter fim."

A leitura de Traços é bem gostosa e parece, de início, apenas um mero romance — só no começo mesmo. Comecei a ler sem muitas pretensões e terminei querendo pedir o Eduardo em casamento. Os personagens são tão opostos que acabam se entrelaçando de alguma forma. E toda a narrativa, todos os personagens se juntam. Pensar que o autor estava sentado pensando nessa história o tempo todo e nesse desfecho maravilhoso me fez sentir um pouquinho enganada — você vai entender o porquê.


O mais legal é que a narrativa simplesmente te surpreende do nada e é regada por quilos e mais quilos de amizade e de um talvez relacionamento. Mostra que as vezes a pessoa certa é errada e as vezes simplesmente o timing não bateu. Sim, eu estou falando de um clima de romance. É muito legal, sério, por mais clichê que possa ser, o autor conseguiu renovar.

"A vida pode ser muito parecida com os quadrinhos, pois ambos tem alguém controlando o que acontece; no caso você é o desenhista da sua própria história, e os traços feitos são as ações que toma para designar o rumo que sua vida seguirá. Então tenha consciência de que, a partir de agora, é você quem define o desenho que seus traços vão formar.”

Não vou me alongar muito mais nessa resenha, mas super recomendo esse livro e pretendo reler em breve. Traços é um livro pra você que gosta de uma história cheia de personagens que te envolvem e um grito de "surpresa!"

domingo, 15 de janeiro de 2017

Resenha: Jantar Secreto - Raphael Montes

Editora: Companhia das letras
Ano: 2016
ISBN: 9788535928358
Páginas: 360
Nota: 5/5

Carne de gaivota vicia. 

Dante e seus amigos se mudam para um apartamento na zona sul do Rio de Janeiro, local onde farão suas respectivas faculdades. Dante cursa administração de marketing, mas acaba trabalhando em uma livraria. Hugo cursa gastronomia, mas nunca consegue um emprego digno de seus dotes culinários. Hugo, estudante de medicina, faz residência em um hospital público. Por fim, Leitão abandonou seu curso de Ciência da computação e engordou ainda mais, vive em frente do computador, mexe com softwares e gasta praticamente todo seu dinheiro comendo.

"Ali, era como se nada pudesse dar errado na minha vida. Eu não poderia estar mais enganado."

Um dia, a corretora liga para Dante e comenta que estão há seis meses sem pagar o aluguel — culpa de Leitão, o responsável pelos pagamentos. A dívida é extremamente alta e é impossível pagá-la. Até que eles têm uma ideia, criar um jantar secreto na internet. Mas Leitão distorce tudo e acaba oferecendo um jantar com carne humana, lembrando do enigma da gaivota. No fim das contas, todo o dinheiro já foi depositado e todos, meio relutantes, acabam aceitando realizar o jantar com carne de gaivota. E ele acontece. E depois, tudo começa a deslanchar até dar errado. Até dar muito errado.

"Através dos e-mails fornecidos, Leitão havia investigado a vida de cada um dos confirmados. Descobrira profissão, religião, relações familiares, gostos pessoais e endereço. É impressionante a quantidade de informações pessoais que disponibilizamos no universo on-line. Compras pela internet, check-ins no facebook, fotos no instagram, opiniões no twitter. Nossa impressão digital."

A escrita de Raphael Montes é genial. Minha admiração por ele começou em Dias Perfeitos e cresceu ainda mais com Jantar Secreto. Tudo em seu texto é pensado, nada é por acaso. Alguns plot-twists são previsíveis, mas você nem liga muito pra isso porque está completamente preso na leitura. Entretanto, outras reviravoltas são surpreendentes — principalmente, a do fim do livro. Quando você pensa que acabou, Raphael Montes joga a sua inocência em sua cara.

"É fácil condenar alguém, pulverizar a responsabilidade, montar teorias e encontrar culpados. Mas repito: você teria feito igualzinho."

O que mais me impressionou foi como ele mostrou que não existe certo e errado. Comer carne humana é algo extremamente nojento e talvez todo leitor, pelo menos, no início, julgue todos os envolvidos. Entretanto, se você estivesse na mesma situação que eles, você não organizaria os jantares? Eu sei que você teria feito tudo o que eles fizeram. Então parem de hipocrisia, diz o autor em sua narrativa.

         "Depois de morto, todo bicho é igual. Você é engraçado, sabia? Se a carne vem naquele pacote, coberto no plástico transparente, você não se importa. Pega, frita e come sem nem pensar de onde veio. Agora fica aí, cheio de mi-mi-mi. Quer saber? A única diferença é que eu não sou hipócrita como você."

Quando terminei de ler, fiquei um tanto quanto perturbada. Simplesmente alguma coisa ruim se implantou no ar e eu não conseguia sair. Estava ficando sufocada. É isso um dos sentimentos que Jantar Secreto causa.

"A perversão não tem limites. O ser humano é um bicho escroto por natureza. Não importa o que digam, todo mundo é assim. Rico ou pobre, negro ou branco, velho ou novo, não interessa. Somos todos iguais em escrotidão."

O livro possui cenas de ação, violência, algumas cenas muito nojentas, mas é selado com humor negro e um sarcasmo digno. Jantar Secreto mostra a que ponto um ser-humano pode chegar em situações extremas, mas ainda mais, mostra que esse lado está lá, guardado em nós, pronto para escapar na primeira oportunidade.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Juntando os pedaços - Jennifer Niven

Editora: Seguinte
Ano: 2016
ISBN: 9788555340246
Páginas: 392
Nota: 3.8/5

Pegue um pedacinho de Libby pra você.

Juntando os pedaços é uma história bem diferente de Por lugares incrivéis. Talvez eu possa dizer que as duas obras possuem o mesmo propósito, mostrar que você é sim, amado. Mas isso é mostrado de formas diferentes. Nesse livro a autora acrescenta que você precisa, também, se amar. O livro conta a história de Libby, uma garota que acabou ganhando muito peso após a morte da mãe e teve que ser tirada de casa com um guindaste — literalmente. Além disso, desenvolveu um problema de ansiedade e parou de frequentar a escola. O livro começa quando ela volta, anos depois. Jack é um daqueles garotos escrotos da escola, mas que, no fundo, tem um coração bom. E ele também tem um problema. Jack sofre de prosopagnosia, isso é, não consegue reconhecer rostos. Ele não liga o rosto a pessoa, então usa de marcas próprias para que possa as reconhecer. Segundo justificativa, age sendo um escroto para que ninguém descubra sua condição.

"E de repente me sinto nua, como se estivesse sobre uma mesa de dissecação, as entranhas expostas para o mundo. Nunca vou conseguir explicar para alguém a importância de estar preparada, de estar sempre um passo à frente de tudo e de todos."

O livro, se for pensar bem, possui um romance bastante clichê. É bem óbvio que Jack e Libby iriam se apaixonar e mais óbvio ainda quando Jack diz que ele reconhece o rosto dela, e é o único rosto que consegue reconhecer. Eu fiquei esperando alguma explicação científica, mas quando descobri que era só amor... fiquei bem really? Mas essa foi a única decepção, porque o clichê eu já esperava.

"Só que as pessoas pequenas — pequenas por dentro — não aguentam o fato de alguém ser grande."

Na verdade, fiquei decepcionada também. De acordo com a sinopse, Jack e Libby teriam que curar suas cicatrizes antes de ficarem juntos. Quando li isso, comecei a quase chorar porque isso define muito do que eu estou/estava passando. Mas, ao decorrer do livro, vemos uma Libby que aprende a se amar e é a garota mais foda do mundo. Eu queria entrar na história, dar um abraço nela e agradecer por me ter feito levantar a autoestima. Mas Jack não se curou. Jack cresceu, mas não se curou. E, nas entrelinhas, diz que Libby o faz sentir bem e tudo mais. E acho que isso é ótimo, sério. Mas antes ele precisava se sentir bem consigo mesmo. Isso me deixou um pouquinho chateada com a sinopse que não foi cumprida. Senti falta desse amor próprio do Jack.

"É a vulnerabilidade da vida, o fato de que pode mudar num instante, que me deixa ansiosa quando vou dormir e que me faz dizer a mim mesma que preciso respirar quando estou acordada."

A mensagem principal do livro é Alguém gosta de você e eu achei isso maravilhoso. Porque você pode achar que não, mas alguém por aí gosta sim de você, mesmo que você esteja acima do peso, mesmo que você seja mandona, mesmo que sua risada seja estranha, mesmo que você seja muito abaixo do peso, mesmo que (acrescente qualquer coisa que você considera um defeito aqui). Nós somos formados por defeitos, eles nos tornam quem somos em conjunto com as nossas qualidades.
O principal ponto positivo para esse livro é a forma com que a história é escrita. É bem leve e fluída, não cansa. Então você não precisa ficar parando de ler e continuar mais tarde porque sua cabeça cansou. E a autora construiu a história de uma forma que nem consigo descrever. Agora, como escritora, fico prestando bastante atenção nesse detalhe da escrita e Jennifer Niven me deixou admirada como ela consegue fazer com que as palavras fluam. Ela também pesquisou muito sobre prosopagnosia, tornando a história muito mais realista.

"Amo sua risada divertida e rouca, que faz parecer que ela está resfriada. Amo o jeito como anda, como se desfilasse. Amo sua imensidão, e não estou falando do peso físico."

Juntando os pedaços não me fez chorar e também não conseguiu me tocar tanto quanto uma certa série sobre o tema, mas é um livro muito bom para te fazer pensar e perceber que sim, você é amado. Todos nós deveríamos pegar um pouquinho da Libby para a gente e mostrar para o mundo o quanto somos poderosos exatamente do jeito que somos.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Resenha: A Guardiã de Histórias

Ano: 2016
ISBN:
Páginas: 322
Nota: 4/5
Editora: Bertrand Brasil

Escreva sua História. Ela será lembrada.
Um questionamento feito por todos é para onde você vai quando morre. Se você morasse no universo de A Guardiã de Histórias, eu saberia te dizer a resposta. Ninguém morre de verdade. Não acaba. Existe um lugar chamado Arquivo em que Histórias ficam armazenadas em gavetas. Como se livros fossem mortos flutuantes preenchendo as estantes. Mas quem disse que isso não pode acontecer na vida? Afinal, nossas histórias sempre permanecem. Porém, como em filmes de terror com espíritos que vagam pela terra, algumas Histórias acordam — principalmente quando têm alguma coisa mal resolvida — e vão para os Estreitos. Elas não podem, de jeito nenhum, chegar ao Exterior. Quando chegam, a Equipe as manda de volta. Mas o Estreio é local para os Guardiões.

"Existe algo inegavelmente triste sobre Owen, algo perdido, mas não tomaria essa forma. A tristeza pode drenar a luta dos traços de uma pessoa, mas os dele são claros. Ousados. Quase desafiadores."

Mackenzie Bishop, guardiã de histórias. A garota torna-se parte desse mundo paralelo quando seu avô, Da, morre e passa a responsabilidade para ela. Entretanto, seu irmão, Ben, morre e a garota fica muito mal, assim como sua família. Eles se mudam para um antigo hotel mais ou menos abandonado. O Coronado. Lá, a mãe Bishop vai reinaugurar o café do local. A lista de Histórias a serem resgatadas fica ainda maior e Kenzie também conhece Wesley, o garoto do delineador. Muitas confusões acontecem e os dois — principalmente ela — acabando se metendo em confusões e mentiras.

"Mas as pessoas são feitas de ruído, Mac. O mundo é cheio deles. E encontrar o silêncio não é uma questão de empurrar tudo para fora. Apenas de se colocar para dentro. Só isso."

O início da obra é bem parada, mas necessário. É nesse começo que somos apresentados a todo esse novo universo muito bem construído, aliás. Depois, a história começa a andar e as vezes fica complexa demais — mas nada que não dê pra entender. São vários nomes e histórias e memórias que se revelam e anéis que fazem um bloqueio para o barulho que Mackenzie não suporta escutar. E segredos do Arquivo que serão revelados e confianças que vão ser quebradas e traições e romance que não é bem romance — do jeitinho que eu gosto. Enfim, são muitas reviravoltas que vão te fazer devorar as últimas páginas.

" — E se eu estragar tudo?
— Ah, você vai. Vai estragar tudo, vai cometer erros, vai quebrar coisas. Algumas, vai conseguir concertar, e outras serão perdidas. Isso tudo é um fato. Ma só há uma coisa que você pode fazer por mim.
— O que é?
— Continuar viva por tempo bastante para estragar tudo de novo."

Porém, como disse, o início é meio parado e eu demorei para me envolver de verdade. Digo, estava envolvida com o universo desde o começo, mas não com a narrativa. As reviravoltas, na minha opinião, foram previsíveis. Apenas uma foi bem surpreendente e me fez repensar sobre quem estava certo e se existia lado certo. Mas em nenhum momento falei: que livro, genial!! O que me deixou um pouco chateada, porque é o primeiro livro que leio da autora e tinha muita expectativa.
A Guardiã de Histórias é um livro ótimo com um mundo muito bem consolidado e perfeito para quem gosta de uma boa quantidade de plot-twists.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Resenha: Sophia Abrahão Numa outra - Camila Fremder

Ano: 2016
ISBN: 9788584390526
Páginas: 160
Nota: 4/5
Editora: Paralela

"Faz o meu mapa?"

Não vou negar que quando soube do livro da Sophia, torci o nariz. Nesse mundo repleto de youtubers lançando livros - que são mais produtos de marketing - com biografias e a maioria nem escrevendo ou lendo o próprio livro, criei um certo preconceito, confesso. Sim, o nome disso é marketing, mas a sociedade funciona assim, não é?! E claro que eu sei que alguns youtubers escrevem, de fato, o livro. Mas enfim, não vamos entrar nisso. O fato é que sempre vi a Sophia falando que quem escreveu o livro foi a Camila, dando os devidos créditos e importância para a autora e pensei "poxa, é por isso que eu me orgulho tanto dela". E sabendo que ela estava aqui para me apoiar com meu livro, não seria nada justo não dar ao menos uma chance para o livro dela. E foi na fila da sessão de autógrafos que, com muito medo - confesso, abri Numa outra e comecei a ler.

"O mundo precisa de mais amor e menos julgamento."

O livro contém diversos contos com histórias vividas pela atriz. Desde sua viagem a China, passando pela época em que participou da novela Rebelde, até um texto inteiro falando sobre sua paixão por astrologia. A letra é maior do que a que estou acostumada e o livro é cheio de imagens de ensaios e fotos do instagram, dando uma maior dinamicidade para a leitura.



A única coisa que atrapalhou na hora de ler é o fato de algumas palavras ou frases estarem cortadas e intercaladas por várias páginas de imagens.

"Cada pessoa tem um tipo de corpo e um tipo de beleza."

Foi muito legal descobrir um outro lado dela, também. Parece que com esse livro pude conhecer mais da Sophia sem o Abrahão. E amei! Descobri como funcionava o seu trabalho na China, o que ela sentia em relação aos colegas de elenco em Rebelde e ainda percebi alguns babados fortíssimos! Hahaha


Porém, esse é um livro para todos aqueles que já conhecem Sophia Abrahão. Foi uma obra feita para os fãs, como se fosse um presente. Então não tenho certeza se todos iriam gostar de ler. Mas acho que vale a pena dar uma chance.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Resenha: Novembro, 9 - Colleen Hoover

Editora: Galera Record
Ano: 2016
ISBN: 9788501076250
Páginas: 352
Nota: 5/5

Você não deveria ser tão importante assim pra mim. 
Talvez o destino tenha alguma coisa a ver com isso.
Fazia muito tempo que não escrevia uma resenha porque, na verdade, fazia muito tempo que eu não lia um livro. Minha estante está repleta de não-lidos, mas sabe quando nenhum te interessa? Principalmente depois de escrever o meu livro e estar preocupada com o lançamento e outros detalhes da publicação. Mas parece que nesse fim de mês, o bloqueio literário resolveu ir embora. Foi escorrendo pelo ralo aos poucos, mas foi nesse exato momento em que tive o bendito estalo. Comecei a ler Novembro, 9 hoje mesmo, assim que minha encomenda chegou. E foram cinco horas de risadas, paixão, sofrência e um coração destruído em migalhas. Vocês sabem que eu odeio romance, mas a Colleen Hoover consegue me fazer amar cada um deles. Ela e sua habilidade de criar os melhores personagens e os melhores plot-twists. Deixando a divagação de lado, vamos ao que interessa.

"Meus defeitos são o que me faz acordar de manhã e o que me deixa acordada a noite."

Fallon costumava ser a protagonista de uma série americana famosa, mas tudo foi interrompido quando a casa de seu pai foi incendiada. Ela não costumava ficar muito lá, já que morava com sua mãe, mas estava ali naquela noite. Destino cruel? Talvez. Seu pai simplesmente esqueceu que ela estava ali e quando todos ouviram os gritos, a menina já estava ferida.

"Quem quer que tenha dito que a verdade machuca estava sendo otimista. A verdade é uma filha da puta que provoca uma dor excruciante."

Por isso, com dezoito anos, ela tem a parte esquerda do corpo repleta de cicatrizes. Desde o rosto descendo até a cintura. E é extremamente insegura com isso. Dia 9 de novembro é o aniversário do acidente. O livro começa dois anos depois, quando ela está em um restaurante com seu pai contando a notícia de que está prestes a ir para Nova York com o intuito de continuar sua carreira de atriz. Os dois começam uma briga quando ele diz que não existe mais chance para ela. Assim, de repente, surge Ben, um cara totalmente X que se mete no meio da conversa e finge ser namorado da garota enquanto a defende.

"Você nunca vai conseguir se encontrar se estiver perdida em outra pessoa."

A questão é que esse encontro culmina quando os dois acabam passando o dia todo juntos e acabam rindo, se divertindo, gostando um do outro e esquecendo o que aquela data significa. E então, criam um novo significado. Eles não poderão manter contato nenhum, mas deverão se encontrar todo dia 9 de novembro, na mesma hora e no mesmo local. E Ben tem a missão de escrever um livro sobre isso. Em troca, Fallon também tem que cumprir algumas tarefas.

"Talvez os gestos grandiosos não importem tanto quanto todas as coisas irrelevantes entre os dois personagens principais."

Novembro, 9 foi um livro que não me deixou largá-lo nem por um instante - talvez só um pouco, porque eu precisava respirar. A narrativa é totalmente ágil e, as vezes, angustiante. A premissa é sim, clichê, e lembra Um Dia - a autora até brinca com isso - mas Colleen Hoover, como sempre, consegue transformar o clichê em algo completamente diferente e incrível. A construção dos personagens também é extremamente bem feita. Fiquei com medo de não perceber o crescimento ao longo dos anos ou que a autora deixasse alguma coisa passar, mas isso não aconteceu.

"Porque quando você ama uma pessoa, tem o dever de ajudá-la a ser a melhor versão de si mesma."

Fallon e Ben são dois personagens incríveis e fortes que com certeza ganharam meu coração. No início, achei Ben um tanto quanto machista e pensei até em desistir da leitura. Mas depois, percebi que não era nada daquilo. Ainda bem que eu resolvi não parar no primeiro capítulo. Não vou falar muito sobre eles pois acho que todos deveriam conhecê-los, mas posso dizer que me ensinaram muitas coisas.


Aliás, essa é uma obra repleta de ensinamentos. Alguns estão ali, prontos para que você veja, outros estão contidos em pequenos detalhes. Mas o fato é que, sem dúvida alguma, esse não é só um livro de romance. É também sobre autoconfiança e deixar quem você ama livre. E também, sobre se amar. Foi muito bom ler essa história agora porque estava precisando ler algumas coisas do tipo. Sei que vou ficar bastante tempo refletindo sobre e eu amo quando isso acontece.

"A juventude e a beleza passam. A decência humana, não."

Nem preciso falar nada sobre as reviravoltas do livro que vão te fazer querer jogar Fallon da janela, depois Ben, depois a autora e por último você. Mas aí tudo faz sentido e tudo o que você vai querer fazer é agradecer a Colleen Hoover e pedir para que ela não pare de escrever nunca. Ah, e esses plot-twists são bem surpreendentes - eu pelo menos não imaginei.

"Mas quando se trata de uma batalha entre sua adrenalina e sua consciência, a adrenalina sempre vence."

Resumindo, se você não gosta de romance, leia Novembro, 9. Se você ama essa autora e romance, leia Novembro, 9. Se você está lendo isso aqui, leia Novembro, 9. Só leia. Mas prepare-se para juntar os pedaços do seu coração novamente.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Resenha: Zac&Mia - A. J. Betts

Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
ISBN: 9788581637716
Páginas: 288
Nota: 3/5

Um pequeno grande universo.

Ainda não sei muito bem o que dizer sobre esse livro. Acho que é uma história muito dependente do momento em que se lê.
Zac é um garoto que tem leucemia e está se tratando no hospital, após ter conseguido um transplante de medula é apenas uma questão de quando ele poderá ir pra casa. A mãe sempre está a seu lado, jogando todos os tipos de joguinhos e tentando animar o filho, mas ela parece não perceber que ele precisa de um tempo sozinho. É no meio da contagem regressiva que Mia aparece, ela também tem câncer, mas segundo as estimativas do garoto, é a mais sortuda da ala.

"É engraçado como o cérebro faz coisas assim. Seu mundo todo
está sendo chacoalhado e jogado, e o melhor que você consegue fazer
é focar-se em alguma coisa pequena e inesperada.''

Mia é aquela garota popular fútil que acaba descobrindo um mundo que vale muito mais do que um esmalte e é muito mais feio que as pontas duplas do cabelo. A garota briga com a mãe constantemente, escuta Lady Gaga no volume máximo e parece não ligar pra nada. Ela não consegue aceitar que as coisas não são um filme de colegial perfeito.
Em uma das noites, Zac acaba batendo na parede do quarto - é a única forma de comunicar-se, já que, devido ao transplante, ele tem que ficar isolado - para pedir que ela baixe a música. O que ele não sabia é que ela responderia e dali nasceria uma bela amizade e um bromance.

“ Há tanta coisa que ela ainda não compreende: que fica melhor; que não é culpa dos médicos. “Não lute”, eu quero dizer. “Não puxe a alavanca da Saída de Emergência. Tome as pílulas e aproveite o passeio como der. “Eu queria poder dizer isso a ela. Eu queria poder dizer a ela quanta sorte tem. ”

Bem previsível, né? Bom, exatamente isso é o fator que mais me irrita nesse livro. Sabia o que aconteceria do início ao fim e isso me ajudou a ficar distanciada na narrativa. O que eu gostei bastante, apesar do clichê, é o fato de Mia ter percebido que o mundo possui várias faces e a que estava em sua mente era ilusória. Ela sofre bastante com tudo o que acontece e uma das cenas que mais machuca é com seu ex-namorado.
Em meio a toda essa coisa de câncer, Mia decide fugir e acaba indo atrás de Zac, é quando eles se encontram pessoalmente pela primeira vez. Esperava mais desse encontro, mas amei que a autora não adocicou tanto, sabe?

"Pego a mão dele de novo e a enfio por baixo do meu jeans. Quero que ele me queira. Minha outra mão abre o zíper dele. Apesar de ele me afastar, eu o toco do jeito que ele gosta."

É um livro bom, muito bom, na verdade. Fiz a leitura muito rapidamente, a fluidez e escolha de palavras é algo que A. J. Betts com certeza domina. Porém, não gostei tanto porque acabei não conseguindo me conectar a nenhum personagem, sabe? Parecia que estava simplesmente lendo superficialmente e odeio quando isso acontece. Mas acho que a culpa não foi da história em si, pois os personagens são muito bem trabalhados. Só não consegui me sentir ali, sabe? Não consegui acreditar no que era proposto.

"O tempo prega peças. Pode brincar com você. Quando menos se espera, o tempo pode dar uma volta em si mesmo, como um imenso elástico. O tempo pode vir dar tapinhas no seu ombro. Se quiser, ele pode pegar você e o levar de volta para o Quarto 1, com suas agulhas e alvejante e náusea e Mia."

Mas como disse ali em cima, é um livro que depende bastante do humor do dia - alias, todos os livros dependem, né? - e eu não estava muito na vibe de romance. Ah, outro fator muito importante é que há um romance, mas não há um romance, ao mesmo tempo. Gosto da maneira como esse nó foi construído, a autora mostrou que não é preciso beijos e todas essas coisas de casal pra ser sensível e bonito.
Por fim, digo que este é um livro que vale a pena ser lido sim, mas se você não está numa fase mel da vida nem arrisque, espere um pouquinho e leia mais tarde. Agora, se você gostou da história e ama coisas assim, vai fundo e embarque no pequeno grande universo de Zac e Mia.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Resenha: Eu te darei o sol - Jandy Nelson

Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
ISBN: 9788581636467
Páginas: 384
Nota: 4.5/5

Você pode ser a metade de alguém e, ainda assim, permanecer inteiro.

Essa é uma história sobre amor, a maneira como o passado reflete no presente e como algumas mentiras podem sufocar a alma. Mas no final, nos ensina como o amor e a amizade podem vencer o jogo. Nos mostra que você não precisa ser a metade de alguém o tempo inteiro, vocês pode ser uma metade - e ter uma outra - ainda que seja inteiro.
Noah e Jude são irmãos gêmeos muito grudados, até que o ciumes, a inveja, os segredos, começam a afasta-los aos poucos. Tudo começa com uma faculdade de arte, um tabuleiro ouija, e pais nada imparciais.

"Saio em disparada para dentro do bosque como alguém cujo coração não está abalado, os olhos não estão marejados, alguém que não se sente tão renovado como um ser humano."

O livro é dividido basicamente em duas partes, os capítulos narrados por Noah - quando eles tem por volta de 13 anos - e aqueles narrados por Jude - com 16 anos. Essa com certeza é a minha parte preferida do livro, poder saber do passado e quais foram suas consequências no presente. Além de, claro, ver um pouco da visão de cada um.

"Porque todos nós estamos quebrados. Quero dizer, não estamos? Eu estou. O mundo inteiro está. Tentamos fazer o nosso melhor e é isso o que acontece, repetidamente."

Logo nas primeiras páginas, há uma crise de Noah e a presença do bullying - isso não é spoiler. Jude também vive um grande dilema, e só descobrimos o maior deles ao fim do livro. Digamos que ambos se apaixonam pelas pessoas erradas, digamos que tudo começa pisando com o pé esquerdo. Os dois estão perdidos em uma estrada e aparentam não querer se encontrar - pelo menos no início.
É muito difícil comentar sobre esse livro sem dar spoiler, pois ele é basicamente um ninho para um, então esse é o motivo pelo qual essa resenha está menos detalhista que o normal.

"Porque a pior coisa que podia ter acontecido a Noah aconteceu. Ele se tornou uma pessoa normal. Ele tem todos os parafusos no lugar."

Quanto a personagem preferido... fiquei apaixonada pelo Noah desde o primeiro capítulo, sofri com ele, senti o que ele sentia e me identifiquei bastante quanto a intensidade de seus sentimentos. Jude também é incrível, mas acho que não teve aquela conexão tão grande quanto com Noah. Além dos dois, amo Oscar - que vocês descobriram quem é quando lerem.
Há dois romances no livro - os principais - que foram extremamente bem desenvolvidos. Eu não costumo surtar com romances assim, não gosto de livros de romance, mas Eu te darei o sol me fez surtar a cada momento pedindo por mais e para que tudo desse certo.

"A ferramenta ganha vida. Meu corpo todo vibra com a eletricidade enquanto divido a pedra em duas partes.
Para que NoaheJude se torne Noah e Jude."

Sobre o título, é o motivo mais criativo que eu já li. Não posso contar o porquê, mas vocês saberão quando lerem e aí podem vir aqui surtar comigo!! haha


Não é o melhor livro do ano, mas com certeza é um dos livros mais sensíveis que já li. A escrita de Jandy Nelson é como um barco a vela, que te leva a velejar por aí seguindo o vento, as vezes mais rápido, as vezes mais lento, podendo até perder a vela. Leiam, se conectem, torçam por eles e aprendam como eu aprendi em meio a uma bíblia nada convencional, auto-retratos, o mistério do Ralph, uma faculdade de arte, dilemas, pais nada imparciais, mentiras, bullying e, acima de tudo, amor.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Resenha: VANGO - Entre o céu e a terra - Timothée de Fombelle

Editora: Melhoramentos
Ano: 2015
ISBN: 9788506077481
Páginas: 360
Nota: 3.5/5

De escalada em escalada, uma história se constrói. 

A história acontece no período Entreguerras, do fim da primeira guerra mundial até o estopim que leva a segunda guerra. Somos apresentados a Vango, um rapaz que está quase realizando seu sonho de tornar-se padre, quando é interrompido por um bando de policiais. Eles estão em busca de um nome. Uma pessoa. Vango. Então o rapaz tem que fugir e se esgueirar por Paris, vivendo várias aventuras enquanto tenta descobrir o motivo da perseguição e sua história de vida. Afinal, tudo o que sabe é seu nome e conhece sua babá, Mademoiselle.

"Vango avançava na vida apagando seus rastros. Ele não chamava mais isso de paranoia e, sim, de sobrevivência."

Gosto bastante desse livro por sua agilidade. Por mais longo que aparente ser, é possível fazer a leitura em pouco tempo e se entreter bastante. Vango vive várias aventuras, passa por vários locais e te faz acreditar e querer viver o impossível. No início ele é um personagem meio vazio, superficial, mas o autor preencheu os espaços vazios aos poucos. Como se enchesse o bichinho de pelúcia de espuma para que ele fique completo.

"Pequenos milagres podem acompanhar grandes desgraças. Era isso o que Vango sempre pensara. Bastava ter confiança."

Um ponto negativo é a grande quantidade de personagens. Por um lado, isso é ótimo, uma vez que o foco não é apenas o Vango. Por mais que todas as histórias girem a seu redor, há várias outras narrativas paralelas. Mas essa quantidade exagerada e a não linearidade da narrativa podem deixar o leitor bem confuso a princípio. É necessário prestar bastante atenção aos nomes e aos detalhes.


Com certeza o ponto alto é o romance histórico. Não posso dizer que é uma aula de história com narrativa, mas te faz aprender muito sobre os fatos também, além de curtir a narrativa. Vários personagens são reais e a edição te permite saber mais sobre eles em uma seção no final do livro. A única coisa que me chateou é que alguns deles não foram tão citados durante o enredo, mas nada que tenha prejudicado o livro.

"Vango gostaria de conhecer a paz na qual acreditavam que ele vivia. Sabia, porém, que sua vida era uma ilusão. Apesar de todos os seus esforços, Vango se sentia num ciclone. Os mistérios de seu passado o atormentavam da manhã à noite e da noite até a manhã. De onde vinha? Quem estava atrás dele?"

O amor é algo muito bem trabalhado e sincero. Não é a paixão presente nos livros de romance, aquele amor ardente ou de momento. É apenas amor, amor e amor. Nada meloso, nada apelativo, nem na medida certa. É algo natural, intrínseco, que está e deveria estar ali.
Além disso, adorei que, como disse acima, ao fim do livro existe uma parte que conta "a história dentro da história" nos fazendo entender ainda mais sobre o contexto histórico.
Recomendo o livro para todos que gostam de uma boa aventura com gostinho de história e a sensação do vento batendo nas costas durante uma corrida pelo mundo! 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

A lista - Cecelia Ahern

Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
ISBN: 9788581636832
Páginas: 384
Nota: 4/5

Cem nomes. Cento e um motivos. Todo mundo tem uma história pra contar. 

Quando as pessoas me perguntam sobre A lista, digo que este não é um livro que possui uma história. Sim, há um enredo principal, mas ele é apenas um plano de fundo que possibilita várias histórias, a principio paralelas, que acabam se encontrando. O livro tem como base a vida de Kitty Logan, uma jornalista que fez algumas coisas erradas na vida, mas uma em especial que colocou em risco toda a sua carreira. Sua carreira no Thirty minutes já era e a revista Etcetera decidiu afastá-la do trabalho. Enquanto isso, sua editora-chefe e conselheira, está a beira da morte. O início do livro trata-se da luta inteira de Kitty para chegar ao hospital e ver Constance, ela não sabe lidar com isso, com o hospital, com a doença, não sabe o que dizer. Mas então está lá e as coisas basicamente terminam com uma lista de cem nomes deixada por Constante. Logan não faz a mínima ideia do que aquilo significa, mas vai fazer de tudo pra entender e transformar A lista na melhor matéria que escreveu na vida, dedicando-se não só a Constance, mas a todas as pessoas incríveis que encontrou pelo caminho.

"Ela desligou, animada com mais esse item intrigante adicionado à sua lista crescente de personagens peculiares."

Por meio de uma escrita divertida e aparentemente simples, a autora traz várias reflexões, analogias e outras coisas que fazem nos identificarmos com a protagonista. É engaçado ver todas as coisas pelas quais Kitty passa, é um desastre após o outro, o melhor remédio é rir. Mas no fundo esse lado do humor é uma grande ponte para o pensamento sobre o mundo, sobre as coisas. Sabe, quem nunca teve um dia ruim? Colocou o pé pra fora de casa e as coisas começaram a dar errado sucessivamente? Quem nunca se sentiu traído? Quem nunca teve medo de entrar em algum lugar e receber determinadas notícias?!


Assim como Kitty uniu a história de tantas pessoas, a própria protagonista parece ser várias em uma só. É bem difícil não se identificar pelo menos um pouco.
As personagens secundárias - se é que podem ser chamadas assim - são muito interessantes. A forma como a história de cada uma foi contada e destrinchada aos poucos estava no ponto certo, a autora acertou em cheio! Claro que Kitty não consegue conhecer os cem nomes deixados, mas conhece alguns deles.

"Quando uma pessoa querida morre, sentimos algo diferente. A ausência dessa pessoa doí a cada segundo do dia."

Ambrose, a borboleta exótica de seu museu de borboletas. Mary-rose, que vive recebendo pedidos de casamentos - falsos, sim, é tudo um teatro, entre muitos outros que nem vou citar para não estragar. Além disso, claro, há um pouco de romance e eu sinceramente estava sentindo falta de algo assim. Sem mel. Sem apelação. Somente sentimento. Gostei muito da maneira como a parte romântica do livro foi desenvolvida.

" - Não sei. Não quero me precipitar, mas acho que há uma possibilidade de que, no final das contas, você não seja gay mesmo.
Uma batatinha foi arremessada na cabeça dela."

A leitura demorou um pouco por conta das provas, mas assim que peguei pra terminar fluiu rapidinho. A lista é uma leitura gostosa e de essência muito bonita, fugiu completamente do gênero YA - com o qual estou acostumada - e me surpreendeu. Leiam, provem essa história e aprendam que, no fundo, por mais desinteressante que alguém possa parecer, todo mundo tem uma grande história pra contar.

"As pessoas que não se consideram interessantes normalmente são as mais interessantes."