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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Resenha: Novembro, 9 - Colleen Hoover

Editora: Galera Record
Ano: 2016
ISBN: 9788501076250
Páginas: 352
Nota: 5/5

Você não deveria ser tão importante assim pra mim. 
Talvez o destino tenha alguma coisa a ver com isso.
Fazia muito tempo que não escrevia uma resenha porque, na verdade, fazia muito tempo que eu não lia um livro. Minha estante está repleta de não-lidos, mas sabe quando nenhum te interessa? Principalmente depois de escrever o meu livro e estar preocupada com o lançamento e outros detalhes da publicação. Mas parece que nesse fim de mês, o bloqueio literário resolveu ir embora. Foi escorrendo pelo ralo aos poucos, mas foi nesse exato momento em que tive o bendito estalo. Comecei a ler Novembro, 9 hoje mesmo, assim que minha encomenda chegou. E foram cinco horas de risadas, paixão, sofrência e um coração destruído em migalhas. Vocês sabem que eu odeio romance, mas a Colleen Hoover consegue me fazer amar cada um deles. Ela e sua habilidade de criar os melhores personagens e os melhores plot-twists. Deixando a divagação de lado, vamos ao que interessa.

"Meus defeitos são o que me faz acordar de manhã e o que me deixa acordada a noite."

Fallon costumava ser a protagonista de uma série americana famosa, mas tudo foi interrompido quando a casa de seu pai foi incendiada. Ela não costumava ficar muito lá, já que morava com sua mãe, mas estava ali naquela noite. Destino cruel? Talvez. Seu pai simplesmente esqueceu que ela estava ali e quando todos ouviram os gritos, a menina já estava ferida.

"Quem quer que tenha dito que a verdade machuca estava sendo otimista. A verdade é uma filha da puta que provoca uma dor excruciante."

Por isso, com dezoito anos, ela tem a parte esquerda do corpo repleta de cicatrizes. Desde o rosto descendo até a cintura. E é extremamente insegura com isso. Dia 9 de novembro é o aniversário do acidente. O livro começa dois anos depois, quando ela está em um restaurante com seu pai contando a notícia de que está prestes a ir para Nova York com o intuito de continuar sua carreira de atriz. Os dois começam uma briga quando ele diz que não existe mais chance para ela. Assim, de repente, surge Ben, um cara totalmente X que se mete no meio da conversa e finge ser namorado da garota enquanto a defende.

"Você nunca vai conseguir se encontrar se estiver perdida em outra pessoa."

A questão é que esse encontro culmina quando os dois acabam passando o dia todo juntos e acabam rindo, se divertindo, gostando um do outro e esquecendo o que aquela data significa. E então, criam um novo significado. Eles não poderão manter contato nenhum, mas deverão se encontrar todo dia 9 de novembro, na mesma hora e no mesmo local. E Ben tem a missão de escrever um livro sobre isso. Em troca, Fallon também tem que cumprir algumas tarefas.

"Talvez os gestos grandiosos não importem tanto quanto todas as coisas irrelevantes entre os dois personagens principais."

Novembro, 9 foi um livro que não me deixou largá-lo nem por um instante - talvez só um pouco, porque eu precisava respirar. A narrativa é totalmente ágil e, as vezes, angustiante. A premissa é sim, clichê, e lembra Um Dia - a autora até brinca com isso - mas Colleen Hoover, como sempre, consegue transformar o clichê em algo completamente diferente e incrível. A construção dos personagens também é extremamente bem feita. Fiquei com medo de não perceber o crescimento ao longo dos anos ou que a autora deixasse alguma coisa passar, mas isso não aconteceu.

"Porque quando você ama uma pessoa, tem o dever de ajudá-la a ser a melhor versão de si mesma."

Fallon e Ben são dois personagens incríveis e fortes que com certeza ganharam meu coração. No início, achei Ben um tanto quanto machista e pensei até em desistir da leitura. Mas depois, percebi que não era nada daquilo. Ainda bem que eu resolvi não parar no primeiro capítulo. Não vou falar muito sobre eles pois acho que todos deveriam conhecê-los, mas posso dizer que me ensinaram muitas coisas.


Aliás, essa é uma obra repleta de ensinamentos. Alguns estão ali, prontos para que você veja, outros estão contidos em pequenos detalhes. Mas o fato é que, sem dúvida alguma, esse não é só um livro de romance. É também sobre autoconfiança e deixar quem você ama livre. E também, sobre se amar. Foi muito bom ler essa história agora porque estava precisando ler algumas coisas do tipo. Sei que vou ficar bastante tempo refletindo sobre e eu amo quando isso acontece.

"A juventude e a beleza passam. A decência humana, não."

Nem preciso falar nada sobre as reviravoltas do livro que vão te fazer querer jogar Fallon da janela, depois Ben, depois a autora e por último você. Mas aí tudo faz sentido e tudo o que você vai querer fazer é agradecer a Colleen Hoover e pedir para que ela não pare de escrever nunca. Ah, e esses plot-twists são bem surpreendentes - eu pelo menos não imaginei.

"Mas quando se trata de uma batalha entre sua adrenalina e sua consciência, a adrenalina sempre vence."

Resumindo, se você não gosta de romance, leia Novembro, 9. Se você ama essa autora e romance, leia Novembro, 9. Se você está lendo isso aqui, leia Novembro, 9. Só leia. Mas prepare-se para juntar os pedaços do seu coração novamente.

domingo, 11 de setembro de 2016

Resenha: Boa noite - Pam Gonçalves


Editora: Galera Record
Ano: 2016
ISBN: 9788501106698
Páginas: 240
Nota: 5/5

Bem-vinda ao seu novo mundo. E boa noite.

Alina está prestes a deixar toda a sua vidinha de interior para adentrar a faculdade de engenharia da computação. No dia de sua matrícula, vê um aviso dizendo que há uma vaga disponível para a chamada república das loucuras. Pensando que talvez tenha sido o destino, a garota liga para o número disponibilizado e faz uma entrevista meio maluca por telefone com uma tal de Manu. Está tudo confirmado quando ela chega para o seu primeiro dia de aula e vê aquela parede de tijolinhos, o lado exterior do seu lar pelos próximos quatro anos
Lá, ela conhece a Manu, uma garota extremamente divertida, explosiva e aparentemente desapegada. Mas possui algumas coisas reprimidas lá dentro. Além de Talita e Bernardo, os namorados que não param de se pegar um só segundo - mas se tornam ótimos amigos de Alina - e Gustavo, o estudante de medicina que nada parece com os outros garotos. Na sua sala, vira amiga principalmente de Luana, uma das quatro únicas meninas do curso.
No início, tudo é muito divertido e diferente. Alina até conhece um menino com quem começa a sair. Mas, rumores de estupro e drogas em festas começam a correr por aí. A garota e seu time aproveitam um concurso para tentar mudar isso. Para tentar proteger as mulheres. 



Boa noite é um livro com uma ideia nada genial e uma escrita simples, mas que consegue passar o recado direitinho. A escrita da autora é completamente dinâmica e te leva com facilidade até a última página, faz com que o leitor, inclusive, queira mais. O background com o ambiente da faculdade é perfeito, fez com que eu super me identificasse com aquilo que estava lendo, já que estou apenas no segundo semestre. É engraçado como em tão pouco tempo, a gente muda tanto. Acho que a faculdade abre as portas e nós só temos que saber como usar essa abertura.

"Acho que a maioria das pessoas que chega na universidade espera que a vida tome um rumo completamente diferente... Obviamente eu também. Tudo o que eu quero é começar de novo. É nisso que eu penso enquanto encaro a parede de tijolinhos à frente. Só quero deixar tudo pra trás e enfim ser alguém legal."

Mas o livro não é só isso. Não é só faculdade, aprendizado e festas. Ele trata de um tema muito recorrente na sociedade atual: o feminismo. Não, não é um livro feminista. Não, não é algo imposto pra você. Conforme a Pam escreve e o leitor segue o fluxo, algumas coisas são ditas. Não sei se estou conseguindo explicar muito bem, mas é com uma escrita simples e fluída - me lembrou a Jennifer Brown - que a autora consegue passar a mensagem de que homens e mulheres devem ser iguais e não, uma mulher não deve ser educada para não usar saia curta, e sim o homem deve ser educado para respeitá-la. 



Além disso, um ponto que me deixou muito feliz é a bissexualidade da Manu relatada de uma forma extremamente normal. A autora não ficou em nenhum momento citando isso diversas vezes, estudando, ela simplesmente disse, naturalmente. E isso é simplesmente incríveeel!! Há muitos livros por aí que tratam a homossexualidade como algo normal - e outros que a usam como foco - mas nunca tinha encontrado um que relatasse a bissexualidade. E pois é, gente, pessoas gostam de pessoas e isso é normal!

"(...) É o que a cultura do estupro faz com a nossa sociedade, nos cala e nos tolhe os direitos."

Creio que seu principal objetivo era impactar, de alguma forma, as pessoas que leem esse livro. E ela usou sua visibilidade da melhor maneira possível passando esse recado. Então obrigada, Pam Gonçalves por me mostrar que você não precisa de uma ideia genial para escrever um livro bom. E obrigada, por mostrar para as pessoas que as mulheres devem ser respeitadas e tratadas da mesma forma que os homens. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Resenha (dupla): O lado feio do amor - Colleen Hoover

Editora: Galera Record
Ano: 2015
ISBN: 9788501105738
Páginas: 336
Nota: 4.5/5

Love ain't always pretty, sometimes it's ugly...

Vamos começar essa resenha dizendo o quanto quero um Miles Archer na minha vida e o quanto amo a Colleen Hoover e seu dom de me fazer sofrer.
Tate Collins muda de cidade e acaba tendo que morar com seu irmão, Corbin, por um tempo. A primeira pessoa que encontra no apartamento não é seu irmão, mas um cara completamente bêbado que chora e chama por Rachel. E quem diabos é Rachel?! Bom, quando o irmão volta, ela acaba descobrindo que aquele era Miles, o melhor amigo de Corbin. E nem preciso dizer que os dois se sentem extremamente atraídos, né? Atração apenas sexual, no início. No meio disso tudo temos Cap, um morador antigo do prédio que costuma apertar os botões do elevador e dar os melhores conselhos da vida.

"Continuo encarando-os, meio que esperando conseguir ver ondas se prestar bastante atenção. Diria que são tão cristalinos quanto as águas do Caribe, mas na verdade nunca fui ao Caribe, então não tenho como saber."

O romance se inicia com o pacto clichê: só sexo. Mas como Colleen Hoover sempre consegue modificar os melhores clichês e as vezes o lado feio do amor vence, as coisas não serão só flores. É em meio a uma história um tanto quanto conturbada e algumas cenas angustiantes que Miles e Tate vivem um romance um tanto quanto quente. A diferença é que ele não é capaz de amar. Ao longo do livro, conhecemos duas partes da história. O passado de Miles com Rachel, narrado por ele. E o presente. narrado por ela. O livro possui muitas cenas de sexo, mas não fiquem muito animadinhas, porque uma das cenas mais tristes desse livro envolve esse fator. E sério, é de estraçalhar corações.

"- Se sua mão infeccionar e você morrer, eu nego meu envolvimento nisso tudo.
- Se minha mão infeccionar e eu morrer, vou estar morto demais para culpá-la."


Começarei dizendo que amei o fato da narrativa ser divida não só em dois pontos de vista diferentes, mas em dois momentos diferentes. O passado de Miles e o presente de Tate. Isso deu uma dinâmica para o livro. Você fica louco pra saber o que vai acontecer nas duas histórias paralelas. O mais incrível é que o passado se junta ao presente e acaba se tornando um futuro. (vamos colar essa frase na parede do seu quarto? haha)

"(...) - Então qual dos dois você quer, Miles? - minha voz está vergonhosamente fraca - Amor ou sexo?
(...) - Acho que você já sabe a resposta, Tate."

O título do livro e a capa em si são uma grande metáfora para um dos acontecimentos e fatores principais da obra. Só digo uma coisa: água. Quando terminei de ler, vi que as coisas se encaixavam perfeitamente e gostei ainda mais do new adult.


Amo a Tate, ela é uma personagem bem real. Não é a Cinderela que pede pelo príncipe, mas também não é a garota que não liga pra nada. Ela tem uma personalidade forte e é pé no chão, embora as vezes flutue um pouco e seja um tanto quanto irritante - mas quem não faz isso, não é mesmo?

"Não sou Tate quando estou perto de Miles. Sou um líquido, e líquidos não sabem ser firmes e se defender. Líquidos fluem. É tudo o que quero fazer com Miles."

Sobre o Miles (ah, Miles), nem preciso dizer o quanto ele é sensacional, né? Não só por ele ser o tipo de cara que eu sempre sonhei, mas por sua personalidade. Ele possui aquela máscara que esconde tudo, sabe? E quando essa máscara cai...

"(...) Mas, quando você beija alguém por causa de quem a pessoa é, a diferença não se encontra no prazer. A diferenca se encontra na dor que você sente quando não está beijando aquela pessoa."

Mas talvez meu personagem preferido no fim das contas, sem ser o casal principal, seja o Cap. Os melhores quotes são dele, sério. Parecia que ele estava falando comigo, dando conselhos pra mim. 
A escrita é muito boa e a autora te conduz pela narrativa de uma maneira que você acaba de ler o livro e nem percebe.

"Estamos correndo contra nossas consequências, nossos orgulhos, nossos respeitos, contra a verdade. Ele está tentando entrar em mim antes que qualquer uma dessas coisas nos alcance."

Não vou falar muito mais, apenas recomendar a leitura. Leiam O lado feio do amor e se preparem para rir, chorar, querer socar a cara da Tate, querer socar a cara do Miles, jogar o livro pela janela e depois abraçar enquanto as lágrimas descem e seu coração é estraçalhado. Obrigada, Colleen Hoover!!

(A Mari Smile é a mais nova colunista do blog e está aqui estreando com essa resenha dupla, espero que gostem! Em breve terá um post de apresentação e uma discussão em vídeo sobre Ugly love. Seja bem vinda, Mari. Espero que goste do meu cantinho e espero que também gostem dela, leitores infinitos!)

Diferente da minha coescritora nesse blog, eu sou totalmente fissurada em romances e nos clichês eu os envolvem (talvez não tão clichê ao ponto de ser fútil, mas eu adoro romances, what can I say?). Eu já era muito fã da Colleen Hoover por conta de Um Caso Perdido e da trilogia Métrica, a autora tem um jeito único de escrever e deixar você ligado até os últimos instantes do livro. Eu acho que o que diferencia Ugly Love dos outros livros da Colleen é o jeito como o livro é estruturado, indo do passado para o presente. Só vamos entender Miles e Tate se entendermos Miles antes da Tate. Esse tipo de estruturação deixo o livro mais fluido e te prende a história porque tudo é revelado aos poucos. É um tipo diferente de New Adult

“Estamos nos confrontando. É uma disputa. É um duelo visual. É um desafio de mim para Miles e de Miles para mim. Eu desafio você a tentar parar, gritamos, silenciosamente”

Um dos aspectos que eu mais gosto na escrita da autora é o quanto ela aborda questões mais profundas como estupro, morte, suicídio e outros em seus livros. E com O lado feio do amor não foi diferente, é claro. Ele se tornou o meu preferido dela por conta da estruturação que os personagens recebem. Eu gosto muito de personagens que evoluem com a história e esse livro mostra muito bem isso. Em boa parte dele, Tate Collins, nossa protagonista, se vê entrando numa relação que ela sabe que vai dar errado, mas que ela não consegue resistir. E em muitos momentos, ela se humilha para que essa relação dê certo mesmo que de um jeito disfuncional. 


Já Miles Archer, é um personagem que desperta muitos sentimentos em nós porque nunca dá para entender qual é a do Miles: Ele gosta da Tate? O que aconteceu que o deixou tão ferido? Ambos os personagens evoluem ao ponto da Tate dizer chega e do Miles se resolver consigo mesmo, algo que me agradou. A relação dos dois durante o livro é bem explosiva e muito necessária para ambos, algo que Colleen é mestra em escrever. Temos outros personagens como o irmão da Tate, Corbin, a ex do Miles, Rachel e Cap, o fofíssimo velhinho amigo de Tate que adicionam muito a história com suas presenças marcantes (especialmente a Rachel). 


"Não entendo como pode ser tão perfeito. Como a vida e o amor e as pessoas podem ser tão perfeitos e lindos. Até não serem mais. É tão feio. A vida, o amor e as pessoas tornam-se feios. Tudo torna-se água."

O aspecto negativo desse livro na minha opinião é o começo da relação do Miles e da Rachel, que é narrado nos capítulos no passado e Miles que conta. A relação começa muito do nada e logo os dois já estão apaixonados, mas depois a coisa toda vai evoluindo e a história deles se torna tão bonita quanto Tate e Miles. 

"Ele sorri, mas não é o sorriso que eu amava em Miles. Esse sorriso é resguardado, e me pergunto se teria sido eu quem fiz isso com ele. Se sou responsável por todas as partes tristes de Miles. Agora, ele tem tantas partes tristes."

O lado feio do amor é certamente um livro que eu recomendaria a todos que apreciam romances e o gênero New Adult.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Resenha: Naomi & Ely e a lista do não beijo - Rachel Chon e David Levithan

Editora: Galera Record
Ano: 2015
ISBN: 9788501103123
Páginas: 256
Nota: 4/5

Um círculo amoroso nada comum sustentado por uma amizade anormal.

Naomi é a melhor amiga de Ely. Ely é o melhor amigo de Naomi. Naomi gosta de Ely. Ely gosta de.. meninos. E é assim que essa leitura divertida começa. Para não interferir na amizade da dupla, que é construída desde quando pequenos - e já foi quase abalada por uma briga entre famílias - os dois criam A lista do não beijo, cujo nome já deixa o significado explicitado né?! Acontece que os dois são pessoas muito atraentes, principalmente Naomi, que atrai o olhar de todos quando passa. Uma bela mentirosa - que sabe não estar mentindo pra si, no fundo. Ela namorou com Bruce, o primeiro. Mas atualmente namora - ou namorava - Bruce, o segundo. Sim, os dois chamam Bruce - ainda que não se chamem Bruce, porque acho que essa coisa dos nomes foi uma grande metáfora. Mas a garota nunca os amou de verdade. No fundo, seu coração sempre pertenceu a Ely. Em meio a brincadeiras do tipo "Vamos nos casar aqui", ela procurava esperanças para uma coisa que não aconteceria. E o garoto é do tipo "vamos brincar com os sentimentos alheios" apesar de ser uma boa pessoa e, no fundo, não querer machucar ninguém.

"Odeio o fato de que só vi Naomi nua porque no verão passado Ely estava namorando um garoto, e como Naomi odiava não ser prioridade no tempo de Ely, ela me deu prioridade no próprio tempo. Então Ely deu um pé na bunda do cara, e Naomi me deu um pé na bunda."

A amizade é abalada quando Ely beija Bruce, o segundo. No início, Naomi não liga, mas então explode. Não pelo ex-namorado, mas pelo aviso em vermelho que ficou colado bem em frente a seus olhos. Ely não gostaria dela, não como ela gostaria que fosse. E então, uma parede se ergue entre os dois - literalmente, podemos ver pelos desenhos no livro. Sim, ele é cheio de desenhos do tipo emoji, mas isso não compromete a leitura.

"Amo Naomi porque ela segura o elevador pra mim mesmo quando descer sozinha faria muito mais sentido. Amo Naomi porque se ela vê uma camisa que sabe que vai combinar com meus olhos, compra pra mim, mesmo que esteja sem grana. Amo Naomi porque quando sinto vontade de enfiar a cabeça no forno, ela gentilmente a retira de lá e assa uns cookies para mim. Amo Naomi porque ela tem a boca suja de um marinheiro, e sem dúvida aprenderia a navegar como um marinheiro também, caso resolvesse se dedicar a isso. Amo Naomi porque ela sente que deveria dizer sempre a verdade, embora nem sempre faça isso. Amo Naomi porque não preciso amá-la o tempo inteiro."

Então Naomi se envolve com Bruce, o primeiro. E então, com Gabriel, o porteiro do prédio - que estava em segundo lugar da lista. E então, as coisas acontecem.
Fico pensando o quanto seria difícil estar no lugar dela, sabe? Gostar de alguém que mora longe de você ou algo assim, é bem difícil,  mas não impossível. Já gostar de um cara que gosta da mesma fruta que você... Ainda mais quando ele é seu melhor amigo!
No início, achei Naomi - e a história em si - bem fútil. Mas conforme as coisas foram se aprofundando, percebi que não era bem assim. Quando ela resolve tirar a capa protetora, as coisas se revelam. E então ela finalmente aceita, percebe o que estava bem ali a sua frente. E vai tentar mudar, fazer as coisas certas de uma vez.

"Nunca entendi por que ser bonita precisa estar relacionado a sexo e conquista. O que aconteceu com a expectativa, o cortejo e o amor? Será que não se pode ser bonita e não querer nada com isso? Podem dizer que sou antiquada, mas estou esperando pelo amor verdadeiro. Ainda que não passe de uma fantasia inatingível."

Um ponto negativo é o fato da história tornar-se bastante confusa em certos momentos por estar dividida com pontos de vista de uma série de personagens. Juro, só Docinho bonzinho - quer dizer, Docinho de coco - ficou fora dessa. A superficialidade inicial também pode fazer com que alguém desista do livro. Mas continue porque acho que, no final, valeu a pena.


Gosto de como foi difícil para Ely contar para suas mães que ele é gay. De um jeito diferente. Muitos meninos tem medo de os pais não aceitem. Ele tinha medo também, mas por outro motivo. Porque elas sempre tiveram receio de que ele gostasse de meninos por influência das mães. Então ele teve meio que provar que era verdade e algo que partia somente dele. O que foi genial!

"Porque, embora não seja incomum que eu tenha 27 pensamentos diferentes de uma só vez, com certeza é incomum que eu consiga ouvir cada um deles atravessando minha cabeça no intervalo de tempo que levo para sair de uma sala."

É bem no fim do livro que as coisas se tornam mais densas, profundas. Adorei que tenha sido assim, sabe? A história se desenvolveu em um degradê. E acho que no fim, todo mundo vai quebrar a cara uma, duas, três, zilhões de vezes por causa de amor. Mas é assim que as coisas acontecem. E amizade também é amor, também é estar próximo. Também, seria muita crueldade ter apenas uma alma gêmea por aí no meio do mundo inteiro. Como diria Ely, e se eu quiser a minha alma inteira?!

"Sempre existem significados diferentes, palavras que são ouvidas de um jeito diferente de como foram ditas. Não existem almas gêmeas... e quem gostaria que existisse? Não quero ser metade de uma alma compartilhada, quero a porra da minha própria alma."

Naomi&Ely e a lista do não beijo não é um livro excepcional. No início, diria que seria apenas só mais um. Mas pela mensagem da obra, essa fala já não é verdadeira. Ok, não é o melhor livro do mundo, não trás mil e um ensinamentos cheios de metáforas. Não é um livro cheio de metáforas. Não vai te fazer abraça-lo e sair gritando pra todo mundo ler. É apenas um livro. Um livro por si só. Para se divertir, identificar-se, dar risada e tirar suas próprias conclusões.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Resenha: A desconstrução de Mara Dyer - Michelle Hodkin

Editora: Galera Record 
Ano: 2013
ISBN: 978-85-01-09858-0
Páginas: 378
Bastou pensar na morte. Ela veio fazer uma visita. 

Mara Dyer - um pseudônimo indicado por seu advogado - após acordar no hospital, recebe uma surpresa nada agradável, ela estava ali pois havia sofrido um acidente em um sanatório abandonado. Sua melhor amiga, Rachel, Claire e seu namorado Jude estavam mortos, sendo assim, Mara era a única sobrevivente, mas a protagonista lembra-se apenas de um jogo no tabuleiro Ouija e um filme na casa da amiga, as outras memórias foram apagadas.
Mara muda-se para a Flórida com sua família, em uma tentativa de recomeço, com o intuito de deixar o passado pra trás, mas a garota não sabia que seus pesadelos voltariam para assombrá-la. Não há uma claridade entre a realidade e as alucinações.
Na escola, a garota conhece Noah - o par romântico - e Jamie, o melhor amigo da garota. Mas coisas estranhas acontecem, coisas que ela precisa entender.
A desconstrução de Mara Dyer tem uma pegada de sobrenatural, thriller psicológico e romance. A grande premissa é o falecimento de pessoas cuja morte era desejada pela protagonista.
Vários blogueiros sempre comentavam sobre esse livro, dizendo ser um dos melhores e fazendo a maior propaganda, até que comecei a me empolgar e acabei ganhando de presente. Realmente amei, é um livro que super recomendo! Mas apesar disso, perdeu alguns pontos por um certo motivo.


A narrativa é muito bem escrita e bem detalhada, feita em primeira pessoa - o que nos permite viajar muito mais e nos confundir.

"Uma nuvem espessa de moscas entupindo sua boca. Sangue manchando a terra arenosa ao lado da pilha de madeira em uma poça larga e escurecida ao redor do cadáver. Ele merecia morrer."

Gosto bastante da personalidade da protagonista e muitas vezes me identifiquei com ela. O sentimento de justiça que ela tem e muitas outras características. Noah é o bad boy tão conhecido, mas que depois fica mais interessante. Jamie é o cara divertido, o melhor amigo. Daniel o irmão protetor, mas que ajuda a dar algumas escapadas. O fato é que todos os personagens foram bem trabalhados, no momento certo. Alguns mais, outros menos, mas não senti superficialidade alguma. A autora constrói os personagens mais por suas atitudes que por descrições, o que adoro.
O livro te deixa extremamente confuso, em certas situações não há como ter certeza se aquilo é verdadeiro ou não. Não se sabe se é loucura, algo sobrenatural ou algo do tipo. É genial!!

"Quando fui ao banheiro naquela noite, acendi a luz e olhei para o espelho para ver se conseguia encontrá-la. O exterior de uma garota que não se chamava Mara me encarou de volta. Imaginei como faria para matá-la."

Ao fim do livro, pensei estar começando a entender, devido a alguns esclarecimentos, até que WTF?! Fiquei mais confusa ainda e agora estou louca para ler o segundo livro: A evolução de Mara Dyer.
No início, achei o livro extremamente parado e clichê, principalmente quando Noah aparece. (Juro que pensei: agora o menino vai aparecer, e eis o garoto presente na frase seguinte). O romance entre Noah e Mara é extremamente previsível - pelo menos no início - e me deu a sensação de "já li isso em algum lugar", mas como não é água com açúcar eu superei e até que acabei gostando. O que me irritou mesmo é o foco do livro voltado para o romance em determinadas partes. Até quase a metade do livro, a grande premissa da insanidade/sanidade perdeu o foco para o romance clichê, enquanto muita coisa poderia ter sido trabalhada, isso me fez quase desistir, pensei "será que é só isso?" mas minha insistência falou mais alto e aí sim a premissa começou a ser bem construída.


" - Não há nada que ninguém possa fazer para consertar isso - eu disse baixinho. Finalmente. Mas então Noah se voltou para mim. O rosto estava anormalmente aberto e sincero, mas os olhos eram desafiadores ao encararem os meus. Minha pulsação disparou sem meu consentimento.
- Me deixe tentar.”
Após a página 120, é impossível parar de ler. Terminei o livro em uma sentada só.
Apesar desses pontos específicos, recomendo A desconstrução de Mara Dyer. Um livro com enredo e premissa incríveis, muito bem escrito que te deixará quase sempre em dúvida e ansiando pelo próximo capítulo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Resenha: Pausa - Colleen Hoover

Editora:  Galera Record
Páginas: 301
Ano: 2013
ISBN: 9788501401892

Sinopse:
"Destinados um ao outro, Layken e Will superaram os obstáculos que ameaçavam seu amor. Mas estão prestes a aprender, no entanto, que aquilo que os uniu pode se transformar, justamente, na razão de sua separação. O amor pode não ser o bastante.Depois de testado por tragédias, proibições e desencontros, o relacionamento de Layken e Will enfrenta novos desafios. Talvez a poesia desse casal acabe num verão solitário... Sem direito a rimas ou ritmo. A ex-namorada de Will retorna arrependida de ter deixado o rapaz. E está disposta a tudo para reconquistá-lo. Insegura, Layken começa a ler novas reações no comportamento do rapaz. E na insistência para adiar a "primeira vez" de ambos. 
Presos em uma ironia cruel do destino, eles precisam descobrir se o que sentem é verdadeiro ou fruto da extraordinária situação que os uniu. Será que é amor? Ou apenas compaixão? Layken passa a questionar a base de seu relacionamento com Will. E ele precisa provar seu amor para uma garota que parece não conseguir parar de "esculpir abóboras". Mas quando tudo parece resolvido, o casal se depara com um desafio ainda maior - e que talvez mude não só suas vidas, mas também as vidas de todos que dependem deles. "

A premissa de Pausa me deixou com um pé atrás, afinal, a história de ex-namorada voltar e estragar tudo já está bem batida, mas, como sempre, Colleen Hoover não me decepcionou, adoro essa arte que ela tem, transformar o clichê em algo diferente.
É basicamente assim que Pausa começa, com Lake na faculdade e Will no mestrado, lá ele encontra a ex-namorada, mas não conta nada para Lake por seus motivos (isso me deixou com muita raiva, porque se ele tivesse contado iria ser tão melhor e ele podia fazer isso - na verdade não, senão não teria livro, mas..) e é claro que a garota acaba descobrindo da pior maneira possível. (borboleta!) 


"Mas, às vezes, as coisas não acontecem em ordem cronológica na vida das pessoas. Especialmente em nossas vidas. Já faz um bom tempo que a nossa ordem cronológica ficou bem confusa."

Grande parte do livro é Will Cooper tentando provar seu amor por Lake, que está duvidando já que a primeira vez de ambos era sempre adiada  e agora com a chegada da ex-namorada. (e o maldito beijo na testa) Outro questionamento de Lake - esse acho bem interessante - é o de se perguntar se ela e Will não continuam juntos apenas porque tem que cuidar sozinhos dos irmãos - mas o garoto faz questão de mostrar que não.

"— Acho que talvez você esteja com ela pelos motivos errados. Talvez sinta pena por ela estar passando pela mesma coisa que você passou com sua família. Se isso for verdade, não é justo com ela. Acho que você deve isso a ela, uma nova chance a nós dois. Para você ver o que seu coração sente de verdade."

Quando essa grande briga acontece, Lake e Will ficam sozinhos e abalados, mas é bom saber que as pessoas ao redor vão ajudar, então Eddie e Gavin são os melhores amigos nessa hora, além dos irmãos e principalmente Kiersten - amiga dos irmãos que tem as melhores colocações ever. Embora Eddie tenha me feito rir e refletir muito em Métrica, Kiersten ganhou meu coração no segundo livro.
Além do apoio dos amigos, o casal tem o apoio da mãe de Lake, que deixa um presente para ambos que eu simplesmente amei!! 

"- Espere. Antes de você ir...quais são seus planos para amanhã à noite? Ela revira os olhos. - Que tipo de pergunta é essa? Você é o meu plano. Você sempre é meu único plano."

Acontece que o livro não é só isso, passa bem longe, pelo menos para mim, o verdadeiro clímax é a segunda parte. Li o livro no escuro, então foi uma grande surpresa e me fez ficar extremamente desesperada, a partir daí não conseguia mais parar de ler. Eu o li todinho em algumas horas.

"Minha namorada não fala comigo. Amanhã vou ter aula com a razão pela qual minha namorada não fala comigo. Minha vizinha de 11 anos dá conselhos melhores do que eu. Estou me sentindo um pouco frustrado."

Gosto do enredo desse livro, principalmente da mistura de emoções ao longo do livro - acredito que ainda mais contrastadas do que em Métrica - posso te garantir grandes surpresas. Definitivamente ganha cinco estrelas. Agora estou louca por This Girl - na versão do Will, mal posso esperar! 
Colleen Hoover definitivamente ganhou meu coração com Métrica, mudou os meus conceitos de romance com Pausa e me fez ama-la ainda mais com Um Caso perdido.



sábado, 9 de agosto de 2014

Resenha: Métrica - Colleen Hoover


Métrica - Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Páginas: 304
Ano: 2013
ISBN: 9788501401861
"O romance de estreia de Colleen Hoover, autora que viria a figurar na lista de best sellers do New York Times, apresenta uma família devastada por uma morte repentina.
Após a perda inesperada do pai, Layken, de 18 anos, é obrigada a ser o suporte tanto da mãe quanto do irmão mais novo. Por fora, ela parece resiliente e tenaz; por dentro, entretanto, está perdendo as esperanças. Um rapaz transforma tudo isso: o vizinho de 21 anos, que se identifica com a realidade de Layken e parece entendê-la como ninguém. A atração entre os dois é inevitável, mas talvez o destino não esteja pronto para aceitar esse amor."


Com a morte repentina de seu pai, Layken é obrigada a sair do Texas e mudar-se para o Michigan, na cidade de Ypsilanti, com sua mãe e seu irmão mais novo, Kel. Lake tem que ser o ponto forte da família, então passa a ideia de que está tudo bem, enquanto por dentro está quase sem forças. O que ela não sabia é que o destino prepara surpresas e com ela não foi diferente. Assim que Lake chega em Michigan, conhece Will Cooper e seu irmão - da mesma idade de Kel - Caulder. Os meninos se tornam grandes amigos e Lake começa um romance com Will - que está sozinho, é a unica pessoa que seu irmão possui. Mas o destino adora brincar e não demora mais que uma noite de romance para que algo estrague tudo e se torne a ponte entre os sentimentos de ambos.
"Layken - grita ele, quando estou prestes a entrar em casa (...) - que a força esteja com você! - ele ri e entra no carro enquanto eu fico parada, olhando para as pantufas do Darth Vader que ainda estão nos meus pés. Maravilha."
Alias, o romance todo inicia de vez, quando Will leva Lake para uma competição de slam - esse é um motivo pelo qual o slam é tão importante.
No slam, as pessoas sobem ao palco para recitar suas poesias com seus sentimentos mais profundos - que, pelo menos no livro, não apresentam muita métrica. Definitivamente amei isso! Os poemas mostram os sentimentos sem se preocupar com o modelo. Posso dizer que, com certeza, a presença do slam foi um dos maiores motivos pelo qual comprei esse livro, é por ele também que Métrica se diferencia de todos os romances conhecidos por aí.
" - As pessoas sobem lá e colocam o coração pra fora usando apenas as próprias palavras e os movimentos do corpo - diz ele - É incrível. Você não vai escutar nada de Dickinson nem de Frost aqui."
Ao ler a sinopse, talvez você pense "Nossa, mais um romance meloso", na verdade, é isso que penso da maioria dos romances e por isso o gênero está por ultimo na lista - só perde pra chick-lit. O único romance que li antes desse foi Belo Desastre que amei, alias! Mas tive um certo preconceito com Métrica que foi derrubado assim que virei a primeira página.
"(...) Elas não querem pensar que a vida vai continuar sem elas, que os filhos vão crescer do mesmo jeito. E vão casar. E vão envelhecer(...)"
O livro tem um pouco de tudo: romance, drama, comédia. É aquele livro pra rir e pra chorar na mesma página. Chorar de tanto rir, rir de tanto chorar. Ficar emocionado. Roer todas as unhas. Ficar irritada com os personagens (eu fiquei e muito). Mas é um livro maravilhoso, a história da Lake é emocionante e de Will também, mesmo conhecendo menos. O único problema é que as vezes a ponte parecia facilmente destrutível, mas acho que como a história acontece nos EUA, lá não seria bem assim. então no fim das contas esse incomodo acabou passando.
"Não levem a vida tão a serio. Deem um murro bem na cara dela quando ela estiver precisando de uma boa surra."
Li o livro quase que em um inteiro escuro e isso foi uma surpresa, pois pude me surpreender com cada página do livro. Os personagens secundários também são maravilhosos, com foco na Eddie, que, senhor, acho que ela é a melhor personagem secundária ever. Tem uma cena em particular no livro (que não posso contar) que me fez rir horrores, nunca ri tanto com um livro. Muito, muito bom!
Outro fator que gosto bastante é o fato de Métrica se encaixar na realidade, principalmente em relação aos sentimentos de Lake quanto a tudo que está acontecendo e um segredo que será revelado mais para o final do livro. Quem nunca preferiu continuar esculpindo abóboras a enfrentar os problemas? 
"— Você se importa se hoje a gente ficar apenas esculpindo abóboras? Tem problema se a gente não fizer nada além disso? Só esculpir abóboras? Ela sorri e volta a atenção para a abóbora à sua frente. — Claro. Mas não podemos esculpir abóboras todas as noites, Lake. Vai chegar um momento em que a gente vai precisar parar de esculpi-las."
Ah, antes que eu esqueça, todo capítulo do livro tem início com um trecho de música da banda The Avett Brothers - a banda preferida de ambos - fiquei extremamente apaixonada pelas músicas - que acabaram virando a trilha sonora da minha leitura.

Acredito que Métrica merece cinco estrelas por nos provocar vários sentimentos, sair do romance clichê, trazer algo inovador e ainda por cima, nos fazer refletir - e amar slam. Esse é um livro que fico virando as páginas e relendo algumas partes por ser simplesmente incrível. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Um caso perdido - Colleen Hoover

Um caso perdido - Colleen Hoover
Editora: Galera recod
Páginas: 384
Ano: 2014

"Às vezes, descobrir a verdade pode te deixar com menos esperança do que acreditar em mentiras... Em seu último ano de escola, Sky conhece Dean Holder, um rapaz com uma reputação capaz de rivalizar com a dela. Em um único encontro, ele conseguiu amedrontá-la e cativá-la. E algo nele faz com que memórias de seu passado conturbado comecem a voltar, mesmo depois de todo o trabalho que teve para enterrá-las. Mas o misterioso Holder também tem sua parcela de segredos e quando eles são revelados, a vida de Sky muda drasticamente."

Sem ar. Completamente sem ar. Foi exatamente assim que me senti ao terminar a leitura de Um caso perdido/Hopeless. No inicio, quando pensava em escrever essa resenha - sim eu leio o livro e penso na resenha, não me pergunte porque - pensei em dizer que tinha uma relação de amor e ódio, mas todas as coisas que faziam existir o "ódio" da relação, foram explicadas com a verdade. Maldita verdade. Ela não apenas trucidou Sky, também fui trucidada, pedaço por pedaço.
Se você leu Métrica, da mesma autora, e assim como eu, se apaixonou, Hopeless vai quebrar seu coração em um milhão de pedacinhos e construir de novo.
O livro conta a história de Sky, uma garota adotada, ilesa de problemas colegiais - até então - e sem uso de tecnologia - pelo menos em sua casa. Agora, finalmente, vai passar o último ano estudando e uma escola de verdade, seu plano inicial era ir com Six, a melhor amiga, mas de ultima hora, a garota conseguiu a oportunidade de fazer um intercâmbio, então será apenas Sky no mundo selvagem do colegial.
A protagonista tem má fama, já que é vista sempre ficando com garotos diferentes - que entram pela janela do seu quarto - mas a garota nunca sentiu nada por nenhum deles, se sente apenas entorpecida. Quando Sky chega no colégio é recebida por Breckin, um móron gay, que talvez pinte as unhas de amarelo agora que conheceu Sky. Six manda mensagens todo dia fazendo elogios - e depois Holder manda fazendo xingamentos para "desinflar" o ego.
Então Sky acaba se apaixonando pelo único garoto que a faz sentir algo, Dean Holder, que também não tem um passado muito bonito e boatos mais feios ainda. Juntos, eles vão construindo uma relação firme, superando problemas do passado e boatos. 

"Minha falta de acesso ao mundo real foi totalmente substituída por livros, e não deve ser muito saudável viver na terra dos finais felizes."

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Resenha: The 100, os escolhidos - Kass Morgan

The 100, os escolhidos - Kass Morgan

Autora:
Kass Morgan
Editora: Galera record
Páginas: 287
"Desde a terrível guerra nuclear que assolou a Terra, a humanidade passou a viver em espaçonaves a milhares de quilômetros de seu planeta natal. Mas com uma população em crescimento e recursos se tornando escassos, governantes sabem que devem encontrar uma solução. Cem delinquentes juvenis — considerados gastos inúteis para a sociedade restrita — serão mandados em uma missão extremamente perigosa: recolonizar a Terra. Essa poderá ser a segunda chance da vida deles... ou uma missão suicida."

A distopia escrita por Kass Morgan nos apresenta uma sociedade futura em que, após uma guerra com explosões de bombas nucleares, os sobreviventes da espécie humana são levados para um conjunto de satélites, formado por três "sociedades", Walden, Arcadia e Phoenix - a mais favorecida. O chanceler - quem manda na colônia - segue as leis de que cada crime cometido é penalizado com a morte, sendo que, para os menores de idade, espera-se até completarem 18 anos para um rejulgamento - mas quase ninguém é perdoado. 
O oxigênio na colônia está acabando. A solução? Mandar 100 jovens prisioneiros para a terra, para que verifiquem se é possível a habitar, e então, caso não morressem - o que não faria diferença alguma - seriam perdoados.
O foco narrativo é em terceira pessoa, porém divido em quatro partes. Cada capítulo refere-se a uma personagem, Clarke - a certinha com futuro brilhante, Bellamy - o protetor de Octavia, sua irmã, Wells - o filho do chanceler - e Glass - a garota que consegue fugir da nave.
Os 100 jovens devem sobreviver na Terra, enquanto Glass (sobre)vive na colônia. Cada um dos personagens com seus segredos e motivos por trás da entrada ou saída da nave que os levaria para o grande planeta.
O livro me fez ficar muito animada - embora tenha me sentido torturada a cada capítulo - é o tipo de história que não te deixa descansar nem por um segundo, a cada momento é uma surpresa, em um momento está tudo bem e depois, de repente, tudo desaba.
A história de Clarke é muito intrigante, admiro seu jeito de sempre ajudar os outros, embora não goste muito dessa qualidade algumas vezes e o fato de ser muito certinha, porém, a personagem foi protagonista de uma das cenas que mais me fez pensar no livro.
Bellamy é o tipo de irmão que faz de tudo para proteger quem ama, a história dele com Octavia é incrível, e te surpreende demais quando o segredo de O. é descoberto. Gostaria que Octavia tivesse maior destaque no livro, capítulos só pra ela - alias, na serie, O. é minha personagem preferida.
Wells, filho do chanceler, entra na nave para proteger Clarke, mas será que a mesma irá perdoa-lo?! Não importa, o mesmo decide correr o risco. Não gostei muito de seu personagem, mas é interessante, de certa forma, e com algumas atitudes admiráveis - todos são, alias.
Por ultimo, mas não menos importante, Glass, minha personagem preferida - gostaria que ela também estivesse na série, acredito que sua história ficaria muito bem colocada - foge da nave no último segundo, em busca de Luke, a quem a mesma amava. Sua história é cheia de reviravoltas e me fez querer pular pra dentro do livro e fazer alguma coisa, um surto diferente em cada capítulo. 
Comparando o livro com a série, ambos são bem diferentes, tendo apenas a essência em comum e alguns dos personagens, porém muitos dos motivos, segredos são outros, mas isso só lendo pra descobrir.
Tenho vontade de ler, reler e depois ler de novo. O lado ruim é que o final é extremamente "preciso ler o próximo livro" e o próximo?! Só em setembro... detalhe: nos Estados Unidos. 
Citações:
"No passado, Luke teria esticado o braço, segurado o queixo de Glass em sua mão e olhado em seus olhos até ela sorrir. Você mente mal, Rapunzel, ele diria, uma referência ao conto de fadas sobre a garota cujo cabelo crescia 30 centímetros toda vez que ela mentia. Mas dessa vez, a mentira de Glass evaporou no ar."
"(...) Esse era o problema dos segredos - você tinha que carregá-los consigo para sempre, independentemente do custo."