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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Resenha: Novembro, 9 - Colleen Hoover

Editora: Galera Record
Ano: 2016
ISBN: 9788501076250
Páginas: 352
Nota: 5/5

Você não deveria ser tão importante assim pra mim. 
Talvez o destino tenha alguma coisa a ver com isso.
Fazia muito tempo que não escrevia uma resenha porque, na verdade, fazia muito tempo que eu não lia um livro. Minha estante está repleta de não-lidos, mas sabe quando nenhum te interessa? Principalmente depois de escrever o meu livro e estar preocupada com o lançamento e outros detalhes da publicação. Mas parece que nesse fim de mês, o bloqueio literário resolveu ir embora. Foi escorrendo pelo ralo aos poucos, mas foi nesse exato momento em que tive o bendito estalo. Comecei a ler Novembro, 9 hoje mesmo, assim que minha encomenda chegou. E foram cinco horas de risadas, paixão, sofrência e um coração destruído em migalhas. Vocês sabem que eu odeio romance, mas a Colleen Hoover consegue me fazer amar cada um deles. Ela e sua habilidade de criar os melhores personagens e os melhores plot-twists. Deixando a divagação de lado, vamos ao que interessa.

"Meus defeitos são o que me faz acordar de manhã e o que me deixa acordada a noite."

Fallon costumava ser a protagonista de uma série americana famosa, mas tudo foi interrompido quando a casa de seu pai foi incendiada. Ela não costumava ficar muito lá, já que morava com sua mãe, mas estava ali naquela noite. Destino cruel? Talvez. Seu pai simplesmente esqueceu que ela estava ali e quando todos ouviram os gritos, a menina já estava ferida.

"Quem quer que tenha dito que a verdade machuca estava sendo otimista. A verdade é uma filha da puta que provoca uma dor excruciante."

Por isso, com dezoito anos, ela tem a parte esquerda do corpo repleta de cicatrizes. Desde o rosto descendo até a cintura. E é extremamente insegura com isso. Dia 9 de novembro é o aniversário do acidente. O livro começa dois anos depois, quando ela está em um restaurante com seu pai contando a notícia de que está prestes a ir para Nova York com o intuito de continuar sua carreira de atriz. Os dois começam uma briga quando ele diz que não existe mais chance para ela. Assim, de repente, surge Ben, um cara totalmente X que se mete no meio da conversa e finge ser namorado da garota enquanto a defende.

"Você nunca vai conseguir se encontrar se estiver perdida em outra pessoa."

A questão é que esse encontro culmina quando os dois acabam passando o dia todo juntos e acabam rindo, se divertindo, gostando um do outro e esquecendo o que aquela data significa. E então, criam um novo significado. Eles não poderão manter contato nenhum, mas deverão se encontrar todo dia 9 de novembro, na mesma hora e no mesmo local. E Ben tem a missão de escrever um livro sobre isso. Em troca, Fallon também tem que cumprir algumas tarefas.

"Talvez os gestos grandiosos não importem tanto quanto todas as coisas irrelevantes entre os dois personagens principais."

Novembro, 9 foi um livro que não me deixou largá-lo nem por um instante - talvez só um pouco, porque eu precisava respirar. A narrativa é totalmente ágil e, as vezes, angustiante. A premissa é sim, clichê, e lembra Um Dia - a autora até brinca com isso - mas Colleen Hoover, como sempre, consegue transformar o clichê em algo completamente diferente e incrível. A construção dos personagens também é extremamente bem feita. Fiquei com medo de não perceber o crescimento ao longo dos anos ou que a autora deixasse alguma coisa passar, mas isso não aconteceu.

"Porque quando você ama uma pessoa, tem o dever de ajudá-la a ser a melhor versão de si mesma."

Fallon e Ben são dois personagens incríveis e fortes que com certeza ganharam meu coração. No início, achei Ben um tanto quanto machista e pensei até em desistir da leitura. Mas depois, percebi que não era nada daquilo. Ainda bem que eu resolvi não parar no primeiro capítulo. Não vou falar muito sobre eles pois acho que todos deveriam conhecê-los, mas posso dizer que me ensinaram muitas coisas.


Aliás, essa é uma obra repleta de ensinamentos. Alguns estão ali, prontos para que você veja, outros estão contidos em pequenos detalhes. Mas o fato é que, sem dúvida alguma, esse não é só um livro de romance. É também sobre autoconfiança e deixar quem você ama livre. E também, sobre se amar. Foi muito bom ler essa história agora porque estava precisando ler algumas coisas do tipo. Sei que vou ficar bastante tempo refletindo sobre e eu amo quando isso acontece.

"A juventude e a beleza passam. A decência humana, não."

Nem preciso falar nada sobre as reviravoltas do livro que vão te fazer querer jogar Fallon da janela, depois Ben, depois a autora e por último você. Mas aí tudo faz sentido e tudo o que você vai querer fazer é agradecer a Colleen Hoover e pedir para que ela não pare de escrever nunca. Ah, e esses plot-twists são bem surpreendentes - eu pelo menos não imaginei.

"Mas quando se trata de uma batalha entre sua adrenalina e sua consciência, a adrenalina sempre vence."

Resumindo, se você não gosta de romance, leia Novembro, 9. Se você ama essa autora e romance, leia Novembro, 9. Se você está lendo isso aqui, leia Novembro, 9. Só leia. Mas prepare-se para juntar os pedaços do seu coração novamente.

domingo, 11 de setembro de 2016

Resenha: Boa noite - Pam Gonçalves


Editora: Galera Record
Ano: 2016
ISBN: 9788501106698
Páginas: 240
Nota: 5/5

Bem-vinda ao seu novo mundo. E boa noite.

Alina está prestes a deixar toda a sua vidinha de interior para adentrar a faculdade de engenharia da computação. No dia de sua matrícula, vê um aviso dizendo que há uma vaga disponível para a chamada república das loucuras. Pensando que talvez tenha sido o destino, a garota liga para o número disponibilizado e faz uma entrevista meio maluca por telefone com uma tal de Manu. Está tudo confirmado quando ela chega para o seu primeiro dia de aula e vê aquela parede de tijolinhos, o lado exterior do seu lar pelos próximos quatro anos
Lá, ela conhece a Manu, uma garota extremamente divertida, explosiva e aparentemente desapegada. Mas possui algumas coisas reprimidas lá dentro. Além de Talita e Bernardo, os namorados que não param de se pegar um só segundo - mas se tornam ótimos amigos de Alina - e Gustavo, o estudante de medicina que nada parece com os outros garotos. Na sua sala, vira amiga principalmente de Luana, uma das quatro únicas meninas do curso.
No início, tudo é muito divertido e diferente. Alina até conhece um menino com quem começa a sair. Mas, rumores de estupro e drogas em festas começam a correr por aí. A garota e seu time aproveitam um concurso para tentar mudar isso. Para tentar proteger as mulheres. 



Boa noite é um livro com uma ideia nada genial e uma escrita simples, mas que consegue passar o recado direitinho. A escrita da autora é completamente dinâmica e te leva com facilidade até a última página, faz com que o leitor, inclusive, queira mais. O background com o ambiente da faculdade é perfeito, fez com que eu super me identificasse com aquilo que estava lendo, já que estou apenas no segundo semestre. É engraçado como em tão pouco tempo, a gente muda tanto. Acho que a faculdade abre as portas e nós só temos que saber como usar essa abertura.

"Acho que a maioria das pessoas que chega na universidade espera que a vida tome um rumo completamente diferente... Obviamente eu também. Tudo o que eu quero é começar de novo. É nisso que eu penso enquanto encaro a parede de tijolinhos à frente. Só quero deixar tudo pra trás e enfim ser alguém legal."

Mas o livro não é só isso. Não é só faculdade, aprendizado e festas. Ele trata de um tema muito recorrente na sociedade atual: o feminismo. Não, não é um livro feminista. Não, não é algo imposto pra você. Conforme a Pam escreve e o leitor segue o fluxo, algumas coisas são ditas. Não sei se estou conseguindo explicar muito bem, mas é com uma escrita simples e fluída - me lembrou a Jennifer Brown - que a autora consegue passar a mensagem de que homens e mulheres devem ser iguais e não, uma mulher não deve ser educada para não usar saia curta, e sim o homem deve ser educado para respeitá-la. 



Além disso, um ponto que me deixou muito feliz é a bissexualidade da Manu relatada de uma forma extremamente normal. A autora não ficou em nenhum momento citando isso diversas vezes, estudando, ela simplesmente disse, naturalmente. E isso é simplesmente incríveeel!! Há muitos livros por aí que tratam a homossexualidade como algo normal - e outros que a usam como foco - mas nunca tinha encontrado um que relatasse a bissexualidade. E pois é, gente, pessoas gostam de pessoas e isso é normal!

"(...) É o que a cultura do estupro faz com a nossa sociedade, nos cala e nos tolhe os direitos."

Creio que seu principal objetivo era impactar, de alguma forma, as pessoas que leem esse livro. E ela usou sua visibilidade da melhor maneira possível passando esse recado. Então obrigada, Pam Gonçalves por me mostrar que você não precisa de uma ideia genial para escrever um livro bom. E obrigada, por mostrar para as pessoas que as mulheres devem ser respeitadas e tratadas da mesma forma que os homens. 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Resenha: Trono de Vidro - Sarah J. Mass

paticipação especial: crystal <3

Editora: Galera Record
Ano: 2013
ISBN: 9788501401380
Páginas: 392
Nota: 3.5/5

Quais são os poderes e segredos por trás das espadas de uma assassina?

Celaena Sardothien é mais conhecida como a Assasina de Ardalan. Após ser capturada e jogada nas minas para trabalhar como escrava, ela é liberada a mandados do príncipe herdeiro. Haverá uma competição que poderá ter como consequência a tão sonhada liberdade. O rei precisa de um lacaio, um assassino que faça seus serviços. Serão quatro anos de servidão e então, a liberdade. Mas não será tão fácil assim. Haverá uma competição entre vários criminosos, Celaena está entre entres. E está determinada a vencer.

"Sim, ela iria - para o Forte da Fenda ou qualquer lugar, até atravessaria os portais de Wyrd a caminho do próprio inferno, se isso significasse liberdade."

Treinada por Chaol, capitão da guarda, e apoiada por Dorian, o príncipe, ela encontrará muitos obstáculos no caminho e deverá desviar de cada um deles caso queira, de fato, alcançar seu objetivo. Mas dizer quem ela realmente é seria muito arriscado, então, a mandado do rei, ela passa a ser outra pessoa e acolhe seu alter-ego. Agora, a assassina passa a ser uma ladra de joias e atende pelo nome de Lillian. Porém, outras coisas acontecerão. Ela passa a ter uma amiga, Nehemia, mas a desconfiança pode surgir. Será confirmada? Quem está realmente ao lado dela? Ela vai vencer? Existe magia? Algumas respostas são previsíveis, outras, nem tanto.

"Bibliotecas estavam cheias de ideias. Talvez as mais perigosas e poderosas armas."

Esse é um livro que me deixou com um sentimento um tanto quanto bipolar, digamos assim. Devido a ressaca literária maldita, demorei bastante tempo pra ler. Muito mesmo. Então a leitura foi um tanto quanto arrastada, e isso prejudicou um tanto. O fator do romance também foi um tanto quanto broxante. Na sinopse da a entender que a protagonista não ligará para romances, ela está ali por ela, pela sua individualidade. Ela não é uma cinderela. Errado. Há um triangulo amoroso. Mais um? Sim, mais um. Por mais que eu tenha torcido para um dos casais - para o que não da certo, como sempre - achei que teria sido melhor caso esse triângulo não tivesse sido tão focado. Poderia estar ali, mas sem tanto enfoque.

"Celaena se movia rapidamente, como uma dançarina em um ritual, como uma serpente do deserto Vermelho, como a água que desce a encosta de uma montanha."

O ponto forte do livro, porém, conseguiu fazer com que a balança se equilibrasse. Eu amo a protagonista, ela é totalmente ácida, cheia de humor e completamente sarcástica. Forte, mas ao mesmo tempo esconde segredos e lembranças doídas no fundo da alma. Ela é pesada e leve ao mesmo tempo. E sofre. E esconde. E sorri. E xinga. E é humana. E mais, ela é uma assassina!
As reviravoltas também são maravilhosas - embora algumas previsíveis - e tudo faz sentido. A autora conseguiu criar uma história e fechar um dos ciclos. O primeiro livro cumpriu exatamente o que deveria para o início de uma trilogia.

"- Cada um faz o que pode para sobreviver."

Em resumo, Trono de Vidro é um livro equilibrado. Os pontos positivos compensam os negativos e vice e versa. Esperava mais, mas ao mesmo tempo não deixou tanto a desejar. O final te deixa curioso para começar o próximo livro - que dizem ser o melhor. Recomendo sim a leitura, mas não vão com tanta sede ao pote. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Resenha (dupla): O lado feio do amor - Colleen Hoover

Editora: Galera Record
Ano: 2015
ISBN: 9788501105738
Páginas: 336
Nota: 4.5/5

Love ain't always pretty, sometimes it's ugly...

Vamos começar essa resenha dizendo o quanto quero um Miles Archer na minha vida e o quanto amo a Colleen Hoover e seu dom de me fazer sofrer.
Tate Collins muda de cidade e acaba tendo que morar com seu irmão, Corbin, por um tempo. A primeira pessoa que encontra no apartamento não é seu irmão, mas um cara completamente bêbado que chora e chama por Rachel. E quem diabos é Rachel?! Bom, quando o irmão volta, ela acaba descobrindo que aquele era Miles, o melhor amigo de Corbin. E nem preciso dizer que os dois se sentem extremamente atraídos, né? Atração apenas sexual, no início. No meio disso tudo temos Cap, um morador antigo do prédio que costuma apertar os botões do elevador e dar os melhores conselhos da vida.

"Continuo encarando-os, meio que esperando conseguir ver ondas se prestar bastante atenção. Diria que são tão cristalinos quanto as águas do Caribe, mas na verdade nunca fui ao Caribe, então não tenho como saber."

O romance se inicia com o pacto clichê: só sexo. Mas como Colleen Hoover sempre consegue modificar os melhores clichês e as vezes o lado feio do amor vence, as coisas não serão só flores. É em meio a uma história um tanto quanto conturbada e algumas cenas angustiantes que Miles e Tate vivem um romance um tanto quanto quente. A diferença é que ele não é capaz de amar. Ao longo do livro, conhecemos duas partes da história. O passado de Miles com Rachel, narrado por ele. E o presente. narrado por ela. O livro possui muitas cenas de sexo, mas não fiquem muito animadinhas, porque uma das cenas mais tristes desse livro envolve esse fator. E sério, é de estraçalhar corações.

"- Se sua mão infeccionar e você morrer, eu nego meu envolvimento nisso tudo.
- Se minha mão infeccionar e eu morrer, vou estar morto demais para culpá-la."


Começarei dizendo que amei o fato da narrativa ser divida não só em dois pontos de vista diferentes, mas em dois momentos diferentes. O passado de Miles e o presente de Tate. Isso deu uma dinâmica para o livro. Você fica louco pra saber o que vai acontecer nas duas histórias paralelas. O mais incrível é que o passado se junta ao presente e acaba se tornando um futuro. (vamos colar essa frase na parede do seu quarto? haha)

"(...) - Então qual dos dois você quer, Miles? - minha voz está vergonhosamente fraca - Amor ou sexo?
(...) - Acho que você já sabe a resposta, Tate."

O título do livro e a capa em si são uma grande metáfora para um dos acontecimentos e fatores principais da obra. Só digo uma coisa: água. Quando terminei de ler, vi que as coisas se encaixavam perfeitamente e gostei ainda mais do new adult.


Amo a Tate, ela é uma personagem bem real. Não é a Cinderela que pede pelo príncipe, mas também não é a garota que não liga pra nada. Ela tem uma personalidade forte e é pé no chão, embora as vezes flutue um pouco e seja um tanto quanto irritante - mas quem não faz isso, não é mesmo?

"Não sou Tate quando estou perto de Miles. Sou um líquido, e líquidos não sabem ser firmes e se defender. Líquidos fluem. É tudo o que quero fazer com Miles."

Sobre o Miles (ah, Miles), nem preciso dizer o quanto ele é sensacional, né? Não só por ele ser o tipo de cara que eu sempre sonhei, mas por sua personalidade. Ele possui aquela máscara que esconde tudo, sabe? E quando essa máscara cai...

"(...) Mas, quando você beija alguém por causa de quem a pessoa é, a diferença não se encontra no prazer. A diferenca se encontra na dor que você sente quando não está beijando aquela pessoa."

Mas talvez meu personagem preferido no fim das contas, sem ser o casal principal, seja o Cap. Os melhores quotes são dele, sério. Parecia que ele estava falando comigo, dando conselhos pra mim. 
A escrita é muito boa e a autora te conduz pela narrativa de uma maneira que você acaba de ler o livro e nem percebe.

"Estamos correndo contra nossas consequências, nossos orgulhos, nossos respeitos, contra a verdade. Ele está tentando entrar em mim antes que qualquer uma dessas coisas nos alcance."

Não vou falar muito mais, apenas recomendar a leitura. Leiam O lado feio do amor e se preparem para rir, chorar, querer socar a cara da Tate, querer socar a cara do Miles, jogar o livro pela janela e depois abraçar enquanto as lágrimas descem e seu coração é estraçalhado. Obrigada, Colleen Hoover!!

(A Mari Smile é a mais nova colunista do blog e está aqui estreando com essa resenha dupla, espero que gostem! Em breve terá um post de apresentação e uma discussão em vídeo sobre Ugly love. Seja bem vinda, Mari. Espero que goste do meu cantinho e espero que também gostem dela, leitores infinitos!)

Diferente da minha coescritora nesse blog, eu sou totalmente fissurada em romances e nos clichês eu os envolvem (talvez não tão clichê ao ponto de ser fútil, mas eu adoro romances, what can I say?). Eu já era muito fã da Colleen Hoover por conta de Um Caso Perdido e da trilogia Métrica, a autora tem um jeito único de escrever e deixar você ligado até os últimos instantes do livro. Eu acho que o que diferencia Ugly Love dos outros livros da Colleen é o jeito como o livro é estruturado, indo do passado para o presente. Só vamos entender Miles e Tate se entendermos Miles antes da Tate. Esse tipo de estruturação deixo o livro mais fluido e te prende a história porque tudo é revelado aos poucos. É um tipo diferente de New Adult

“Estamos nos confrontando. É uma disputa. É um duelo visual. É um desafio de mim para Miles e de Miles para mim. Eu desafio você a tentar parar, gritamos, silenciosamente”

Um dos aspectos que eu mais gosto na escrita da autora é o quanto ela aborda questões mais profundas como estupro, morte, suicídio e outros em seus livros. E com O lado feio do amor não foi diferente, é claro. Ele se tornou o meu preferido dela por conta da estruturação que os personagens recebem. Eu gosto muito de personagens que evoluem com a história e esse livro mostra muito bem isso. Em boa parte dele, Tate Collins, nossa protagonista, se vê entrando numa relação que ela sabe que vai dar errado, mas que ela não consegue resistir. E em muitos momentos, ela se humilha para que essa relação dê certo mesmo que de um jeito disfuncional. 


Já Miles Archer, é um personagem que desperta muitos sentimentos em nós porque nunca dá para entender qual é a do Miles: Ele gosta da Tate? O que aconteceu que o deixou tão ferido? Ambos os personagens evoluem ao ponto da Tate dizer chega e do Miles se resolver consigo mesmo, algo que me agradou. A relação dos dois durante o livro é bem explosiva e muito necessária para ambos, algo que Colleen é mestra em escrever. Temos outros personagens como o irmão da Tate, Corbin, a ex do Miles, Rachel e Cap, o fofíssimo velhinho amigo de Tate que adicionam muito a história com suas presenças marcantes (especialmente a Rachel). 


"Não entendo como pode ser tão perfeito. Como a vida e o amor e as pessoas podem ser tão perfeitos e lindos. Até não serem mais. É tão feio. A vida, o amor e as pessoas tornam-se feios. Tudo torna-se água."

O aspecto negativo desse livro na minha opinião é o começo da relação do Miles e da Rachel, que é narrado nos capítulos no passado e Miles que conta. A relação começa muito do nada e logo os dois já estão apaixonados, mas depois a coisa toda vai evoluindo e a história deles se torna tão bonita quanto Tate e Miles. 

"Ele sorri, mas não é o sorriso que eu amava em Miles. Esse sorriso é resguardado, e me pergunto se teria sido eu quem fiz isso com ele. Se sou responsável por todas as partes tristes de Miles. Agora, ele tem tantas partes tristes."

O lado feio do amor é certamente um livro que eu recomendaria a todos que apreciam romances e o gênero New Adult.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Resenha: Essa garota - Colleen Hoover

Editora: Galera
Páginas: 336
Ano: 2014
ISBN: 9788501047762
"O último volume da série Slammed continua e revisita a história de Will e Layken, cujo amor venceu os mais árduos obstáculos: proibições, impedimentos, ciúme, tragédia. Mas, depois de tudo isso, os dois, agora casados, começam a se sentir seguros do incrível sentimento que os une. Quando em sua lua de mel, Lake quer saber tudo sobre o marido, Will, reticente, desembaraça os nós da própria história. Revisitamos os bons e maus momentos. E aprendemos alguns fatos chocantes... O futuro de Will e Lake agora depende de como os dois lidarão com essas revelações..."

O livro Essa garota é narrado na perspectiva de Will, alternado entre momentos da lua de mel e flashbacks do passado desse protagonista. Nele, conferimos algumas cenas novas de Métrica e outras antigas, mas sob outro ponto de vista. É muito prazeroso para os fãs da trilogia descobrirem um pouco mais sobre o que Will pensava sobre Layken, e tudo começa quando Lake pede para saber mais sobre o garoto.
Quando pesquisei sobre o livro, descobri que falaria bastante sobre segredos do passado de Will, coisas mais fortes que poderia mexer com o relacionamento dos dois, além do motivo para o casamento precoce, mas isso não foi muito mostrado no fim das contas, o que me decepcionou bastante.


spoiler: não queria contar spoiler, mas preciso comentar essas duas coisas que me deixaram bem irritada:
O casal briga, na lua de mel, após Will ter contado que Eddie e Gavin fizeram-o ter um encontro com outra garota, mesmo que ele não tenha gostado, já que Lake era a garota dele. Porém, quando Will conta que já sabia sobre a doença da mãe de Lake, a garota simplesmente faz um comentário, mas tudo continua as mil maravilhas. A pergunta é: qual é o nexo disso?
Tirando esses pontos negativos, a leitura me agradou bastante, não contém o prometido, mas ainda assim me fez reviver alguns momentos e conhecer um pouco mais de Will, Slammed me iniciou para esse tipo de romance. Obrigada, Colleen Hoover.
A leitura é leve e fluída, tanto que li o livro em um dia (a beira do mar - morram de inveja hahaha). Resumidamente, Essa garota é um livro para relembrar junto com o casal toda a história deles, uma espécie de revival e uma despedida para a trilogia Slammed com direito a cenas da lua de mel. Acredito que tenha sido um desfecho bem colocado. Me deixou com gostinho de um spin-off do Will, com a história dele antes de conhecer Lake.


Algumas citações:

"Não lembro de me sentir assim desde… nunca. Isso é novo. Assustador, emocionante, desesperador. Calmante. Cada emoção que já senti misturada com um desejo intenso de agarrar e segurá-la e nunca mais soltar."

"Então essa garota destroça completamente a janela da minha alma e rasteja para dentro dela."


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Resenha: The 100, os escolhidos - Kass Morgan

The 100, os escolhidos - Kass Morgan

Autora:
Kass Morgan
Editora: Galera record
Páginas: 287
"Desde a terrível guerra nuclear que assolou a Terra, a humanidade passou a viver em espaçonaves a milhares de quilômetros de seu planeta natal. Mas com uma população em crescimento e recursos se tornando escassos, governantes sabem que devem encontrar uma solução. Cem delinquentes juvenis — considerados gastos inúteis para a sociedade restrita — serão mandados em uma missão extremamente perigosa: recolonizar a Terra. Essa poderá ser a segunda chance da vida deles... ou uma missão suicida."

A distopia escrita por Kass Morgan nos apresenta uma sociedade futura em que, após uma guerra com explosões de bombas nucleares, os sobreviventes da espécie humana são levados para um conjunto de satélites, formado por três "sociedades", Walden, Arcadia e Phoenix - a mais favorecida. O chanceler - quem manda na colônia - segue as leis de que cada crime cometido é penalizado com a morte, sendo que, para os menores de idade, espera-se até completarem 18 anos para um rejulgamento - mas quase ninguém é perdoado. 
O oxigênio na colônia está acabando. A solução? Mandar 100 jovens prisioneiros para a terra, para que verifiquem se é possível a habitar, e então, caso não morressem - o que não faria diferença alguma - seriam perdoados.
O foco narrativo é em terceira pessoa, porém divido em quatro partes. Cada capítulo refere-se a uma personagem, Clarke - a certinha com futuro brilhante, Bellamy - o protetor de Octavia, sua irmã, Wells - o filho do chanceler - e Glass - a garota que consegue fugir da nave.
Os 100 jovens devem sobreviver na Terra, enquanto Glass (sobre)vive na colônia. Cada um dos personagens com seus segredos e motivos por trás da entrada ou saída da nave que os levaria para o grande planeta.
O livro me fez ficar muito animada - embora tenha me sentido torturada a cada capítulo - é o tipo de história que não te deixa descansar nem por um segundo, a cada momento é uma surpresa, em um momento está tudo bem e depois, de repente, tudo desaba.
A história de Clarke é muito intrigante, admiro seu jeito de sempre ajudar os outros, embora não goste muito dessa qualidade algumas vezes e o fato de ser muito certinha, porém, a personagem foi protagonista de uma das cenas que mais me fez pensar no livro.
Bellamy é o tipo de irmão que faz de tudo para proteger quem ama, a história dele com Octavia é incrível, e te surpreende demais quando o segredo de O. é descoberto. Gostaria que Octavia tivesse maior destaque no livro, capítulos só pra ela - alias, na serie, O. é minha personagem preferida.
Wells, filho do chanceler, entra na nave para proteger Clarke, mas será que a mesma irá perdoa-lo?! Não importa, o mesmo decide correr o risco. Não gostei muito de seu personagem, mas é interessante, de certa forma, e com algumas atitudes admiráveis - todos são, alias.
Por ultimo, mas não menos importante, Glass, minha personagem preferida - gostaria que ela também estivesse na série, acredito que sua história ficaria muito bem colocada - foge da nave no último segundo, em busca de Luke, a quem a mesma amava. Sua história é cheia de reviravoltas e me fez querer pular pra dentro do livro e fazer alguma coisa, um surto diferente em cada capítulo. 
Comparando o livro com a série, ambos são bem diferentes, tendo apenas a essência em comum e alguns dos personagens, porém muitos dos motivos, segredos são outros, mas isso só lendo pra descobrir.
Tenho vontade de ler, reler e depois ler de novo. O lado ruim é que o final é extremamente "preciso ler o próximo livro" e o próximo?! Só em setembro... detalhe: nos Estados Unidos. 
Citações:
"No passado, Luke teria esticado o braço, segurado o queixo de Glass em sua mão e olhado em seus olhos até ela sorrir. Você mente mal, Rapunzel, ele diria, uma referência ao conto de fadas sobre a garota cujo cabelo crescia 30 centímetros toda vez que ela mentia. Mas dessa vez, a mentira de Glass evaporou no ar."
"(...) Esse era o problema dos segredos - você tinha que carregá-los consigo para sempre, independentemente do custo."