Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
ISBN: 9788581637983
Páginas: 352
Nota: 5/5
Abra a porta. Bem vindo ao passado. Você vai deixar acontecer?!
Destrua o passado para salvar o seu futuro.
O que você faria se tivesse que escolher entre destruir o seu próprio passado e machucar a si mesmo ou ficar machucado do mesmo jeito? E se, por ventura, uma máquina do tempo passasse de fato a ser uma realidade. Isso seria bom, não é? As bombas poderiam ser desativadas, mortes poderiam ser evitadas. Exceto pelo fato que o lado bom sempre pode ser distorcido, porque sempre tem um lado sombrio querendo escapar pelos cantos. Finn e Em devem voltar para o passado e assim, destruir o futuro. Devem matar não somente a versão mais nova do doutor, James - quando ele ainda estava são - mas machucar suas próprias versões mais novas. Porém, viver em uma cela e ser torturado também é estar machucado, não é?!
"Porém, é a última linha que me faz correr desajeitada para o vaso sanitário no canto da cela. Você tem de matá-lo."
James Shaw, melhor amigo e amado por Marina, consegue descobrir a fórmula e cria uma máquina do tempo. Cassandra. Sim, ela existe. Mas, com ela, James deixa de ser quem sempre foi. Agora, Em e Finn tem uma missão: voltar para antes da invenção e matar Shaw.
Todos os nossos ontens tornou-se um dos meus livros preferidos do ano. A maneira como a narrativa é conduzida faz com que o leitor devore a história em algumas horas. É impossível não ficar preso a aquele cenário distópico, impossível não querer saber mais e mais e mais.
Todo capítulo termina com uma frase de impacto, isso pode parecer um clichê ruim, mas é maravilhoso. Não cansa em momento algum. A autora soube como começar e terminar, fez isso com muita maestria. Além disso, a história é complexa. Muito complexa. É preciso atentar-se aos detalhes, nomes e momentos. No início, nada vai fazer sentido, mas depois as peças começam a se encaixar. E, quando elas se encaixam você com certeza vai sentir a mesma vontade que eu senti: gritar "esse livro é muuuuuito boom! Socorro!" a quatro cantos.
"Mas James não conseguia me ouvir. Estava além das palavras. Urrou como um animal ferido enquanto destruía a biblioteca. Eu sabia que devia pará-lo, consolá-lo de alguma forma, mas não conseguia. Meu melhor amigo no mundo de repente era algo estranho e ausente."
Até mesmo o desenvolvimento dos personagens é impecável. A mudança do passado para o futuro é construída não nos mínimos detalhes, mas usando o essencial. O leitor consegue entender realmente porque as personalidades mudaram.
"Sinto falta dessa menina, e desse menino. Sinto falta deles há anos, mesmo que não tenha sido capaz de admitir. E, agora, tenho de acabar com a vida de um e devastar a da outra."
Não posso contar muita coisa, pois grande parte do livro é feita de spoilers. A única coisa que digo é: preparem-se para uma narrativa incrível de tirar o fôlego. Você vai terminar de ler, abraçar o livro e implorar por mais. E vai chorar também, eu acho.
"A verdade é que às vezes o mundo simplesmente é uma merda."
Uma distopia incrível que vai te fazer refletir sobre até que ponto é possível controlar uma nação. E também, a que ponto um ser humano pode chegar devido a uma ambição. Algumas coisas podem cegar, outras te fazer enxergar. Uma viagem no tempo que chacoalha a cabeça de cada leitor.
É impossível terminar de ler Todos os nossos ontens sem ter alguma reação, sem ao menos refletir, pensar sobre algo e tirar algum ensinamento. A crítica está lá, por trás, velada. Esse livro é simplesmente genial!
"Penso em quantas lágrimas Marina vai derramar e todas as maneiras diferentes como ela vai despedaçá-la. Todas as pessoas que vão morrer."
Obrigada, Novo Conceito, por terem me enviado a obra. O melhor lançamento desse ano, sem dúvidas. Só assim pude ter a chance de conhecer esse novo universo.























