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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Resenha: Sophia Abrahão Numa outra - Camila Fremder

Ano: 2016
ISBN: 9788584390526
Páginas: 160
Nota: 4/5
Editora: Paralela

"Faz o meu mapa?"

Não vou negar que quando soube do livro da Sophia, torci o nariz. Nesse mundo repleto de youtubers lançando livros - que são mais produtos de marketing - com biografias e a maioria nem escrevendo ou lendo o próprio livro, criei um certo preconceito, confesso. Sim, o nome disso é marketing, mas a sociedade funciona assim, não é?! E claro que eu sei que alguns youtubers escrevem, de fato, o livro. Mas enfim, não vamos entrar nisso. O fato é que sempre vi a Sophia falando que quem escreveu o livro foi a Camila, dando os devidos créditos e importância para a autora e pensei "poxa, é por isso que eu me orgulho tanto dela". E sabendo que ela estava aqui para me apoiar com meu livro, não seria nada justo não dar ao menos uma chance para o livro dela. E foi na fila da sessão de autógrafos que, com muito medo - confesso, abri Numa outra e comecei a ler.

"O mundo precisa de mais amor e menos julgamento."

O livro contém diversos contos com histórias vividas pela atriz. Desde sua viagem a China, passando pela época em que participou da novela Rebelde, até um texto inteiro falando sobre sua paixão por astrologia. A letra é maior do que a que estou acostumada e o livro é cheio de imagens de ensaios e fotos do instagram, dando uma maior dinamicidade para a leitura.



A única coisa que atrapalhou na hora de ler é o fato de algumas palavras ou frases estarem cortadas e intercaladas por várias páginas de imagens.

"Cada pessoa tem um tipo de corpo e um tipo de beleza."

Foi muito legal descobrir um outro lado dela, também. Parece que com esse livro pude conhecer mais da Sophia sem o Abrahão. E amei! Descobri como funcionava o seu trabalho na China, o que ela sentia em relação aos colegas de elenco em Rebelde e ainda percebi alguns babados fortíssimos! Hahaha


Porém, esse é um livro para todos aqueles que já conhecem Sophia Abrahão. Foi uma obra feita para os fãs, como se fosse um presente. Então não tenho certeza se todos iriam gostar de ler. Mas acho que vale a pena dar uma chance.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O mundo das vozes silenciadas - Carolina Munhóz e Sophia Abrahão

Editora: Rocco - selo Fantástica
Ano: 2015
ISBN: 9788568263242
Páginas: 288


Um novo ciclo e o reino silenciado.

O Mundo das vozes silenciadas é o segundo livro da série O Reino. (você pode conferir a resenha do primeiro livro aqui). 
Anos se passaram após a decisão de Sophie de deixar o reino e enfrentar os problemas da vida real. Depois da fase de bullying e depressão, acompanhamos uma nova etapa de existência, a vida adulta. Quando o livro começa, a garota já terminou a faculdade e agora é assessora da banda de rock Maguifires e namora justamente um dos membros, Nicholas. Mas um fantasma do passado a assombra, Léo. Os dois namoravam e acabaram terminando de uma maneira um tanto quanto difícil, mas o garoto não saia da cabeça de Sophie.

"Após aquela comemoração, eles tiveram uma última e longa discussão, e Léo a deixou em casa em lágrimas incessantes. Pouco depois, ele lhe enviou uma mensagem:
Estaremos sempre em nosso aquário, AC/DC."

Nesse livro temos muito mais vida real e muito menos reino, o que me agradou bastante. Gosto de enxergar o lugar mágico mais como uma metáfora que uma realidade paralela, mas acho que no fim das contas é justamente isso, cada um tem um reino, um refúgio. Isso é o que mais me encanta na narrativa.

"- Você está distante hoje - reparou Nicholas diante da porta do quarto.
- Então me faça ficar mais próxima... - sussurou a jovem."

Outra coisa pela qual me encantei é poder ter conhecido um pouco mais desse mundo de bandas nos bastidores. O livro mostra bastante da coisa de marketing, os problemas com a imprensa, o que dizer e o que não dizer e as consequências que cada palavra e cada ato podem trazer. É tudo meio que cronometrado. Isso é um dos principais motivos que deixa Sophie um tanto quanto perdida.

"Ali perto, dois Tirus discutiam por escamas de sereia e pó de fadas. Ali perto, dois Tirus discutiam por causa de um estranho tipo de pão, que tinha cor lilás. Sophie viu o quanto estavam alterados, e o conflito poderia partir para uma agressão física a qualquer momento. Aquilo era totalmente inesperado para seu local mágico. O Reino parecia ter saído de um conto de fadas, e gostava de acreditar que ali nunca havia gritos e discussões."

O que me irritou no início do livro é o plot principal. O tempo inteiro a garota não consegue se decidir entre ficar com o Nicholas ou com o Léo - que agora faz parte da banda Unique - e isso é tão clichê que comecei a ficar com medo do que poderia vir em frente. Estou um pouco saturada de triângulos amorosos, principalmente quando um casal é mais meloso que o outro. Além de tudo ter ficado um tanto quanto superficial. Mas essa irritação mudou ao longo do livro, vocês vão logo saber porquê.

"Parecia uma cena de guerra, quando os dois exércitos param frente a frente para se encarar antes da batalha. Sophie manteve os olhos fixos em Léo, mas continuou segurando com firmeza a mão de Nicholas. Estava um pouco trêmula, e a força do namorado lhe transmitia um calor bem-vindo."

Temos temas mais polêmicos, também. Samantha - minha personagem preferida - é aquela típica inconsequente, sabe? Mas ali dentro havia muitos problemas e confusão. A garota se envolve com muito álcool e drogas, isso me chamou a atenção, pois não é um assunto muito tratado ultimamente. Acho que poderia ter sido mais desenvolvido, mas como é um livro mais voltado para o público infanto-juvenil, é compreensível.


Há um momento em que Sophie de fato pira com toda a coisa de imprensa, principalmente com a pressão sobre seu romance não assumido com Nicholas, e então tem uma recaída, o que influencia muito no reino. Quando ela acorda no lugar mágico, tudo está diferente. As vozes de repente foram silenciadas - já falei que amo essa metáfora? - e tudo está morrendo aos poucos. Mama Lala deixa uma missão para a garota, decifrar três novas cartas do tarô que dizem muito sobre ela.

"Lembre-se, princesa: existe magia até mesmo na dor."

É aí que tudo começa a ficar ainda mais interessante. Gosto muito dessa parte pois as autoras souberam conduzir muito bem os pensamentos de Sophie. A Carol conseguiu aprofundá-los e me fazer sentir como a protagonista. No final tudo fez sentido pra mim. O livro começa com um clichê mas termina com uma mensagem incrível, e acho que esse é o maior motivo pelo qual recomendo O mundo das vozes silenciadas e digo que gostei bastante. A protagonista percebe que não precisa ter sempre um companheiro para ser feliz. É muito bom também ter um tempo sozinha, se descobrir. Acho que essa é uma mensagem que muitos deveriam ouvir, principalmente os jovens. Obrigada, Carol e Sophia, por terem-na transmitido. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

[No mundo da música] 3 clipes que me fizeram sair do chão



É claro que ela não poderia faltar aqui, não é?! Esse foi um dos clipes lançados esse semana que me fizeram esquecer como respira. A música é maravilhosa e tem tudo a ver com um momento passado da minha vida. Acho que ela conseguiu inovar no clipe em relação a todos os outros que vinha fazendo, dessa vez há uma história, mais sentimento e tudo conseguiu se combinar perfeitamente! (Boatos que doeu muito a parte em que a Júlia e o Caio separam as mãos quando ela tem que tirar fotos e dar autógrafos).



Essa é minha música preferida do novo álbum da cantora, Honeymoon - não gostei muito dele em si, talvez tenha sido o seu pior, mas essa música com certeza se destaca. E com o clipe não é diferente. Por mais que seja bem mais parado e reflexivo, cheio de metáforas, imagens e todas essas coisas, difere bastante de muitos clipes dela. Na maior parte há ela e um outro homem ou algo semelhante, gosto desse clipe porque ele justamente corta essa fase. E outra, a Lana sorriu no clipe, gente, acho que isso é um milagre! haha Em resumo, achei meio paradinho, mas ao mesmo tempo incrível. Como não se apaixonar pelas cenas embaixo da água?!



Alguém poderia, por favor, arrumar uma máscara de oxigênio?! Parabéns para a Halsey, pela música e essa narração incrível no começo, além da atuação. Parabéns aos produtores por saberem exatamente o que fazer e quando fazer. Fiquei presa dentro da história do início ao fim, até me deixou arrepiada. Absolutamente tudo faz sentido nesse clipe. A música foi parada nas horas que deveria, parece que até mesmo os movimentos, as ações, acompanhavam o ritmo. Ainda estou sem fôlego! Halsey com certeza é a principal aposta para as novas cantoras do meio!

sábado, 12 de setembro de 2015

O dia em que um sonho de quatro anos se realizou...

Hey, bookaholics! Sentiram minha falta? Parece que o universo decidiu conspirar contra a minha pessoa e meu computador morreu, etc, o efeito murphy em alta escala (por isso dei uma sumida). Mas esse universo é extremamente bipolar e mês passado ele resolveu me presentear com os dois melhores dias da vida! O meu evento, que já contei pra vocês, e........ Ganhei uma promo e passei algumas horinhas em um bate-papo com a Sophia Abrahão e mais quatro meninas!! Como vocês sabem, sou fã dela desde 2011, já tive oportunidade de vê-la, abraçá-la, mas nunca durou mais que 10 minutos no máaximo. Ficava no meu quarto imaginando cenas e mais cenas, momentos em que nós tivéssemos mais tempo juntas e depois de quatro anos esperando esse sonho se realizou!! Uma das maiores provas de que sonhos se realizam sim! O que me deixou mais feliz ainda é que para concorrer, você teria que enviar um poema baseado no livro dela e da Carol, O Reino das Vozes que não se calam! Ganhar por si só já me fez muito feliz, e ganhar por uma coisa que eu escrevi mais ainda!!
Eis que o dia chegou e eu estava mega nervosa como sempre, mas aos poucos fui conseguindo me controlar (um milagre, porque quem fica comigo em fila de evento sabe como eu fico meio surtada hahaha). Foi incrível e é um momento que ficará para sempre guardado em minha memória.
E tem mais!! Lá a gente bateu um papo sobre o livro e outras coisitas mais e... esse café compôs um dos últimos episódios da websérie O Reino das vozes que não se calam!
Vou deixar aqui pra vocês o meu poema e o vídeo pra que vocês possam ver um pouquinho de como foi esse momento <3
Ela caminhava sob espinhos,
Sentia cada um deles espetando a sola dos pés,
Como cada xingamento,
Cada apelido maldoso,
Cada condenação fútil e vazia!
Andava em meio à maldade.
Bom, é assim que as coisas funcionam na sociedade. 
Somos diferentes,
Mas quem é menos igual não é aceito.
Até quando vamos nadar nesse mar de preconceito?!
Seja quem todos lhe mandam ser: 
Siga as regras,
Ajuste-se aos estereótipos,
Seja a garota da capa de revista, 
ou as coisas não vão melhorar.
Os olhos choviam, as palavras sumiam
Não conseguia se defender.
Magrela. Girafa. Olívia Palito.
Eram tantos apelidos... 
que nem conseguia contar.
Os pais, antes ausentes, perceberam a confusão.
Disseram: - Depressão é curada com remédios!
Eles não sabiam... 
O problema era a alma ferida, o coração despedaçado.
Nenhum elixir a consertaria, não.
Ela dormiu para parar o tempo.
Durante o sono, alguém reconheceu o seu talento.
Encontrou seu refúgio, seu lar...
O único lugar onde não havia dedos para lhe apontar..
Sorria de dentro pra fora,
Um mundo a iluminar.
As vozes ainda mais vibrantes, 
que deixaram de julgar.
Esse lugar era seu reino
E ela, uma rainha amada...
Mas ao acordar a escuridão retornava,
Deixando as cores no fundo do mar.
A realidade arranca a veracidade do sorriso...
Disfarçado por um: - Está tudo bem! 
A verdade é que ela sabia fingir, também.
Então foi surpreendida por um anjo,
Um motivo para continuar a andar...
E perguntou-lhe: 
- Como alguém como eu seria digna de amar?
O anjo respondeu a pergunta,
Dia após dia... 
Enquanto um belo sorriso se abria.
Voltava ao reino todas as noites,
Havia um dilema a solucionar. Deveria ser feliz pra sempre, Ou deveria voltar?
O anjo a ensinara uma lição: - Às vezes a tempestade é forte,
A bonança tardia.
Mas é preciso enfrentar os problemas,
É preciso parar de fugir. Felicidade plena não existe,
E nunca vai existir. 
Ela deveria enfrentar o dia a dia. 
Deu adeus ao Reino das vozes que não se calam... E coloriu o mundo!

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Resenha: O Reino das vozes que não se calam - Carolina Munhóz e Sophia Abrahão

O reino das vozes que não se calam - Carolina Munhóz & Sophia Abrahão
Editora: Rocco (selo fantástica)
Páginas: 288
Ano: 2014
ISNB: 9788568263006
Sinopse:
"Em sua estreia na Rocco e marcando também a chegada do selo Fantástica, a escritora Carolina Munhóz, ganhadora do Prêmio Jovem Brasileiro por seu primeiro livro, A fada, apresenta O Reino das vozes que não se calam, escrito em parceria com a atriz e cantora Sophia Abrahão. Espécie de conto de fadas contemporâneo, em que um mundo mágico é palco para uma história de autoconhecimento e o poder dos sonhos, o romance conta a história de Sophie, uma garota cansada de sofrer com a indiferença das pessoas até descobrir um Reino onde seus talentos são reconhecidos. Cedo ou tarde, porém, ela terá que decidir entre a realidade e a fantasia, numa jornada repleta de descobertas e desafios."

Talvez essa seja a resenha mais difícil de fazer, no quesito profissionalismo, como já havia dito antes, sou mega fã da Sophia Abrahão, que ajudou a escrever esse livro em quatro mãos, e claro que há um lado fã nisso tudo, tenho que dizer que estou orgulhosa, sim, mas antes de começar essa resenha, gostaria de dizer que toda a minha opinião é realmente verdadeira, sem influências em relação ao quesito fã.
Bom, no inicio tive um imenso preconceito com esse livro, sabendo que a Carol escreve vários livros de fada e esse universo fantástico, coisa que não gosto, aquele tipo de livro que não é mim, sabe? Quando soube que haveria um reino colorido cheio de arco-iris e seres mágicos, torci o nariz, mas a história está aí no papel pra provar que eu estava errada.
O Reino das vozes que não se calam conta a história de Sophie, uma garota bem magra - o que foge de todos os padrões de beleza atuais - e que é constantemente taxada de anoréxica e outros apelidos do tipo, de modo que ninguém entende que ela é assim e pronto. A garota tem uma melhor amiga, Anna, super popular e falante, enquanto Sophie vive em um mundo cinzento, mas os opostos se atraem, não é?! Bom, até um certo ponto...
A Protagonista
Uma das melhores qualidades de Sophie - além de ser extremamente alternativa, e sim, eu ameeeei isso - é o modo como reflete sobre si mesma e o mundo e que, mesmo estando tudo sem vida, não perde o humor - mesmo que isso seja uma forma de cobrir seu sofrimento. Quando li o primeiro capitulo, achei que seria mais uma personagem superficial, com problemas superficiais, mas - não sei se por causa do momento em que li - afundei na história e a personagem realmente me cativou, muitas vezes me identifiquei com ela.

Depressão e Sentimentos
O modo com que a depressão é tratada nesse livro deve ser lida como um filtro. Por ser um livro infanto-juvenil a linguagem é mais leve, mas ainda assim nos faz refletir. Por meio de palavras não tão densas, as autoras conseguiram passar a ideia do mundo cinzento, parecia que as páginas eram feitas de chumbo. O leitor que ler apenas por ler, não vai perceber a profundidade do livro e do assunto, é preciso parar para observar e refletir. 
Há um momento em que a garota começa a tomar medicamentos por causa da depressão, depois que tudo desmorona, e isso acaba tendo algumas consequências que não eram pra acontecer, não sei se a intenção foi fazer uma critica, mas eu particularmente não concordo com essa história de remédios. Porém, em relação a eles, é claramente compreensível o motivo pelo qual a garota aceita toma-los, pelo meu ver em relação a ela, não havia nenhum motivo pelo qual não tomar, sabe? Já que as coisas estavam tão ruins, e tudo o que ela queria era fechar os olhos pra poder ser feliz..
Uma coisa que me incomodou em relação a isso foram as conversas com o psicologo, alguns diálogos foram melhores, mas achei um pouco desnecessárias algumas partes, por não terem reflexo (?).
Fora isso, a dor foi tratada da maneira como deveria ser e me levou junto com a protagonista, em certa parte da história, me identifiquei tanto que parecia que nós duas eramos uma só.

O reino e a analogia
A parte do reino colorido, gatos falantes, guardiãs, primeiro ministro, arco-iris, fadas, etc, realmente não gostei, mas porque não gosto muito de fantasia, porém achei incrível o modo como as autoras inseriram o reino no contexto do livro. Há quem leia e diga que o reino das vozes que não se calam era real, há que diga - como eu - que não passava de sonhos, fantasias que nos fazem bem. 
Cada um de nós tem um reino a visitar, cada um de nós tem um lugar ideal e ele não precisa necessariamente ser um lugar fantasioso. Cada um de nós possui uma ideia de felicidade e cada individuo foge para um lugar diferente quando está se sentindo pesado como chumbo. O seu reino pode ser a música, pode ser o teatro, o seu reino pode ser os livros que você ama ler. O seu reino pode ser qualquer um, basta estar em um lugar e se desligar do mundo, não é assim? Todo mundo merece um lugar em que possa descansar das armadilhas e baixos da vida. O seu reino pode até ser alguém.
Do meu ponto de vista, o foco do livro não é o reino em si, mesmo quando ele aparecia, o foco foi dado em sua ideia, na premissa de O reino das vozes que não se calam. A grande dúvida entre "ser feliz em um lugar em que todos te aceitam ou aceitar e enfrentar os problemas na vida real para ser feliz na outra dimensão?" Acredito que o objetivo do livro foi responder justamente essa pergunta e respondeu, muito bem, que é preciso sim voltar para a realidade, é necessário acordar do transe e enfrentar a vida. 
O Reino é aquele lugar feliz, aquele lugar que te acolhe e te faz esquecer os problemas, mas uma hora é necessário voltar. É o que dizem todos daquele reino, principalmente sua avó e a guardiã, que antes de se tornar a princesa, ela deve resolver as coisas na outra dimensão.


O romance
Sua dimensão começa a fazer mais sentido quando ela conhece Léo, um garoto que a entende e tem praticamente vários gostos iguais, são unidos por tanta coisa, mas principalmente pela música. Não é um romance meloso como esperei que seria, pelo contrario, mas também não fiquei completamente apaixonada pelo casal, e sim pelos diálogos, pela amizade maior do que tudo entre os dois. Acho que o Léo é mais do que um namorado, ele é alguém, ou como diria grey's anatomy, a pessoa de Sophie, e todo mundo precisa de uma pessoa. 
A amizade de Sophie e Anna também é bem tratada, aquela amizade de ferro que vocês podem brigar e se distanciar, mas sabem que ainda se importam com a outra e o primeiro passo que alguém der, bom, vocês irão voltar a se falar.
A amizade dela com Mônica é a inesperada. Gostei bastante dessa personagem, principalmente pelos toques de realidade que ela dá em Sophie, como em relação a ela dar mais espaço, porque com certeza há gente que gostaria de conhece-la melhor.
A relação com os pais também é bastante intensa e gostei da maneira como foi trabalhada. 
Dei vários suspiros e várias risadas com muitos desses diálogos.

A música
A música é uma das bases desse livro, além da premissa. Sophie tem o talento de cantar, mas o esconde até certo ponto. Léo também é apaixonado por música. O reino é movido por música. Então há de se esperar que ela esteja entre as páginas mágicas. O livro também faz referência a várias músicas maravilhosas, algumas internacionais e outras nacionais, da própria Sophia (Abrahão). Gostei bastante que na ultima página do livro está localizada a trilha sonora. Genial! hahaha

Diagramação
A letra possui um tamanho ideal, as páginas são meio amareladas, e nem preciso falar sobre os desenhos no início de cada capítulo. Extremamente caprichada e muito bonita. Vale contar que eu sou apaixonada pela quarta-capa! 

O final do livro não me agradou muito no quesito realidade, não sei se vocês sabem, mas prefiro finais mais realistas e meio melosos, e nesse aconteceu o contrário. Acredito que tenha sido muito fantasioso e fico me perguntando, essa conclusão mostra a ideia de que "então tenho que conhecer algum garoto e ele vai me fazer feliz, aí vai ficar tudo bem", mas na vida as coisas não acontecem assim. Porém, como já esperava essa final mais "felizes para sempre", não foi uma decepção tão grande, e a história em geral me agradou bastante. 
A escrita foi maravilhosa, te puxa pra dentro da história e você não consegue mais parar de ler. O final deixa um gostinho de quero mais, e também uma necessidade de saber o que acontece depois. Mas acredito que o livro no quesito número de páginas tenha a medida certa.
Concluindo, O reino das vozes que não se calam é um livro que me surpreendeu e foi, de certa forma, o meu reino, durante a leitura. É um livro com linguagem leve, mas que mesmo assim nos faz refletir e traz a mensagem de que sim, é possível ser feliz.
Citações preferidas:

"Sua vida está escura como esse tecido, embora você sempre brilhe no mar de lamentações de seus dias. Se não existisse luz em você, seria impossível localizá-la."

"Eu vejo uma jovem um pouco perdida, talvez revoltada demais com o mundo. Não sei porque razão. Redescubro uma garota com uma voz linda e uma facilidade incrível de transportar sentimentos para melodias no papel. Uma pessoa que fala o que pensa e pensa o que sente, talvez madura demais para a idade. Vejo uma pele difícil de ser esquecida e um sorriso que pode ser mágico quando quer. Gosto dos meus lábios, porque lembram os da minha mãe. E das minhas sobrancelhas, parecidas com as do meu pai. Mesmo achando que meu cabelo ruivo tem mais personalidade do que eu, ainda é legal o modo como ele mostra o quanto minha alma é única. Acho que sinto isso. Que sou diferente, mas isso é bom. Que quanto eu peso ou como me visto não importa se eu estiver bem comigo mesma."

"Desde a primeira vez que as vira, sabia que ela era como um passarinho com asas quebradas.
Não queria consertá-las.
Mas gostaria de tentar encorajá-la a se curar e voar."

"Serio que nem vai fingir que a ligação caiu? - falou o garoto do outro lado da linha - Dá pra ouvir a sua respiração."

"Ninguém pode fazer outra pessoa feliz. Nós precisamos encontrar a nossa própria felicidade. Eu nunca achei que fosse digna de ser feliz. Esse sempre foi o grande problema."