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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Fluorescente.


Ela estava esperando do outro lado do mar. Ficava se perguntando quantas ondas passaram no período de tempo em que ela estava ali, parada. E em um instante, em um piscar de olhos, a onda não era apenas uma onda. Parecia estar maior e mais brilhante. Fluorescente. Havia alguém ali no meio daquele túnel formado pelas águas. A garota, que antes tinha medo de se molhar, simplesmente entrelaçou suas mãos com os dedos que atravessavam as águas e se jogou. Foi um mergulho doloroso e só aconteceu porque ela se permitiu, por um instante, mergulhar. E foi contra seus medos. Simplesmente deu a mão para quem estava ali. E foi.
E se eu te dissesse que a onda me trouxe você?!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Faking it e rótulos


O oitavo episódio da terceira temporada de faking it tratou de um assunto muito interessante e que deve ser cada vez mais explorados: rótulos. Antes de começar a refletir, vou deixar vocês um pouco mais situados do que aconteceu nesse momento. 
Um feriado religioso seria decretado e os alunos ficariam sem aula. Porém, algumas pessoas acabaram achando que seria desrespeitoso para aqueles que não seguiam essa religião. Então, a diretora propôs junto a dois alunos que todos se rotulassem para que definissem a sua personalidade e assim não houvesse mais problemas. No final, uma das protagonistas, Amy, é praticamente forçada a se rotular. A solução? Ela cola todos os adesivos no corpo. Ela é uma mistura de tudo ao mesmo tempo e não quer ser rotulada, não quer ser definida.
Agora, vamos esquecer um pouco o episódio e pensar na sociedade atual. Vivemos em um mundo repleto de rótulos e cada vez mais as pessoas são consideradas objetos. Elas são caracterizadas por essas etiquetas. Ninguém mais olha para o outro de fato, digo, lá no fundo, interiormente. Poucos tentam entender o outro sem primeiro olhar para os adesivos que ele contém. Aqueles que ainda não descobriram muitas coisas de sua personalidade, sentem-se forçados a se definir e quando não conseguem ficam desesperados e se sentem uma aberração. Se você é uma dessas pessoas, eu te digo: o nó que se formou na sua cabeça é saudável. Cuide desse nó e deixe ele aí.
Isso tem que acabar. Para explicar um pouco do que penso, vou usar um exemplo mais conhecido e citado, mas isso não significa que isso não deve ocorrer com outras coisas. Vamos falar de sexualidade. Primeiro deve-se partir do ponto que todos somos pessoas. Pessoas com sentimentos, medos, defeitos, qualidades e diversas características que estão em constante mudança. E creio eu que não se deve gostar da pessoa pelo seu gênero, mas pelo que ela é. 
O maior exemplo disso é a comunidade bissexual. Os bissexuais não estão confusos e não necessariamente preferem um lado ao outro. São pessoas que gostam de pessoas. E elas não precisam escolher. Ninguém precisa escolher. Heterossexual. Homossexual. Bissexual. Isso não importa. No final, somos todos diferentes p-e-s-s-o-a-s.
Ninguém deve ser definido por sua religião, cor da pele, opção sexual, etnia ou até gostos musicais. Talvez meu maior sonho social seja que a sociedade um dia acorde e perceba que as pessoas não são feitas de rótulos, elas são feitas do que elas são. E isso sim deve ser levado em conta. Arranque todos os nomes que estão adesivados em seu corpo e apenas se jogue na vida. Se joga!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Nunca deixe a porta aberta (conto de terror)


Nunca deixe a porta aberta.
Meus dedos tamborilam no apoio da cadeira. Há um homem velho, visivelmente tomado pela idade, que me encara. Como se quisesse arrancar algo de mim. Como se pudesse arrancar algo de mim. Não sou eu que crio o ritmo das batidas. Um. Dois. Três. Bate. Um. Dois. Três. Bate. Sigo apenas o som que meu pensamento emite. Faço apenas o que sou induzida a fazer. Não sou eu quem faz o ritmo. Sou eu, minha querida, quem te comanda. Ele me pergunta onde estava no sábado passado. E repete. E repete. Repete a mesma pergunta em um ciclo vicioso enquanto minha vontade é cravar as unhas em seu pescoço e gritar que nem sei se eu estava aqui no sábado passado. Porque ela estava. Sei o que comi no almoço. Mas não consigo me lembrar o porquê de não estar na minha própria cama durante a manhã. Acalme a respiração. Um. Dois. Três. Bate. Um. Dois. Três. Bate. Por que você é tão fria, querida? Parece que não sente nada. Ele me diz. Talvez eu tenha desejado tanto ficar gelada que realmente consegui, é o que quero dizer. Mas ela me obriga a ficar quieta. Um. Dois. Três. Bate. Ficamos nos encarando por longos minutos. Quero que o tempo acabe. Preciso voltar para a casa e aproveitar o curto período de tempo em que quem faz o ritmo sou eu. Voltar para a segurança de saber o que de fato estou sabendo. Mas ninguém precisa saber. Ninguém precisa saber. Os sons misturam-se em minha cabeça e escuto meu pai gritando enquanto estava com uma faca na mão. Escuto o som quase inaudível das lágrimas caindo na calçada. Sinto o mesmo medo que senti quando consegui focar o meu corpo todo cheio de sangue. O sangue que não era meu. Como saí correndo até a casa e não encontrei minha mãe e como meu pai gritava comigo. O que você fez, menina? O que você fez? Mas não era mamãe. Era apenas um cachorrinho. Aquele que ganhei no natal. É um treinamento. Quem é você?! Quem sou eu? Sou o seu lado escuro. Talvez eu tenha aberto a porta. Talvez... Talvez.... Eu te deixei entrar, não deixei? Um. Dois. Três. Bate. Um dois três bate um dois três bate. Um. Dois. Três. Bate. Não gosto do jeito que ele me olha. Ele sabe, é claro que sabe. Senão você não estaria aqui. Quero que saia daqui. Quero que vá embora!!!! Você pediu para que eu viesse. Você pediu para que fosse gelada. Você desejou a morte deles e estamos trabalhando nisso. Eu não pedi a morte de ninguém. Eu... só... Um. Dois. Três. Bate. Retiro as minhas palavras. Perco minha alma, perco meus sentidos. Porque você nunca foi você de verdade. Todo mundo tem o seu lado escuro e eu sou o seu.
Pego o bisturi escondido no elástico da calcinha e deixo que o sangue espirre em minha roupa. Não sinto nada. Mas algo me incomodava no sorriso dele.

Como não consegui fazer nada a tempo do halloween e esse é meu feriado preferido, resolvi improvisar um tanto quanto atrasa e fazer o meu conto de terror. Acho que ta valendo, né?! Espero que tenham gostado. 
PS: Nunca deixem a porta aberta.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Amor ao próximo

Uma das grandes palavra da religião é "ame ao próximo", isso me choca bastante. Não, não estou falando mal de religião alguma, estou chocada com nós, seres humanos que vivem em uma sociedade aonde é necessário sua religião dizer "ame ao próximo". Essa não deveria ser uma palavra dita apenas por religiosos. Amar ao próximo deveria ser universal.
Se houvesse uma única lei, essa deveria ser: ame ao próximo, não deixe que seu ego tome conta de si. Vejo por aí tanta gente que frequenta a igreja e é extremamente egoísta, mas também vejo religiosos fazerem coisas incríveis pelos outros. Também vejo outros que tem um ego tão grande que o tamanho da cabeça deveria ser triplicado, mas também já vi ateus ou pessoas que não são tão religiosas ajudarem os outros, também. O que importa não é a sua escolha religiosa, e sim o seu caráter, a sua índole, é disso que somos feitos.
Há tanta gente passando fome, tanta gente doente que precisa de ajuda... Mas tudo começa de um modo muito mais simples. O próximo não precisa ser alguém "distante", não. Existem coisas muito mais simples que vivem sendo ignoradas.
Esses dias vi uma cena que me deixou muito chocada e cortou meu coração, e que fique bem claro, não estou escrevendo nada disso aqui pra me gabar, esse texto é mais um desabafo em relação a todo esse egoísmo excessivo e hipocrisia no mundo.
Estava prestes a entrar na aula quando vi uma garota mais nova segurando o choro, juro pra vocês que vi os olhinhos dela encontrarem o teto e quase ouvi a voz dizendo "não chora, não chora.", mas ela não aguentou, as lágrimas começaram a descer. Fiquei olhando meio de canto com o coração na mão, fiquei com um pouco de receio de ir até lá por achar que ela acharia estranho, algo assim. Então aconteceu, um funcionário que trabalha lá olhou para o outro lado e viu a garota chorando. Repito, viu a garota chorando. Sabe o que ele fez? Nada. Exatamente nada. As pessoas simplesmente passavam como se nada estivesse acontecendo. Fiquei chocada com isso, o mundo de alguém pode estar caindo do seu lado e a maioria nem vai se importar de olhar. Decidi dar meia volta e ir falar com ela.
Eu sei que o mundo não vai mudar e uma pessoa fazendo um post em um blog, contando sobre tudo isso, não vai ajudar nada. Mas eu precisava dizer, precisava. Acho que cada um de nós deveria refletir um pouco e fazer algumas mudanças. Claro, todo mundo é um pouco egoísta e isso é saudável, mas deixa de ser quando você deixa uma menina chorando, passa ao lado de um mendigo e nem olha - como se ele não estivesse ali, entre tantas outras coisas.
O seu ato pode ser uma raridade no meio de milhões, mas faça mesmo assim, a gente nunca sabe o quanto o dia de alguém pode melhorar até por um simples "você está bem?" sincero.
E sim, todos sabem diferenciar um "ta tudo bem?" por educação e o "ta tudo bem?" dito com sinceridade.