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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Broken smile


Por trás de todos aqueles aplausos e gritos excitados. Por trás dos homens sujos jogando notas para o alto em plena euforia. Atravessando o salão esta uma garota, aproveitando-se da euforia masculina e pegando o dinheiro para si. Um sorriso que poderia ser quebrado a qualquer momento. O vidro que seria quebrado caso não conseguisse o dinheiro. O fundo dos olhos mostrava preocupação, mas ninguém ali se preocupava. Não importava o nome, sua cabeça poderia ser tirada, deixando apenas o corpo. Era disso que se tratava. A noite acabava e, mais uma vez, era hora do juízo final. Foi reprovada por ser tímida demais. Quebraram seu sorriso em um milhão de pedaços. Precisava do dinheiro. Sua honra jogada no buraco juntamente com o orgulho e a inocência. A inocência foi perdida. É preciso malicia pra ganhar o jogo. Perdeu a identidade. Não precisava sorrir. Aprendeu isso. Com a dor estampada pelo corpo inteiro e a palavra que agora a definia escrita com sangue sob a pele. Decidiu ir até o fim. Ela não era mais ela.

(Autoria do texto: Beatriz Nogueira)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Claustrofobia


Acordou em puro êxtase. Não sabia em que lugar estava até ter a visão completamente focada. Viu, então, as folhagens que a cercavam, junto com as árvores que pareciam ser grades de uma grande prisão. Com a cabeça quase explodindo, caiu de joelhos no terreno úmido. Não conseguia entender nada, eram muitas vozes de uma só vez. Olhava para os lados em busca de alguém, mas nem vultos foram vistos. De quem seriam aquelas vozes? Um turbilhão de palavras das quais não conseguia absorver nenhuma frase concreta, apenas palavras que sozinhas não faziam nenhum nexo. Um grito agudo seguido de risadas incontroláveis. A consciência se calou. É disso que chamam os humanos, certo? Uma força descomunal levou a garota floresta adentro. Não sabia o que estava fazendo, nem pra onde estava sendo levada. Escondeu-se atrás de uma árvore quase automaticamente ao ver, finalmente, um único vulto que passava rapidamente por ali. Seguiu o sentido contrario de seus passos e gritou por socorro. Todo o fôlego que restava foi usado. Ninguém a viu. As lágrimas caiam dos olhos da garota enquanto as pernas voltavam a guia-la. Só queria saber o que estava acontecendo e se livrar daquilo de uma vez. Tentou correr contra a correnteza, mas foi arremessada contra uma árvore. Soltou o peso do corpo e caiu no chão, a soluçar. Tentou gritar mais uma vez, mas nada saiu de sua garganta, como naqueles pesadelos em que nada é possível fazer quando algo horrível acontece. Só podia ser um pesadelo. Sabia que fracassaria, mas ainda assim beliscou o braço, nada aconteceu. Continuava no mesmo lugar. Promessa. Promessa. Promessa. Promessas devem ser cumpridas, não?! Desesperada, saiu em corrida novamente, mas acabou tropeçando e ficou estatelada no mesmo lugar. Exatamente no mesmo lugar em que acordou. O vestido, antes branco, agora estava sujo de terra e com alguns rasgos. As mãos sujas, os joelhos ralados, mas não havia sangue. De repente, sentiu-se fraca. Fraca demais para resistir. Levantou-se, secou as lágrimas e caminhou como se fosse uma corrida para algo a que almejava. Determinada, seguia pelo caminho de pedras. Um desenho em uma árvore chamou sua atenção, algo como um círculo com pontas. Um sorriso saiu automaticamente de seu rosto. Sentiu-se em casa. Sentiu-se destinada. Logo estava no ponto inicial novamente. Dessa vez não chorou, pediu apenas para que as vozes voltassem, elas a acalmavam, embora nenhuma palavra fizesse sentido. A sua única necessidade era buscar aquela grande árvore, encontrar aquele desenho. Então correu com toda a rapidez que podia e parou de sentir o chão. Mas não conseguia ir além. Seguiu o seu destino novamente. Caminhou em direção ao lugar que suas pernas ordenavam. Acordou em puro êxtase.
Beatriz Nogueira.
Happy hallowen!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Apego

É assim mesmo, desse jeitinho que a vida vai, algumas pessoas chegam e ficam para sempre, outras - a maioria - simplesmente te fazem se apegar e depois colocam os pés no chão e saem andando.
Assim como todos os clichês da vida, sempre foi assim e nunca vai mudar. Me apego rapidamente e constantemente me entrego, me abro e o que você ganha em troca?! Nada, exatamente. No máximo um soco bem dado no estômago.
Não. Não te deixei ir. É que as vezes as pessoas simplesmente querem ir, então o individuo que se apegou tenta segurar, sinto em dizer que não foi possível, então simplesmente você foi embora, contra a minha vontade.
Um relacionamento acontece quando ambas as partes se importam e gostam pelo menos quase no mesmo grau, e falo de todos os tipos de relacionamentos, mas hoje isso parece acontecer cada vez menos.
Uma relação hoje em dia é baseada em algum tipo de interesse ou "não tinha ninguém melhor" porque pode ter certeza que quando conseguem o que querem, as pessoas simplesmente vão.
Claro que existem exceções, mas o mais engraçado é que essas nunca, em hipótese nenhuma, vão te ver todos os dias ou morar perto de você. 
A vida é irônica e gosta de pregar peças, o universo raramente conspira a favor. 
Mas se tem uma lição que aprende-se com tudo, é que a vida segue, continua, é possível ser feliz sem aqueles que foram e não são mais, pessoas vem e vão, clichê ou não-clichê, os verdadeiros permanecem. Estes, contam-se no máximo, como diria minha avó, nos dedos de uma mão.

sábado, 12 de abril de 2014

Se eu morrer jovem - Beatriz Nogueira

Se eu morrer jovem  - Beatriz Nogueira
Por favor,
Tire-me da banheira com cuidado, penteie meus cabelos e me vista com um vestido vermelho vinho. Nos olhos, faça um delineado bem bonito e coloque uma coroa de flores vermelhas em meu cabelo. Limpe meus ferimentos, se possível, passe base por todo o corpo para cobrir aqueles cometidos “acidentalmente” em vida. Não chore ao ver o sangue escorrendo junto com a água do chuveiro e dando uma coloração avermelhada para a banheira. Não, não se culpe por mim.
No meu enterro não quero rosas ou qualquer tipo de flor, muito menos roupas pretas, ninguém nunca se importou, não é mesmo?! Quero apenas uma boa musica.
Deixe que me vejam bola. Cole minha boca em um sorriso permanente. Deixe-me no leito e em seguida jogue-me ao mar. Morta com a própria beleza. Não se assuste com meus olhos revirando, não saia gritando. Morta. Sorrindo, como sempre fui vista. Morta. Superficial.

Como sempre sorri. Como sempre acharam que eu fosse. Como sempre me viram, superficialmente, e nem se importaram em escavar meus sorrisos falsos e ir até a alma. Portanto, simplesmente me deixe ali, em meio ao mar, bela. E morta.

Ps: Esse texto foi escrito por mim, Beatriz Nogueira, baseado na música "If I die young - The band perry" e a vida de muitas pessoas, em geral, quando o "tudo bem" e um sorriso na verdade querem dizer "por favor, me ajude, estou entrando em decomposição."