Hey, bookaholics!
Quem lembra da Marcela Campbell, escritora do livro Aprendendo em Seis (resenha aqui) e parceira do blog?! Então, depois de ter entrado de cabeça na história, fiz essa entrevista com a autora pra que vocês possam saber um pouquinho mais sobre ela e sua obra, assim como eu fiquei sabendo. Queria agradece-la por tudo mesmo. Acho que dessa parceria cresceu uma amizade linda, sabe? E fico muito feliz com isso!
Mas enfim, vamos a entrevista?!
Aprendendo em seis é um livro incrível que nos ensina muita coisa. Mostra também esse mundo adolescente no ensino médio. Acho que cada leitor se identificará pelo menos com um deles. Mas e você? Com qual se identificou mais?!
Marcela Campbell: Antes de responder, obrigada pelo elogio e pelas doces palavras! Fico muito feliz em ver que um dos meus objetivos com o livro está dando certo!
Bem, para mim é muito complicado dizer que me identifico mais com um, porque eu me identifico mesmo com um pouco de cada. Estava relendo o livro para um trabalho e, as vezes, me pego pensando: “Caramba, eu também sou assim” “Eu também tenho isso”.
Por exemplo, tomarei cuidado para não dar spoilers, eu me identifico com o lado super protetor da Isabela, me identifico com a maneira como o Arthur enxerga as situações, me identifico com o lado focado do Noah, com o jeito bobão do Lucas, com a determinação da Sadie e com a intensidade da Lílian.
Relendo agora o livro pela não sei qual vez, hahahaa, consigo ver muito mais coisa do que quando escrevi Aprendendo em Seis. Estou vendo que os personagens são bem amplos, e no meu caso, me identifico muito com vários defeitos e qualidades dos detentos.
Sadie, para acabar com a dor, muitas vezes se apoia na automutilação. Isso é mais frequente na sociedade do que imaginamos. Claro, existem aqueles que fazem isso de maneira que nem sabem o quão sério é. Mas tem muita gente que faz isso porque realmente acha que a dor vai passar. O que você diria para essas pessoas?
Marcela Campbell: É uma pergunta muito bem elaborada. A automutilação está sendo bem falada ultimamente, mas não sei até que ponto está sendo expressado de uma maneira boa ou ruim.
Muitas pessoas realmente acreditam vai passar, tanto que sentem que a dor passa e continua se automutilando.
Mas o conflito volta, ele acaba voltando, porque você não está cuidado dele da maneira adequada. Parar de se automutilar é um trabalho muito demorado, muito complicado e muito difícil, porém, não é impossível.
Primeiro, é preciso querer parar, depois, é necessário pedir ajuda. E é muito difícil pedir ajuda; seja para seus pais, para seus amigos, para quem for. É complicado, porque você se sente exposto. E ninguém quer se sentir assim. As pessoas normalmente querem se defender, no entanto, quando se pede ajuda, se abre a possibilidade para conversar sobre o assunto, se abre a possibilidade de ter apoio e não se sentir tão sozinho. Então, é algo que vale muito a pena.
É muito importante ir ao psicólogo e se ele achar que precisa de um psiquiatra, vá ao psiquiatra. É um momento em que você tem que pensar mais em você.
Então, se você se automutila de alguma maneira, procura ajuda, porque muitas vezes as pessoas não têm noção de quão sério isso é e quão perigoso pode ser.
Não é errado pedir ajuda, e se você estiver com medo, tenho certeza que sua coragem vai ser maior que ele. Você vai conseguir arranjar outras maneiras de se expressar, que não seja através da automutilação. Falaria também que a pessoa não é essa agressão, da mesma maneira que está se agredindo, ela pode lutar e parar.
Nos conte um pouco sobre o processo de escrita do livro Aprendendo em Seis. Foi difícil? Quanto tempo levou? Costuma ouvir música enquanto escreve? Acrescente os detalhes que desejar!
Marcela Campbell: Escrever Aprendendo em Seis foi o cão. Imagina uma pessoa perfeccionista?! Agora imagina uma pessoa mais perfeccionista ainda?! Agora mais ainda?! E mais?! E mais?! Então, eu consigo ser mil vezes mais perfeccionista que essa última.
Eu não faço nada enquanto escrevo. Nada mesmo. Só escrevo. Não escuto música, não vejo TV, não faço nada. É um trabalho entre a escrita e eu e ninguém mais entra. Hahahaha.
Eu sou uma máquina para escrever, quando engato em algo, não paro. Vou escrevendo, escrevendo, escrevendo, até meu corpo cair em cima do teclado e dormir. Não sou do tipo de pessoa que acredita que tem que estar inspirado, apenas sento e escrevo. É algo que gosto de fazer e muitas vezes sai mais fácil que outras. Há momentos de escrever sem parar e momentos de ficar parada em frente ao computador e pensando “e agora?”, então, começo a digitar.
E eu mudo meus capítulos a todo momento. Nunca está perfeito ou quase perfeito, sempre posso melhorar. Escrevo cada capítulo pelo menos três vezes, reescrevo quantas vezes achar necessário. E não me lembro de ter lido um capítulo que pensei “é isso, tá ótimo”, normalmente é “ok, vamos ver o que posso melhorar”. E quando termino é um “ok, está bom”, mas com certeza acabo voltando e acrescentando ou tirando alguma coisa.
Aprendendo em Seis durou mais ou menos um ano para ser escrito, um pouco mais talvez. Enfim, comecei a escrever e odiei e quando estava no capítulo 11, apaguei e comecei do zero. Teve momentos que quis tirar um dos personagens. Outros momentos em que achava que seria mais fácil escrever em um ponto de vista somente, e realmente seria, mas, acabei mantendo o plano inicial. Teve momentos em que até pensei em escrever seis livros, cada um em um ponto de vista, mas também desisti. Imagina seis livros?! O pior é que eu tenho o que escrever, mas, achei que seria melhor manter o formato original e também não estava muito em meus planos escrever uma continuação.
Eu quase desisti várias vezes, várias mesmo. Não consigo nem contar, se não fosse por algumas pessoas especiais, teria desistido. E foi muito bom ter terminado, foi uma mistura de sentimentos bem interessante. Felicidade, por ter terminado, alívio, mas também fiquei com saudades. Na verdade, eu sinto saudades até hoje, às vezes, acredita?! Por exemplo, agora que estou relendo, fico com saudades, mas depois, bola para frente. Hahaha.
