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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Resenha: Caixa de Pássaros - Josh Malerman

Editora: Intrínseca
Ano: 2015
ISBN: 9788580576528
Páginas: 272

Não ouse abrir os olhos. Ouça além do rio. A insanidade está esperando para tirar suas vendas.

E se você não pudesse mais olhar para fora? De uma hora para outra, simplesmente parasse de ver o mundo como sempre conheceu? Uma notícia aqui, outra ali e de repente, virou uma bola de neve. Você, normalmente cética, percebe o quanto tudo é real. Tem que vendar os olhos. Os sons, os cheiros, tudo pede para que você olhe, mas não pode, não se quiser continuar vivo.
Caixa de Pássaros retrata um novo mundo. Um mundo em que não se pode mais olhar. Criaturas estão soltas por aí e, ao serem vistas, o indivíduo comete um ato violento seguido de suicídio. Torna-se insano por alguns minutos até dizer adeus a vida com "vontade própria"


Malorie vive nesse mundo com dois filhos, o Garoto e a Menina. Sim, esses são os nomes deles - a inteligência do livro já começa por aí. Vivem em uma casa completamente vendada. Ela, que antes era parte de um grupo de sobreviventes, agora está sozinha. Janelas e portas fechadas. Uma cerca ao redor da cama das crianças. Os brinquedos? Pedaços de madeira com rostos desenhados. Os filhos foram treinados para ouvir, nunca viram o mundo exterior. Malorie viu, sim, há quatro anos. Acontece que ela deve tomar uma decisão. Atravessar ou não o rio, completamente vendada, junto com as crianças de quatro anos. A finalidade? Encontrar um lugar melhor. Um problema. Segundo as instruções, em determinado momento da viagem, ela deve tirar a venda.

"O rio é um anfiteatro, pensa Malorie enquanto rema. Mas também é um túmulo."

Estava louca para ler Caixa de Pássaros e posso dizer que não me decepcionei, pelo contrário. Em muitos momentos fechei-o e tive algumas crises haha. O autor conseguiu construir um thriller psicológico incrível, com uma atmosfera sombria e tão realista que te faz sentar no barco a remo junto com Malorie, de olhos vendados e encarar tudo aquilo. Li uma parte do livro de madrugada e olhei umas três vezes para os lados, pois é. Outra coisa que me agrada é o fato de não ser um terror apelativo, aquele feito para assustar, sabe? É justamente por isso que tudo fica dentro da sua cabeça, girando, girando e girando. Isso gera o medo, o suspense. Nesse momento, inclusive, estou olhando para trás.

"(...) Os dias começam a se misturar. Foi por isso que fizemos o calendário na parede da sala de estar. Sabe, o tempo não significa mais nada, de certa forma. Mas é uma das poucas coisas que restaram das nossas antigas vidas."

Você não vai gritar, não vai assustar, mas vai absorver tudo aquilo e isso, meu caro leitor, vai te fazer pensar. Muito. (e ficar até com um pouco de medo, aconselho a não ler de madrugada haha)


Parece mesmo que estamos o tempo inteiro vendados por sabermos tanto quanto qualquer um sobre essa onda de suicídios e criaturas. A questão é, não fazemos a mínima ideia do motivo. Além disso, o autor escreve de maneira extremamente inteligente. Alguns questionamentos que Malorie faz se encaixam muito bem na narrativa e, ao meu ver, são essenciais. Há outros personagens um tanto quanto creepys e outros que nos fazem sentir raiva e ao mesmo tempo, entender o motivo.
Marlerman sabia exatamente quando deixar a narrativa com mais ação, ou então monótona, explicar ou não certas coisas. Mas as piores - e melhores - partes foram aquelas em que o perigo estava a espreita.

"(...) Assim como imaginou anos atrás, antes de as crianças terem nascido, quando a inércia da porta da frente a lembrou de que a insanidade estava à espreita."

Aqui em baixo, você encontrará spoilers, então, se não leu o livro, pule essa parte e vá direto para o final.
Ainda não me decidi sobre o final. Ao mesmo tempo em que amei a ideia de nos deixar no "vazio" - e simplesmente imaginarmos como, afinal, eram as criaturas, o que elas queriam e os motivos pelos quais faziam os indivíduos cometerem tais atos - odiei na mesma intensidade. Por isso foi meio decepcionante, mas surpreendente. Queria as explicações, pois criei tantas teorias ao longo do livro e queria testa-las. Pensei até que Olympia pudesse não existir, já que foi extrema coincidência um parto conjunto, duas grávidas na casa, no mesmo período da gestação. Mas as respostas não apareceram. 
Agora você pode voltar a ler.



"(...) Em seus olhos, há algo mais vazio do que desespero."

Enfim, amei Caixa de Pássaros e quero sair pelos quatro cantos gritando "leia!leia!leia!" apesar de ter me decepcionado um pouco com o final. Super recomendo! Estava precisando ler um livro bom assim, que me deixa olhando para o teto fazendo vários questionamentos.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Resenha: Bela maldade - Rebecca James


Bela Maldade - Rebecca James
Editora: Intrínseca
Páginas: 302
Ano: 2011
ISBN: 9788580570816
"Após uma horrível tragédia que deixou sua família, antes perfeita, devastada, Katherine Patterson se muda para uma nova cidade e inicia uma nova vida em um tranquilo anonimato. Mas seu plano de viver solitária e discretamente se torna difícil quando ela conhece a linda e sociável Alice Parrie. Incapaz de resistir à atenção que Alice lhe dedica, Katherine fica encantada com aquele entusiasmo contagiante, e logo as duas começam uma intensa amizade. No entanto, conviver com Alice é complicado. Quando Katherine passa a conhecê-la melhor, percebe que, embora possa ser encantadora, a amiga também tem um lado sombrio. E, por vezes, cruel. Ao se perguntar se Alice é realmente o tipo de pessoa que deseja ter por perto, Katherine descobre mais uma coisa sobre a amiga: Alice não gosta de ser rejeitada..."

Bela Maldade é narrado por Katherine Patterson/Katie Boydell. Após a morte de sua irmã, um acontecimento que transtornou a família toda, a garota decide se mudar e morar com a tia Vivien, nessa nova cidade ela se torna uma garota fechada, torna-se Katherine e esconde Katie. Mas acaba conhecendo Alice, sua "melhor-amiga", extremamente manipuladora e perversa, Alice sempre consegue o que quer. 
Achei o inicio do livro muito rápido e distante da realidade, achei Katherine ingênua demais para alguém que teve um passado perturbado, logo Alice e Katherine se tornam super melhores amigas. Com Alice, a protagonista esquece um pouco seu passado e se sente amada, desejada.

“Talvez. Talvez isso explique algumas coisas. Mas não a absolve completamente. Não a meus olhos. Outras pessoas crescem em circunstâncias ainda piores e se tornam seres humanos decentes.”

Ao longo do tempo que passam juntas, Alice apresenta Robbie - meu personagem preferido no livro todo - e os três passam muito tempo juntos, mas é em um certo jantar, quando Katherine conhece Philippa - essa sim é uma amiga de verdade - que a garota passa a conhecer um outro lado de Alice. Então a mascará cai e Katherine percebe o quão perversa Alice é e que a amizade de ambas foi extremamente planejada.
Alice é a perfeita garota que tem todo mundo aos seus pés, aquela que consegue tudo o que quer com seu "jeitinho", ela me lembra um pouco a Alison, de Pretty Little Liars. Gosto dessa personagem, não pelo seu jeito de ser, porque fiquei com muita raiva dela ao longo do livro, mas por ser interessante em relação ao enredo.

“Só consigo olhar para os olhos de Alice. Eles são frios, avaliadores, e as pupilas, tão dilatadas, que tudo o que posso ver é escuridão. Dura e inflexível. Profunda. Implacável. Ali, só há trevas.”

Achei a protagonista meio sem-sal, superficial, não sei explicar, de certa forma pareceu que ela só estava lá para preencher o papel. Claro que gostei de várias atitudes da personagem e sim, me identifiquei bastante com a história em si, mas não teve nenhum destaque.
Na minha opinião, os melhores personagens do livro são os secundários, Philippa e Robbie. 
Acredito que muitos se identificam com o enredo, talvez tenha sido isso que me fez sair correndo para compra-lo. Estava extremamente ansiosa por esse livro e surtei quando chegou. 
Bela Maldade é um livro realmente muito bom, principalmente por sua essência. Os personagens são comuns, pessoas que você encontraria no seu dia a dia, talvez a ideia tenha sido essa mesma, já que muitas Alices estão espalhadas por aí, principalmente. Achei a história um pouco rápida demais, mas se tivesse sido mais lenta, talvez não tivesse sido tão boa, certo?! 

“– … Eu estaria em melhor situação se amasse uma pedra.
Rio.
– Pelo menos você não teria esperado nada de uma pedra. Ela não poderia decepcionar você.”

Um ponto muito alto do livro - além da capa e do título que são incríveis - é a alternância de passado, presente e futuro - se considerarmos presente a época em que Katherine se torna amiga de Alice - sem nenhuma indicação aparente. Isso torna o livro muito mais interessante e misterioso. Devorei a história toda em um dia.
Eu diria que o livro cumpriu todas as minhas expectativas, mas não foi muito além. Ainda assim, com certeza está na minha lista de recomendados.
“Você não deve nunca, nunca, se sentir culpada por ser feliz.”