sábado, 9 de agosto de 2014

Resenha: Métrica - Colleen Hoover


Métrica - Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Páginas: 304
Ano: 2013
ISBN: 9788501401861
"O romance de estreia de Colleen Hoover, autora que viria a figurar na lista de best sellers do New York Times, apresenta uma família devastada por uma morte repentina.
Após a perda inesperada do pai, Layken, de 18 anos, é obrigada a ser o suporte tanto da mãe quanto do irmão mais novo. Por fora, ela parece resiliente e tenaz; por dentro, entretanto, está perdendo as esperanças. Um rapaz transforma tudo isso: o vizinho de 21 anos, que se identifica com a realidade de Layken e parece entendê-la como ninguém. A atração entre os dois é inevitável, mas talvez o destino não esteja pronto para aceitar esse amor."


Com a morte repentina de seu pai, Layken é obrigada a sair do Texas e mudar-se para o Michigan, na cidade de Ypsilanti, com sua mãe e seu irmão mais novo, Kel. Lake tem que ser o ponto forte da família, então passa a ideia de que está tudo bem, enquanto por dentro está quase sem forças. O que ela não sabia é que o destino prepara surpresas e com ela não foi diferente. Assim que Lake chega em Michigan, conhece Will Cooper e seu irmão - da mesma idade de Kel - Caulder. Os meninos se tornam grandes amigos e Lake começa um romance com Will - que está sozinho, é a unica pessoa que seu irmão possui. Mas o destino adora brincar e não demora mais que uma noite de romance para que algo estrague tudo e se torne a ponte entre os sentimentos de ambos.
"Layken - grita ele, quando estou prestes a entrar em casa (...) - que a força esteja com você! - ele ri e entra no carro enquanto eu fico parada, olhando para as pantufas do Darth Vader que ainda estão nos meus pés. Maravilha."
Alias, o romance todo inicia de vez, quando Will leva Lake para uma competição de slam - esse é um motivo pelo qual o slam é tão importante.
No slam, as pessoas sobem ao palco para recitar suas poesias com seus sentimentos mais profundos - que, pelo menos no livro, não apresentam muita métrica. Definitivamente amei isso! Os poemas mostram os sentimentos sem se preocupar com o modelo. Posso dizer que, com certeza, a presença do slam foi um dos maiores motivos pelo qual comprei esse livro, é por ele também que Métrica se diferencia de todos os romances conhecidos por aí.
" - As pessoas sobem lá e colocam o coração pra fora usando apenas as próprias palavras e os movimentos do corpo - diz ele - É incrível. Você não vai escutar nada de Dickinson nem de Frost aqui."
Ao ler a sinopse, talvez você pense "Nossa, mais um romance meloso", na verdade, é isso que penso da maioria dos romances e por isso o gênero está por ultimo na lista - só perde pra chick-lit. O único romance que li antes desse foi Belo Desastre que amei, alias! Mas tive um certo preconceito com Métrica que foi derrubado assim que virei a primeira página.
"(...) Elas não querem pensar que a vida vai continuar sem elas, que os filhos vão crescer do mesmo jeito. E vão casar. E vão envelhecer(...)"
O livro tem um pouco de tudo: romance, drama, comédia. É aquele livro pra rir e pra chorar na mesma página. Chorar de tanto rir, rir de tanto chorar. Ficar emocionado. Roer todas as unhas. Ficar irritada com os personagens (eu fiquei e muito). Mas é um livro maravilhoso, a história da Lake é emocionante e de Will também, mesmo conhecendo menos. O único problema é que as vezes a ponte parecia facilmente destrutível, mas acho que como a história acontece nos EUA, lá não seria bem assim. então no fim das contas esse incomodo acabou passando.
"Não levem a vida tão a serio. Deem um murro bem na cara dela quando ela estiver precisando de uma boa surra."
Li o livro quase que em um inteiro escuro e isso foi uma surpresa, pois pude me surpreender com cada página do livro. Os personagens secundários também são maravilhosos, com foco na Eddie, que, senhor, acho que ela é a melhor personagem secundária ever. Tem uma cena em particular no livro (que não posso contar) que me fez rir horrores, nunca ri tanto com um livro. Muito, muito bom!
Outro fator que gosto bastante é o fato de Métrica se encaixar na realidade, principalmente em relação aos sentimentos de Lake quanto a tudo que está acontecendo e um segredo que será revelado mais para o final do livro. Quem nunca preferiu continuar esculpindo abóboras a enfrentar os problemas? 
"— Você se importa se hoje a gente ficar apenas esculpindo abóboras? Tem problema se a gente não fizer nada além disso? Só esculpir abóboras? Ela sorri e volta a atenção para a abóbora à sua frente. — Claro. Mas não podemos esculpir abóboras todas as noites, Lake. Vai chegar um momento em que a gente vai precisar parar de esculpi-las."
Ah, antes que eu esqueça, todo capítulo do livro tem início com um trecho de música da banda The Avett Brothers - a banda preferida de ambos - fiquei extremamente apaixonada pelas músicas - que acabaram virando a trilha sonora da minha leitura.

Acredito que Métrica merece cinco estrelas por nos provocar vários sentimentos, sair do romance clichê, trazer algo inovador e ainda por cima, nos fazer refletir - e amar slam. Esse é um livro que fico virando as páginas e relendo algumas partes por ser simplesmente incrível. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A arte da atuação

A arte de atuar não é interpretar um personagem. A arte de atuar não é reproduzir as falas de um outro alguém. É deixar sua própria vida para trás por algum tempo - esquecer todas as suas opiniões, seus conceitos de vida, suas ideias - e deixar apenas seu corpo. É habitar uma nova alma dentro desse corpo. Uma alma que no inicio não é tão conhecida, mas que ao longo do tempo vai se abrindo mais e mais. É dar a vida para um outro alguém. Deixar de ser si mesmo para ter uma identidade diferente. Não é trazer pro palco os sentimentos e emoções dos outros, é vive-las agora que são suas emoções. É trocar de identidade rapidamente. É ter um pouco de insanidade. É conhecer novas pessoas dentro de seu próprio corpo e experimentar sensações e sentimentos que nunca foram vividos em sua vida original. A arte de atuar é ter uma coleção de alter-egos. 
Todo ator tem um pouco de insanidade dentro de si. Ser ator é ser uma mistura dele mesmo e de todos aqueles que já tiveram a alma abrigada em seu corpo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Resenha: Diário do farol - João Ubaldo Ribeiro


Diário do farol - João Ubaldo Ribeiro
Editora: Nova Fronteira
Páginas: 304
Ano: 2002
ISBN: 8520912427
"Diário do farol é o relato autoral de um clérigo amoral e inescrupuloso, que no outono da sua existência resolve inventariar seu rosário de maldades, perpetradas com requintes extremos desde a infância no seminário - de início, sob o pretexto de vingar os maus-tratos do pai; posteriormente, ainda mais sofisticadas, devido ao desprezo de uma mulher.Auto-exilado numa ilha onde pontifica um farol, o bilioso e mesquinho padre dialoga com o leitor para provocá-lo com uma realidade na qual não há bem ou mal, e assim tentar demovê-lo de qualquer noção redentora. Conseguirá? Para ele, não há transcendência, o Universo nos é indiferente e a todos foi negada essa Revelação. Não por acaso, o farol de sua ilha chama-se Lúcifer, ´aquele que detém a Luz´.
O leitor é advertido desde a epígrafe: ´Não se deve confiar em ninguém´. A vida real é feita de rupturas, exceto para aquela maioria dos homens que perde a oportunidade de viver de fato por nunca romper com nada realmente importante, adverte-se. Num testemunho insidioso, que concilia situações hilariantes com outras de horror repulsivo e escatológico, somente o cinismo impera. Nisso, põe-se o padre a fazer troça dos ´católicos que acreditam nas besteiras do catolicismo´ e a manipular todos, fiéis ou descrentes, para atingir seus fins amorais, chegando à sofisticação de submeter-se voluntariamente a sessões de tortura para dar vazão a seus caprichos vingativos.
Um mal que - posto em tom neutro como só é possível por meio de uma arte superior como a literatura - nos permeia a todos e nos leva a refletir sobre nossa condição social e humana. Um mal na sua essência, que nada tem de panfletário e denunciador, que encontra solo fértil na sociedade e no sistema político atuais."


Diário do farol pode ser considerado o thriller psicológico mais pesado que li. Com um personagem principal sendo um psicopata extremamente meticuloso e inteligível, pensando em todos seus atos e não agindo por sentimentos. Seus atos e palavras - o livro é narrado em primeira pessoa - são colocados de maneira densa e nos fazem sentir repulsa. Acredito que por esse motivo muitos reclamem da leitura, parem o livro no meio e fiquem indignados. Esse é um livro que tive que ler para a escola e sim, fiquei com extremo nojo e indignação do protagonista, porém, ao mesmo tempo achei o livro extremamente genial, de modo a entender o que se passa na cabeça do faroleiro.
Em sua infância, o faroleiro presencia a morte de sua mãe, causada pelo próprio pai, que inclusive o maltrata dizendo que sempre quis ter um filho homem e ele com certeza não é esse filho. É possível perceber que esse trauma teve grande repercussão na vida do protagonista, de modo que, por ser ser oprimido, tornou-se opressor. 

"A realidade é, sim, muitíssimo mais inacreditável do que qualquer ficção, pois esta requer uma certa arrumação falaciosa, a que a maioria dá o nome de verosimilhança. Mas ocorre precisamente o oposto. Lê-se ficção para fortalecer a noção estúpida de que há sentido, lógica, causa e efeito lineares e outros adereços que integrariam a vida. Lê-se ficção, ou mesmo livros de historiadores ou jornalistas, [b]por insegurança, porque o absurdo da vida é insuportável (...)"

O fato ainda mais interessante é que o faroleiro não comete seus atos por si só, ele escuta a voz de sua mãe morta e esse é o motivo de tudo. Ela pede vingança e é isso que ele busca o livro inteiro, cometendo vinganças de extrema crueldade e sendo aplaudido pela mãe. O protagonista sente falta da mãe, sente-se oprimido pelo pai e ficou extremamente chocado com a cena que presenciou - embora não tenha demonstrado - então precisa de um motivo.
Outro fato interessante é o modo como o protagonista trata o bem e o mal, dizendo que eles são as mesmas coisas, estão fundidos, de modo que, para ele, seus atos não são nenhuma atrocidade, está apenas buscando a justiça, enquanto veste seu fardo religioso e frequenta o seminário.

"Desejo estragar, ou macular definitivamente, sua falsa felicidade, se você se ilude em tê-la. Minha esperança é que ela possa mirrar ou extinguir-se inteiramente, para que você veja o mundo como ele é, ou enlouqueça, ou morra, ou ambas as coisas, pois quase todos, insisto, sobrevivem apenas porque crêem que não são sozinhos. São, sim. Você é sozinho e permanentemente ameaçado, e somente um voluntarismo animalesco lhe faz ver o mundo de maneira diversa. "

A sexualidade no livro retrata partes que me causaram bastante repulsa e a pergunta de que "como uma pessoa desse modo pode existir?" e então o mesmo responde "alguém como eu pode estar do seu lado agora" o que, meu caro, infelizmente é verdade. 
Para contradizer tudo o que disse acima, deixo aqui uma pergunta: "será que tudo o que o faroleiro narrou é verdade? não estaria ele fazendo delírios e fantasias de como ele gostaria que tivesse acontecido?
Diário do farol é um livro extremamente inteligente, recomendado para aqueles com estômago forte e que querem entender ainda mais como os atos podem influenciar a vida de alguém, como traumas agem e a mente humana, além disso, a mente desse faroleiro que busca vingança, o psicopata.

domingo, 3 de agosto de 2014

[FOTOGRAFIA] Jardim Botânico

Olá bookaholics!!
Ontem fui no jardim botânico e usei minha avó de cobaia, e não é que ela é uma boa fotografa?! haha
Ela tirou algumas fotos pra mim e eu também tirei algumas do ambiente e tal, então vim compartilhar algumas delas com vocês! Espero que gostem :)












sábado, 2 de agosto de 2014

Evento "Livros em pauta"

O evento "Livros em pauta" que acontece em SP no dia 09 de agosto tem como objetivo reunir leitores e escritores para uma grande festa, com bate-papos literários, escritores de fanfics e até hqs. O encontro acontecerá na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação - FAPCOM, no endereço:

Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação – FAPCOM

Rua Major Maragliano, 191 – Vila Mariana São Paulo, SP

Entre as estações Metrô Vila Mariana e Ana Rosa (próximo à rua Domingos de Moraes)

O evento acontecerá das 10h as 20h contando com presença de vários autores e também mesa de autógrafos. Para saber mais acesse o site.