Ano: 2015
ISBN: 9788582353066
Páginas: 256
Nota: 5/5
O amor pode ser bonito, mas também pode ser feio. O amor pode ser doce, mas também pode ser amargo.
Escrever essa resenha é um tanto quanto complicado pra mim. É um livro que conseguiu me provocar muito e fazia bastante tempo que não saia assim da cadeira. O problema é que durante boa parte da história odiei a protagonista, não entendia seus motivos, considerava-a burra e ingênua. Mas ao longo do livro fui percebendo e entendendo tudo, ao final, nas notas da autora, tudo fez sentido e eu pude dizer, finalmente, que Jennifer Brown novamente conseguiu escrever um livro que deveria ser leitura obrigatória a todos!
"Naquele exato momento, aos 8 anos de idade, eu sabia. Sabia - assim como sabia que jamais tiraria o apanhador de sonhos do pescoço - que um dia iria ao Colorado, para onde a mamãe tinha tentado ir."
Amor Amargo é narrado pela protagonista, Alex. Tudo se inicia com o planejamento de uma viagem para Colorado, mas não é uma viagem qualquer. Depois da morte repentina de sua mãe e vivendo com irmãs e um pai completamente ausente ela resolve ir atrás de respostas no Colorado - para onde a mãe estava indo quando sofreu o acidente. Mas ela não irá sozinha, seus dois melhores amigos a acompanharão. Em meio a sábados de pizza, massa de biscoito regadas a Dr. Pepper, os três se divertem e planejam a viagem. Bethany é obstinada, persistente, determinada. Gosto muito da maneira como ela se comporta ao longo do livro. Zach, engraçado, protetor e o melhor amigo que todo mundo gostaria de ter. Na verdade, queria os três do meu lado.
"Mas, quando demos os braços um para o outro e começamos a andar em direção ao carro de Cole, poderia jurar que vi o seu rosto assumir uma expressão nada amigável."
A princípio, é isso que o livro parece ser, um young adult. É possível até imaginar um final com a viagem e Alex se redescobrindo. As suspeitas são "confirmadas" quando Alex conhece um garoto para quem tem que dar aulas de reforço, Cole - que parece ser bem legal, a princípio. Mas é claro que não poderia ser diferente da polêmica contida em seu outro livro, A lista negra. O garoto, antes meigo, vai se revelando obsessivo, egoísta e ainda pior, violento. Esse é o tema do livro: relacionamentos abusivos.
"Beth e Zach sorriam para mim toda hora, mas seus sorrisos não provocavam essa sensação. Seus sorrisos eram como risadas. O sorriso de Cole era como uma carícia. E parecia ter sido feito sob medida para mim."
Amor amargo não me fez ficar apenas angustiada, como muitos blogueiros dizem, mas me deixou com raiva. Muita raiva de Cole e ainda mais de Alex. O garoto começou a persegui-la, não a deixava sair com os melhores amigos, tratou todos mal - principalmente Zach - e Alex simplesmente ignorava, inventava desculpas ou culpava a si. E então aconteceu a primeira agressão. Pensei: agora ela vai se tocar e terminar tudo. Mas nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaao, aí você imagina a minha cara quando ela começou a se culpar e tentar inventar desculpas para não acreditar na verdade bem na frente dela?! Quando deixou a melhor amiga esperando por ela e depois ainda fez questão de ficar com ciumes de uma nova integrante do grupo?! Tive que fechar o livro, senão iria ter um treco. Nesses momentos queria beijar Bethany e Zach, que esfregavam a verdade na cara dela.
Mas conforme lia o livro e as notas da autora, tudo começou a fazer sentido. Alex deixou de ser burra para ser vítima. Vítima de algo que aparenta não ter saída. É algo parecido com a síndrome de Estocolmo. Ela simplesmente amava Cole, era para ele ser o cara perfeito, mas não era. E ela negava isso o tempo inteiro.
Mas conforme lia o livro e as notas da autora, tudo começou a fazer sentido. Alex deixou de ser burra para ser vítima. Vítima de algo que aparenta não ter saída. É algo parecido com a síndrome de Estocolmo. Ela simplesmente amava Cole, era para ele ser o cara perfeito, mas não era. E ela negava isso o tempo inteiro.
"Saiu de fininho da sala e depois fechou a porta quase sem fazer barulho e, de uma hora para a outra, eu estava sozinha. E foi aí que tudo começou a doer. O pulso. Os quadris. O couro cabeludo. O pescoço. E, mais que tudo isso junto, o coração."
Pra não dizer que a história não contém erros, senti um pouco de falta da explicação sobre Cole. Por que ele faz o que faz?! Somos apresentados a família dele e alguns problemas, mas fica tudo muito vago. Ainda espero por um livro em sua perspectiva - prometo ler e tentar não jogar pela janela. Quanto a Tina, a nova "integrante" do grupo, senti que foi apenas um mero artifício. Uma vez que a personagem é citada em dois capítulos e depois some. Mas ok, é compreensível.
Outra personagem que amei é a Georgia, chefe de Alex. Ela é como uma mãe que a garota nunca teve e realmente está lá para tudo, tudinho mesmo.
"Era como se a dor não fosse minha. Como se a Alex que estava ali não fosse eu, mas outra pessoa, perdendo os sentidos um a um. Parei de chorar. Fiquei apenas assistindo. Dormente."
Gostei que no final das contas, a viagem para Colorado não foi esquecida e Alex de fato aprende sobre a mãe. Seu objetivo do inicio foi cumprido no fim, com alguns acréscimos. Ela se torna uma personagem muito mais forte, cheia de cicatrizes, mas inteira.
Em suma, Amor amargo faz jus ao nome. É uma história amarga, mas cheia de amor. Amor que pode se expressar de todas as formas. O amor distorcido, um amargo amor.
"(...) Era ele quem ditava as regras e dava as ordens. Eu não passava de uma marionete, me movendo ao sabor da sua vontade."
ps: esse livro foi cedido em parceria com a editora Gutenberg. Estava doida pra ler e quando o encontrei na minha cama sai gritando pro mundo.
ps2: se você quer ler outros livros da autora, por favor, leia A lista negra.










